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TRAJECTOIRE DE MAURO VALENTE
Je suis né à l’année de 1967, à la ville de Rio de Janeiro, quand j’ai reçu le nom de Mauro Brito da Silva.
En 1991, j’ai reçu le diplôme de la Faculdade de Letras da UFRJ, référent au cours de Portugais-Litté ratures.
Je m’exprime à travers de plusieurs arts: Littérature, Arts Plastiques, Danse e Thêatre. J’utilize tout le pouvoir des symboles et des mythes pour intégrer, dans mes oeuvres, les divers aspects de l’être humain et aussi les arts les uns avec les autres.
J’ai commencé à écrire poésies à cause d’ inspirations subites. Aux cours d’oficine littéraire, j’ai appris à mieux contrôler le processus criatif. Mes poèmes ont été déjà exposés et publiés, à cause de recompenses que j’ai reçu et de ma propre initiave.
J’ai presenté mes essais littéraires deux fois, pour être invité. Une fois pendant un congrès organisé par la Faculté de Lettres de la UFRJ.
J’ai appris à faire collages en 1982, au Colégio de Aplicação da UFRJ. En 1992, j’ai suivi un cours de collage, quand j’ai été éleve de Monica Barki. Dès 1991 jusqu’aujourd’h ui, à propos de cet art , j’ai dejà réalisé six expositions individuelles et trois collectives . J’ai exposé deux fois aux galeries du SESC, à Friburgo et à Tijuca.
Origam i j’appris à faire avec les programmes enfantins, que j’ai assiste à la télévision. J’ai amélioré ma technique comme autodidacte et au cours que j’ai suivi au Centre d’Artes Calouste Gulbenkian, em 1999, dont le professeur a été Mirian Nigri, membre du grupe Origami Rio. À ce même année, j’ai participé d’une exposition collective, où j’ai exposé mes origamis.
Le Tablado m’a enseigné à ëtre acteur, grâce aux trois cours que j’ai suivi dans cette institution, em 1985 et 1986: improvisation, interprétation et expression corporellle. Le professeur d’improvisation à été Ricardo Kosowski. À l’année de 1995, j’ai été membre du grupo Fazendo Arte, travaillant comme chanteur au choral et avec le théâtre enfantin, comme acteur et faisant les scénarios.
L’o bjectif de mon projet d’enquête a été démontrer les différentes relations entre les fous et les mythes, dans la fiction brésilienne. Je l’ai realisé entre 1990 et 1991. Je suis financé par le CNPq et orienté par le professeur-doct eur Wellington de Almeida Santos.
Intégr ant les arts, les uns aux autres, j’ai déjà realisé: deux expositions de poèmes et collages; une oficine par suggérer aux professeurs técniques d’interaction entre Litterature et Arts Plastiques.; huit performances, alliant Poésie, Théâtre et Arts Plastiques, une d’entre elles au théâtre Vila Lobos.
Em octobre 2000 j’a participé de la pièce “Os Gregos”, crée par la Companhia de Teatro Medieval. J’ai actué improvisant avec l’actrice Márcia Frederico, par qui j’ai été choisi pour avoir répondu correctement ses demandes sur les mythes grecs.
En 1995 j’ai lu le livre “Tarô Mitológico”, que m’a aidé à commencer ma carrière de tarologue. Dès le commencement, j’ai fait un grand succse, parce que je me suis revélé très habile en donner des conseiiles pratiques, utiles a résoudre les problèmes de mes clients et en faire prévisitions, qui ont été vraiment realisées.
À l’année 2000 j’ai realisé deux songes, que j’ai déjà eu longtemps. Le premier a été le lancement de “Coração Coringa”, mon premier livre de poésies, où les phases de la lune symbolisent beaucoup d’étapes et plusieurs types de relations amoureuses. À ce livre, je m’ai dédié pendant dix ans, m’ocupant de tous les détails: écrire les poèmes, créer les illustrations, faire la révision, le relier, le vendre. Ce livre a été mon second grand succès, comprové par la vente de beaucoup d’exemplaires.
Le second rêve que j’ai realisé, l’anné 2000, a été la création de “Poesia Energética” mon premier site pour l’internet . Dans ce site, je presente la proposition de la totalité de mon oeuvre poétique, qui est la d’englober tous les aspects de la conduite humaine. Les poèmes sont classifiés par catégories, symbolisées par les quatre éléments et illustrés para mes collages, inspirés sur le Taro.
