Era uma vez um tagarote
Ele era tafulo
De uma tágide
Que lhe fazia tagatés
Com um tagante
União sem tálamo
Moravam num taipal
Quando se encontrava
Numa tebaida
Retirava o tafúlio
E bebia
De uma só talagada
A tafiá
Que comprara
Com um tael
Seu tesouro
Era guardado
Por um talambur
Pregava
O talante livre
Não tolerava
O tairocar
Dos portugueses
Residentes na cobertura
Do edifício ao lado
Ia pro trabalho
De taioba
Sempre que encontrava
As tajãs
Que tentavam
Entrar-lhe na taipa
Isto às vezes
Lhe custava
Algumas textilhas
Com sua tágide
todavia ele
taimado como o Taneco
sempre a convencia
do contrário
ele tomava tenência
e ambos
voltavam às boas
afinal foram talhados
um para o outro
pelo Artesão Universal
um de seus contribuintes
era uma gitana tarimbada
que jogava tato
trambiqueira
de mão lotada
outro era um tarega
que vendia tarecos
a prestação
cobrava taxas de juros
altíssimas
nosso protagonista
era amigo de um Tebas
este o iniciou
na tavolagem
comemoram da mesma tigela
no mesmo tinel
quando menores
depois foram
o tiloma
um do outro
O Tebas tornara-se
Um tigre
Contudo foi
Só o tagarote
Dar-lhe um talco
Comprado com um til
Pro litigante
Se derreter todo
E os dois saírem
Por aí
Dançando tango
O centro de
Nossas atenções
Mesmo não sendo adepto
Do tabagismo
Sofria de tafofobia
Que o torturou
No tronco
durante vinte anos
para penetrar
neste labirinto
é preciso mais
que o fio de Teseu
para matar este Minotauro
É necessário
Mais que uma
Afiada tabla
Para curá-lo
Numa teopia
Surgiu para ele
Uma Teoria
Trajando uma tordesilha
Bastou ter ela
Tocado-lhe a testa
Com uma tarja
De tafetá
Para ter ele
Curado de todo
Então
Soaram trombetas
Tonitroantes
Querubins
Tangiram cítaras
Íris coroou
Com seu arco
Aquele torrão
Assim termina
Este ato-átomo
Sobre o tablado
Da existência
Cerram-se as cortinas
Cegam-se os holofotes
Destrama-se
A tessitura
Do tagarete
Desta tessela2) TODO SONHO (12/08/1987)
O sonho
De todo Vampiro
É o sangue
Cintilante das Estrelas
Servido
Em taças vívidas
Talhadas
Em seus brilhos
Entrelaçadas
Toda Estrela sonha
Morar em
Sólido Castelo
No coração de fogo
Do Sol
3) UNICORNÍVOROS (12/01/1997)
Existia, há séculos atrás, a Ilha dos Unicórnios. Todo anos, época do acasalamento, fazia-se uma cerimônia ritual. Durante a mesma, os casais retiravam seus chifres. (O macho retirava da fêmea e vice-versa .) Para não se ferirem durante o ato sexual e, também, para que novos chifres crescessem, como aliança entre ambos. Após o ritual, o mar levava os chifres e os colocava no Recife dos Chifres. O Recife era antenas para contactar os ancestrais e divindades. Quando os seres humanos descobriram a Ilha, o Recife já era um perigo para as embarcações, que nele encalhavam. Os piratas usavam os chifres do Recife para fazer espadas. Com o passar do tempo, desapareceram os piratas e apareceram os caçadores de tesouros. Estes se interessavam pelos chifres, pois a matéria de que eram feitas era única no mundo. Os caçadores de tesouros sonhavam a Ilha dos Unicórnios para ficarem milionários.
4) VAMPIRÓDIAS (PRIMEIRA PARTE) (16/10/1987)
1
Ave Drácula
Ao que vais morder
Ser mordidas
Te saúdam
2
Quem nasceu
Pra mosquito
Nunca chega
A Vampiro
3
Vampiro
Vampiro meu
Existe pescoço
Mais saboroso
Que o meu ?
4
De gota em gota
O vampiro engorda
A vítima se esgota
5
Não deixe o sangue sumir
Não deixe o secar
Vampiro não vive sem sangue
Em sangue pra ele sugar
6
Sangue tem gosto de festa
É melhor e mal não faz
Ontem, hoje. sempre
Sangue, sangue, sangue
O rubro que satisfaz
7
Meu corpo amanheceu
Meio sem sangue
Sangue, sangue
Foi um vampiro
Que cravou os dentes em mim
E que me deixou assim
8
Yes nós tempo pescoço
Pescoço pra dar e vender
Pescoço vampiro
Tem muito sangue
E sangue é nutritivo
Engorda e faz crescer
9
Sangue é bom no almoço
Sangue é bom no jantar
Sangue é bom no café
Depois de deitar
Sangue é bom demais
E uma gotinha só já satisfaz
10
Eu sei que vou te sugar
Até o fim da tua vida
Eu te sugar
Não vais socorrida
Eu vou te sugar
Desesperadamente
E cada dente meu será
Pra te morder
Eu vou te sugar
Até o fim da tua vida
Eu te sugar
Eu sei que vou morder
Teu lindo pescoço
Eu vou morder
Sob a luz melíflua do luar
Ao embalo
dos teus gritos
de horror
eu sei que vais morrer
mas a desventura
efêmera vai ser
pois eterna vais viver
Vampira ao lado meu
Após o fim
da tua vida
5) GOTA SOLITÁRIA (08/01/1997)
Cai de
Um olho solitário
Uma lírica lágrima
Talvez seja orvalho
Talvez seja chuva
A descer
Pela pele
Da viúva
O sol evapora
A lágrima solitária
Que vir nuvem
Talvez seja sonho
Talvez seja miragem
A aliviar
O peso
Do véu
Da nuvem solitária
Desce uma chuva
Feito de uma única
Gota.