Depuis 1999, quand je m’ai decidé concentrer toutes mes énergies et tous mes talents dans une seule série de libres, je me lui dédie. Mon objectif est prouver à tous que, dans chaque personne, existent les moyens pour réussir à améliorer la qualité de vie. Et ce sont faciles à découvrir, à partir d’un chose simple et accessible à tous: les proverbes brésiliens. Ça est possible parce que ces proverbes possèdent les mêmes symboles que le taro, par exemple: la Voiture, la Lune et le Monde. À la version en français de ce série, que je suis en train de traduir du portugais, j’ai donné le titre de “Taro Brésil.
J’ai choisi Mauro Valente pour être mon nom artistique, parce que c’est le que mieux me caractérise, dans trajectoire de vie. Dans ma constante lute pour exercer mes droits, comme citoyen; pour réaliser me rêves, comme artiste; pour superer mes limites, comme être humain.
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Publié le 21/05/2008 à 4:25:00 AM
Par Mauro Valente
1) ACREDITE SE QUISER... (18/10/1991)
Morte se cadáver ? Sempre pode haver quando o Rei Mais Forte está no poder. Morte sem cadáver ? É possível, sim. O Ministro Calote, primo do Rei Mais Forte, certa vez disse-lhe assim: “Trezentos trabalhadores, de nosso idolatrado Reino, estão agonizando. Acidente de trabalho... estavam provando as trezentas iguarias que nossos Embaixadores deram a vossa Majestade como presente de aniversário. Claro, veneno não havia. Trezentos funcionários, muito bem qualificados estão em agonia por servir à Pátria, por seguir seu Lema: “Ordem e Progresso.” Está na Bandeira, em Vosso Trono e nas bandejas. Imagine a cena: trezentos homens colocam em ordem as trezentas iguarias e as comem, em progressão geométrica, para provar que, até à morte, à Pátria serviriam. Serviram em demasia, agora não servem mais para nada. Nosso Exército incansável, intrépido, agora é vítima de uma overdose de iguarias. Como diz Vosso Provérbio Real: “Quem não vive para servir, não serve para viver.” Como nosso Exército de Provadores Não está mais apto a servir-vos, sugiro que seja declarado morto. E que eu, que sou seu mais fiel e apto servidor em condições de provar toda espécie de comida, sugiro que Vossa Alteza permita-me acumular trezentos e um Cargos. O que já exerço, de Ministro das Relações com o Empíreo, e mais os Trezentos de Provador. Pois valho mais que os Trezentos que ora agonizam.” O Todo-Poderoso empossou Calote, com toda pompa e circunstância, de maneira instantânea. Quando os antigos Provadores, enfim estavam curados da coma gastronômica foram considerados mortos, por justa causa. Morte se cadáver ? isso não é nada. Tudo, literalmente tudo, pode acontecer quando o Rei Mais Forte e o Ministro Calote exercem seu Pleno Poder.
2) ACRÓSTICO PARA MIM (10/12/1985)
M itos muitos:
A lados, astutos, U rgentes, fortuitos, R ápidos, robustos, O bscuros, oclusos, B uliçosos, bél(ic)os,
R uidosos, românticos, I nternos, intensos, T ontos, tensos, h O nestos, peçonhentos, D emoníacos, divinos,
A lucinados, apaixonados, S elvagens, sonolentos
I mprevisíveis, insuspeitos, L adinos, lacrimosos, V alentes, voláteis, Á vidos, ardentes.
3) ÁGUIA ESTRAÇALHADA (14/02/1987)
Uma águia branca estraçalhada no chão. Um fio de cabelo não faz uma estrada, verão. Se há uma espada atravessada em minha garganta em vão.
4) ALEGORIA (07/04/1987)
O tapete de relva azulada
estende-se até o outro lado das montanhas. Pássaros passeiam soltos como nos contos d’antanho. A brisa alisa as penas para as pascer. Elas se arrepiam de prazer, parecem pequenas antenas captando as ondas facécias das fadas alvissareiras. Agradecem em coro as carícias. Agradecem em coro as carícias com trinados estridentes, tirados das goelas fictícias. Depois seguem em frente, pelos pêlos patrícios do tapete macio e transparente. Uma chuva de gotículas douradas tinge de sol a passarada, que nada nas poças com grande alvoroço. Quando a chuva passa, mais que depressa secam-se todos uns aos outros. Sob as asas todos levam frutas suculentas, saboreadas com gosto. Desfrutam de solo tão rico, que os alimenta e os deixa bem dispostos a cumprirem se destino. Aqueles que antes deles palmilharam o mesmo caminho, fecundaram o solo daninho, disseminaram as sementes, regaram com seu suor e seguiram crentes de que a empresa seria melhor. De que a empresa seria melhor para os que os que viessem após, se colhessem os frutos plantados no solo por eles amado. Mas eis que a estrada bifurca-se em três. Só a escolha certa não leva ao deserto de onde não há volta. Do céu vem a resposta: uma seta de sete estrelas aponta o rumo certo a tomar. A rota para a nova vida, só possível na Terra Prometida. Só é possível na Terra Prometida, viver sob o olhar protetor da Lua. Seus raios fazem com que o sangue flua muito mais límpido e um espírito mais firme se construa. Todos são abençoados. essa é Lei do Karma: Toda grandeza de alma será bem recompensada. O fim da jornada não está na Terra Prometida. A Morte convida para nova estrada.
5) ALQUIMARIA (06/07/2001)
Aqui estou eu, sentada em meu trono. Em meu forno de alquimia. Cozinhando meus neurônios em mistérios, em mercúrios brandos, em banho maria.
6) ALUCINAÇÃO 16/04/1988
um lunicórneo alucinado pasta pelos prados, silêncios do meu sonho pasta o filho pelos campos, flores do teu sorriso navegam o mar de bronze em vitórias-régias de invisíveis velas os doze nomes do Horizonte um Sol minúsculo do seu sepulcro engendra na rocha a fonte límpida de onde afloram todos os símbolos as rosas de Ísis são intangíveis até cumprir-se a quadratura das Maçãs sibilantes olhos jorrando leite na tua vertigem de ser peixe na alegria exata das Manhãs
7) AMADO CAVALO ALADO 16/08/1987
Juro que um dia hei de matar-te Meu cavalo amado Para ver-te cavalgar Mais vivo, saudável e verde Pelos prados azuis Do meu sonho Hei de matar-te Para imantar-te Para que possas atrair Legiões de loucos Hei de matar-te Com arte Por toda a parte Com amor nos olhos Hei de matar-te Sem dó nem piedade Ao nascer da tarde Com serenidade E aos poucos Hei de matar-te De tanto olhar-te Sem poder cavalgar-te Já que nem ao menos existes Para que eu possa dizer de ti Que és meu Hei de matar-te Como se deve matar Tudo o que não nasceu Hei de matar-te Enfim Por descobrir que em mim És o que não sou EU
8) AMANTE DE ALUGUEL (30/09/1984)
Se acaso me quiseres Te dou quando puderes Quando eu puder também Sou mulher da vida Há muito estou perdida E da perdição Já fui muito além Se comigo trepares E se bem me pagares Te elevarei ao Céu Eu não nego fama E com boa grana Cumpro o meu papel Posso até acabar na lama Mas que ela antes seja cama Dessa amante de aluguel
9) AMANTES DO MESMO HOMEM (SONETOS GÊMEOS)
1
Não partia antes de roubar do jardim de seus lábios a flor de um beijo para depois ofertar à outra amada.
Nem os mais sábios, por mais que tivessem desejo, explicavam aquela situação complicada. Na verdade, a resposta era simples.
Ele amava as duas com o mesmo amor. Das duas ele era o príncipe. E as duas davam-lhe amor.
Como o amor não conhece limites, podia ele das duas dispor 2 a seu bel-prazer.
Ele se deleitava no corpo das duas. Elas era suas nos jardins do bem-querer. Até que um dia a desgraça
abateu-se sobre as duas. E lá se foram pelas ruas, chorando até do enterro a praça. As duas se vestiram de luto
pelo mesmo homem, mas jamais se conheceram. Ambas solenemente prometeram
não amar a mais ninguém e aprisionar-se em luto absoluto.