Talvez seja íntima
Talvez seja vítima
Do penar altivo
Da cativa.
6) ISABEL
Com o azo
De servir de chapéu,
Um disco voador raso
Pousa por acaso
Na cabeça de Isabel
E a faz sonhar com o Céu,
Onde repousa seu amoroso caso.
De nuvens é o tecido
Do vestido e da donzela.
Um anjo atrevido
O deu a ela.
Coisa que,
Aos seus ouvidos
Soou como
Proposta concreta
De união perpétua.
Os lábios de Isabel
Aceitou prontamente.
Mas as mãos de Gabriel
Tinham outras intenções
Queriam percorrer
As deliciosas regiões
Daquele corpo,
Sentir as ondulações,
As sensuais vibrações,
Os sutis sons
Que emanam
Do encontro
Entre a virginal pele
E o celestial tecido.
As sapatilhas
São um presente
Do espírito
De uma bailarina
De nome Catarina.
Amiga de Isabel
Desde a infância
Sua Mãe Astral.
A distância entre elas
Faz agora, de Isabel,
Uma solitária órfã.
Agora apenas seus pés
Sentem na pele
A lembrança
Da presença
De Catarina.
Isabel tem
Na mão esquerda
Uma bela e dourada flor.
O nome dela é Camélia.
Foi ex-colhida
Entre as da vereda
Mais oculta
Do vergel
De Isabel.
Eleita
Para ser
Confidente
Fiel.
Nossa amiga
É feita da matéria
Das quimeras
De Camélia.
7) ME PERDOA POR TUDO
Me perdoa
Por tudo
O que eu disse
Me perdoa
Porque
Eu disse tudo
Sobre você.
Se eu falei
Tudo o que sabia
Sobre o teu passado
É porque
Eu não sabia
Que te perderia
Só ter contado.
8) MEDO (09/10/1987)
Meu medo
Não dorme.
Nem me deixa
Dormir.
È só eu
Fechar os olhos
Para abrir-se
A Porta de Marfim
E milhões de Íncubos
Invadem
Minh’alma.
Morro de fome
Mas não como
Tenho medo
De que a morte
Tenha se alojado
Em meu prato.
9) MEDRUSA (11/08/1986)
Meus pés sujos de lama e podridão
Mergulhados na imensidão
De lagos pútridos e fétidos
Da Transilvânia
Minhas mãos imundas pegajosas e letais
Revolvem as verves dos animais
Cheios de artimanhas
Meus olhos são pêndulos macabros
Percorrendo os alfarrábios
Acompanham meus lascivos lábios
Atrás de antigas poções
E de criações de leiximânias
Minhas unhas são punhais
Cujas lâminas se curvam para trás
Provocando fortes emoções
Nos meros mortais
Meus cabelo de serpentes é feito
produz um Medrusa efeito
morde o pescoço das virgens
que sentem vertigens
e se entregam ao torto e ao direito
meus pés são de cabra
cujas pisadas macabras
afugentam aldeias inteiras
minhas costas são lisas e escorregadias
as das rãs também são assim
servem de aeroporto
para traças cupins e pragas afins
10) METÁFORAS EUFÓRICAS (10/01/1987)
Uma pessoa parindo em cada esquina,
São sementes explodindo em espetáculo divino.
Uma luz sorrindo em cada pirilampo,
São minúsculas esmeraldas voando pelo campo.
Um casal brindando em cada bar.
São sinetas vítreas repicando para celebrar,
Uma flor branca abrindo em cada galho,
São estrelas acordando graças ao orvalho.
Um canário cantando em cada fio telefônico,
São agulhas de tricô tecendo um mosaico sinfônico.
Um radar de luz em cada girassol,
São mandalas girando, seguindo o carro de Apolo.
Uma festa de cor em cada borboleta,
São caleidoscópios voando pelo planeta.
Um orgasmo espocando em cada fogo de artifício,
São gritos coloridos compondo murais de delírio.
Uma espessa malha de espinhos
Expandindo-se entre os espécimes
Da árvore escarlate,
São soldados soldados entre si,
Defendo a floresta encantando
Dos ataques.
Uma aranha tecendo em cada senhora,
São romances criadas por sábias escritoras.
Uma linda paisagem em cada garoa,
São quilômetros de querubins aspergindo com conta-gotas.
Uma mescla de Deus e Demônio em cada um de nós.
Somos a síntese de bem e mel, dentro e fora de nós.
11) MIL MENTIRAS (14/06/1988)
Ela
mil vezes
Por hora
Eterno amor
Me prometia.
E eu
Mil vezes
Por dia
Me iludia.
12) PEDRAS PERNICIOSAS
Algemas de gemas
Preciosas e perniciosas
Em pernas ociosas.
13) PRINCESA ACESA (22/05/1986)
Mar de estrelas
Vermelhas
No alto da cabeça
Da Princesa
Do Fogo
Duas
Verdes Luas
No semblante
Brilhante
E macio
Caixa de
Músicas clássicas
Completa de
Maneira discreta
O quadro
Dona do jogo
Dama do Malogro
Idílio
Do caudilho
Habita o abismo
Entre a mente
E o evento
Habilita facínoras ao fascínio
Praticantes de assassínios
Medéia Meduséia
Atenas de antenas
Pitonisa que sintoniza
Oráculos miraculosos
Em sua
Cristalina pirâmide
Seu mister
É o mistério
Do mistral
Flor carnívora
Fascinante facínora
Mitomaníaca afrodisíaca
Leva à loucura
A quem vivem
No Cine Solidão
Sine cura