10) AMAR (08/02/1983)
Amar é triste Mas não existe Nada mais alegre Que o ato de amar Amar consiste Num ato de entrega total Como olhos de amar você enxerga Tudo o que e invisível E sobrenatural Quando amar você não negue Nada à pessoa amada Pois assim o Amor prossegue Sem que nada impeça a caminhada Em direção Ao coração Da pessoa desejada Amar é diferente de estar apaixonado Pois a paixão é passageira E o Amor é tão firme Que, quando instalado, Livrar-se dele não há quem queira Quando na Corrente do Amor Você estiver sintonizado Todas as portas lhe serão abertas E você estará sempre localizado Nos lugares certos nas horas certas 11) AMIZADE ETERNA 02/07/2001
Amizade é pétala, é estrela, brota, brilha, em todo lugar: no lago, no lar , na montanha, no mar, no céu, no olhar. Amizade é fogo, é luz, é arte, é inspiração, ilumina com carinho nosso caminho, nosso coração. Amizade é água, é rio é cachoeira, é chuva, lava nossa alma quando raios, pedras e espinhos nos enchem de traumas. Amizade é ar, é asa, é brisa, é melodia, nos faz voar, ver o melhor caminho para os sonhos realizar ou apenas passear. Amizade é terra, é arvore, é adubo, é raiz, põe nossos pés no chão, nos ensina que amar é melhor que ser campeão. Amizade é tudo isso e é muito mais. Se meu coração cantar só amizade, essa canção não vai acabar jamais. Para finalizar, vou lhes dizer, então: amizade é magia, é alquimia, é transformação. Transforma o ódio, nosso lixo interior, no ouro mais precioso, na mais bela das artes, o amor. 12) AMOR É TERROR
Amor esteve aqui, amenizou minhas ânsias. Renasceu minhas esperanças só para me iludir. Amor almoçou aqui, matou minhas fomes. Limpou minhas fontes só para me diluir. Amor dormiu aqui, orientou meus sonhos. Exorcizou meus monstros só para me implodir. Amor morou aquí, iluminou minha caverna. Coloriu meu castelo só para ver-me ruir. Amor, bendito Amor. Fez de um mísero mosquito, Um magnífico Condor. Só para vê-lo abatido Por seus falsos amigos, aliados benditos do Amor.
13) AMOR ESPIRITUAL (28/09/1984)
Meus olhos vêem Meus ouvidos ouvem Todo meu corpo sente Minha mente espera Meu coração se desespera O amor está ausente O tempo passa e se estende Meu coração não entende Porque o amor está distante O amor está errante Está morto agora Sabe disso a mente Mas o coração doente De tristeza chora E espera um amor ardente Ao romper da aurora Do meu corpo ausente Minh'alma te namora.
14) AMOR MALDITO (08/02/1988)
Amor esteve aqui, amenizou minhas ânsias. Ressuscitou minhas esperanças só para me iludir. Amor almoçou aqui, matou minhas fomes. Limpou minhas fontes só para me diluir. Amor dormiu aqui, orientou meus sonhos. Exorcizou meus monstros só para me implodir. Amor morou aqui, iluminou minha caverna. Coloriu meu castelo só para ver-me ruir. Amor, maldito Amor. Fez de um mísero mosquito um magnífico Condor. Só para ver-me abatido
pelo tirocínio de meus inimigos, aliados malditos do Amor.
15) AMOR PRÓPRIO
Se faço jejum até virar meio salário mínimo, é por Amor... Se engulo água até parecer um Marajá, é por Amor... Se me injeto sangue aidético para ser amanhã Ulisses Guimarães, é por Amor... É por Amor, sim. Não duvidem de mim. Me amo tanto, tanto, tanto, que sou capaz de escrever-me apaixonado epitáfio... E enterrar-me vivo .
16) AMOR, NAU FRÁGIL
Meu coração naufraga por estes verdes mares e por todos os lugares por onde passa sua verde água, procura um louco coração náutico por esta líquida estrada que sempre me levará a nada. 17) AMOR, VIDA, PAZ, SIM (18/10/1984)
A queçamo-nos no mesmo calor. M isturemos tudo o que é cor. O sculemo-nos com Amor. R eunamo-nos seja aonde for. V alorizemos a Vida.
I nventemos um novo ponto de partida. D escontemos a paixão reprimida. A memo-nos, é tempo ainda. P ratiquemos a Paz.
A ssim deixaremos o ódio para trás. Z arpemos do mesmo cais. S e nós nos dissermos sempre sim.
I niciar-se-á assim M ais uma era pra você e pra mim.
18) ANA MARIA MARIANA (11/12/1985)
Ana Maria adentro seu quarto como um exaustor o faria. Caminha para o quadrado espelho fixo no frontispício de seu armário perolado para dar início ao vespertino ritual virtual e fictício. Ana Maria despe-se com vagar total, deleitando-se com cada parte nua de seu corpo escultural. Já desnuda flutua até o vestido de sua noiva comprado hoje mesmo, na Lua. Coloca primeiro a coifa e sobre esta o véu. Grita a campânula louca. Nossa amiga, do signo de Lua, veste-se com a blusa dourada, doce e difusa, para deixar-se confusa sem saber se é bruxa ou se é musa. A campânula outra vez grita. Ana Maria se assusta e se vai, mas seu reflexo fica. Mariana do espelho sai e ao som de castanholas dança e se descontrai. Súbito se descontrola livra-se de seu vestido e o queima com cola. Mariana derrama seu riso incontido. A maçaneta da porta gira. Mariana retorna ao seu mundo refletido. Ana Maria se atira na direção do refletor. Nele se mira. É imenso seu tremor. Fora do espelho está vestida, mas dentro dele não. Que horror ! Se julga ensandecida. Porém uma idéia lhe vem. Sai do quarto e pensa em sua in-vestida. Mariana sai do Além. De volta ao quarto recupera como convém ao seu proceder petardo de sua conjugação, seu cálido vestido alado. Mariana re-volta à sua reflexão. Ana Maria nua ressurge disposta à contra(a)ção. Elle devient rouge ao se dar conta de que sua imagem re-vestida surge. Isto já é uma afronta aos seus brios vestais. Irada se encontra. Clama por seus direitos esponsais, conclama aos Reais Juízes, para livrarem-na do Destino Falaz. Pouco a pouco esmaecem as matizes, de Ana Maria a fúria fugaz esvaem-se as matrizes. Tendo ficado a crise pra trás, Ana Maria sorri , estende para o espelho, a mão que Mariana leva já para o país da maravilhas, que há dentro do refletor e enxerga a Estrela-Guia, cega de tanto esperar por este fantástico dia, o seu dia de se Conjugar.
19) ANJO-POMBO (20/07/1989)
Um pombo Sobrevoou meu sonho. Fez-me ver Ovos ocos, Monstros sem ossos E seres outros, Podres de tão brancos. Um anjo Pousou em meu sonho. Fez-me conhecer Tempos flácidos, Povos ácidos E olhos cegos de tão sábios. Anjo-pombo, Nasci em pleno vôo. E fiz-me descobrir. Viver é ótimo Se somos soltos, Se somos loucos.
20) ANOITEÇA E ACONTEÇA (29/08/1986)
Não vá agora. Espera que anoiteça. Que o impossível aconteça. E então espalha, com teu espelho maldito o nosso rito macabro. Não vá agora. Ou me irrito. Te persigo. Te perjuro. Te perfuro. Te mato.
Publié le 21/05/2008 à 11:25:39 AM
Par Mauro Valente
1) AOS QUE FICAM 1988
Aos que ficam Deixo meu talismã sagrado Meu gato preto Com luar na testa Meu gato preto Vira borboleta argêntea llumina as mentes Meu gato preto Vira colibri Dá leveza à vida Meu gato preto Vira esmeralda Inspira cantos etéreos Meu gato preto Meu talismã único Deixo como prova Do meu amor ao mundo.
2) APOLO E O CENTAURO 11/11/1991
Apolo, tua Lira é tão clara... Cegaste meus olhos para ser eu o teu Centauro. Centauro, a pororoca dos meus cascos sobre o solo é o som das castanholas do teu sangue ! Neste Inferno de nossos Versos, as Rimas são as Cafetinas da Língua !
3) ARADOS ALADOS 14/06/1990
O arado será árduo. O corpo será árido. O trabalho será máximo. Os frutos serão vários. Mas se o grão é fogo-fátuo, nada valem os campos vastos. Os frutos serão vários, mas não haverá aves, apenas sapos. O arado será astro. O corpo será casto. Não haverá aves, apenas sapos. Mas nos campos vastos haverá lagos. E se os sapos forem girinos, não haverá aves, mas haverá lírios.
4) ARQUEOLOGIA QUÍMICA 28/10/1988
Homem em Grego É Antropos Antro de pós Ou seja, A menor partícula divisível Da matéria Vulgarmente conhecida Como maconha.
5) AS ... ANDAM SEMPRE AOS PARES
O espelho parece um contínuo. Porém, ao tocar-se nele, ele vibra. Então percebe-se suas cordas cristalinas, seu som perfeito. Anti-negra argentina, em tempos de nulilúnio, envolvia com seus cabelos incandescentes o mundo. A Poesia menstruada pode ser perniciosa. Inútil cultivar versos fadados a falecer. “Brandir a lança em prol do estilo”, transforma-se em suicídio. A lança escapa ao controle. Se lança contra o artista. E pensar que tudo o que eu sou cabe dentro desta caixinha de poesia.
6) ASCENSÃO (29/01/1987)
Meus pés empunham o sagrado gládio pelo gladiolo. Cachoeiras nascem das palmas de minhas mãos, escorrem entre meus dedos fecundam o chão. Meus olhos formam o calendário maia, marcando o ritmo do rito realizado em conjunto em seu templo no alto do Himalaia. Meu terceiro olho é o Tao, nele me encolho enquanto escolho o fatal Gavião Astral. Acima de minha cabeça sete Pirâmides cristalinas giram. Minhas asas me alçam em direção ao trono de Deus. Onde me sento, pois o Dono está ausente atrapalhando os humanos destinos.
7) ASSIM SOMOS NÓS (29/12/1984)
Assim é a vida. Assim somos nós. Mistura de sonho e realidade. Mentira e verdade eternamente juntas em nossa mente, em nosso coração. Assim é a morte. Assim somos nós. Fracos e fortes. Somos vítima e algoz. Dos rios do dia e da noite, somos fonte e foz.
8) ATAQUE E DEFESA (19/01/1987)
Nas lagoas de éter dos teus olhos, cabem sete abismos. Torpes gatos pretos mergulham sete metros atrás dos peixes de luz, com escamas azuis dos teus olhos abissais. Os gatos se entrelaçam, numa complexa trama, formam uma negra esfera. Romanas rãs roxas esguicham veneno rosa no teu olhar, para vedá-lo. ao alvo brilho lunar. Triplo filtro inverte o efeito. O maligno líquido converte-se em limo límpido e alimenta os peixes.
9) ATENAS E EU (27/12/1984)
Um som metálico ouço distante Não sei quem ou o que o produz Só sei que neste instante Ele me fascina e me seduz Agora a vejo, deslumbrante Envolta numa aura de luz A reconheço, é a deusa Atenas Aquela que antes vi em sonho apenas Ela coberta está de brancas vestes Está muito mais provocadora -Vós, que de tão longe viestes Gostaríeis de ser minha senhora? Mas, se recusardes, deusa celeste Por favor, não ide embora Sejai então a minha guia A luz da minha noite, a luz do meu dia -Meu suplicante, a teus desejos Não posso oferecer minha recusa Eu, com meus lampejos Serei muito mais que tua musa Hei de, com meus beijos Inebriar-te até à loucura Serei teu veneno, serei tua cicuta Serei tua vida, a luz que te guia para a luta -Minha deusa, que alegria extasiante Te juro, não ides vos arrepender -Acredito, mas doravante, Me chama não de deusa, mas de mulher -A vida inteira esperei este instante -Não espere mais, faça comigo o que quiser -Atenas, de tanto vos olhar Nem sei por onde começar -Dar-te-ei, então, uma ajuda Atenas, delicadamente Seus alvos seios desnuda E me diz: - Vá em frente Eu, com fúria muda Os beijo loucamente E ela, também tomada de loucura Pega e acaria-me a carne dura Feroz , desnudo-a inteira Surge ante meu olhos um corpo luzente Ela me mostra a sua traseira Alucinado, penetro meu membro quente Nas chamas daquele abobadada fogueira Atenas, mulher experiente Rebola lascivamente suas cadeiras E nós, em crescente ardor Chegamos juntos ao êxtase do amor Mas não me dou por satisfeito Viro-a de frente, abro-lhe as pernas E vislumbro o paraíso perfeito Lânguido vou penetrando naquela caverna Enquanto beijo seus divinos seios -Atenas, mulher de coxas-termas -Meu amante, teu pássaro de brasa Encontrou finalmente a sua casa Após muitas horas de paixão louca Nas quais eu, em supremo deleite Não a penetrei vezes poucas E ela tantas vezes deu-me seu leite Gemendo com voz rouca Nos unimos num único feixe E voamos para a nossa morada bendita Onde nascerá mais um ser hermafrodita
10) AURORA INFERNAL
Aurora, o sol desponta no inferno. Agora, teu beijo tem sabor eterno. Lá fora, o tempo passa e não sinto. E flutuo no infinito. Aurora, teu beijo desponta no inferno. Agora, o sol tem sabor eterno. Lá fora, flutuo e não sinto. E tempo passa no infinito. Aurora, desponto no inferno. Agora, o tempo tem sabor eterno. Lá fora, teu beijo aflora como absinto. E o sol flutua no infinito. Aurora, o sol desponta e é absinto. Agora, teu beijo tem o sabor de como eu me sinto. Lá fora, o tempo passa a ser inferno. E flutuo no teu abismo. Aurora, o sol desperta meu inferno. Agora, o tempo tenta parar e eu evito. Mandrágora, flutuo ao sabor de infinito do teu beijo, ávido labirinto.
11) AUTO-DEFINIÇÃO 06/04/1988
Quem se assemelha A uma estrela De luz Cambiante e obscura Pode definir Um brilho fixo?
12) ÁVIDO ACALANTO (17/11/1990)
Ouves meu cálido acalanto. Teus espinhos abrem-se em estrelas, oferecem-me seus poemas. Meu acalanto, ávido de pedras, percorre os poemas, adormece tua orquestra, seqüestra tuas rimas. Meu acalanto, ávido de espaço, pavimenta tuas dores com as rimas dos teus espinhos. Meu cálido acalanto seduz as estrelas de uma criança, para saciar sua sede de inocência. Meu pálido acalanto, ávido de sangue, adormece a criança em suas estrelas e as fecha em espinhos.
13) BAILARINA ( Autores: (1) Denise (2) Mauro (3) Lúcia )
Queria ser agora (1) uma bailarina, (1) dançando nas eternidades (2) das almas do mundo. (2) Varrer a névoa (3) dos olhares solitários. (3) Coroar os espaços (1) de diamantes tinindo. (1) Os espaços são átomos (2) sem cor e sem brilho. (2) Ultrapassam as dimensões (3) do eu faminto (3) e atingem de leve (1) os corações partidos. (1) Queria ser agora (2) uma borboleta. (2) Voar solta entre violetas.(3) Dissolver apegos (1) nas flores despedaçadas. (1) Ressuscitar as ruínas (2) das almas desprezadas .(2) As almas desprezadas (3) são como anjos adormecidos (3) em esferas de vidro (1) nos Alpes Suíços. (1) 14) BAIXELA DE PÉROLA
No centro de pérola da baixela,
arde a negra chama de uma vela. Ao redor, dúzias de sentinelas. Na outra sala, um cavalo com asas de borboleta. No dorso um homem sem cabeça, com chifres de prata. Um nó une os dois aposentos, atado pelo gigante Argênteo, encarnado na Sacerdotisa egípcia. O manto da Deusa exala nuvens de incenso, afastando os espíritos infensos que rodeiam sedentos a seiva da cerimônia, para enchê-la da acrimônia que putrifica a alma. Um dos quatro humores que moram nas veias principais das Selenitas Maiorais.
15) BAIXO RETRATO (09/04/2003)
Quando digo homem, digo o mendigo que nas trevas, da selva de pedra, fez seu lar. Quando fito o infinito, fito aflito o Paraíso que pra Imbecília, esta bela ilha, jamais vai querer voltar. Só como pedra. Quero aprender a me virar sozinho. Quando me viro pelo avesso, me disfarço em esfera feita de espinhos. Afasto todas as feras do meu caminho. Só cheiro poluição, poeira de pessoas com dinheiro nas veias. Quando sinto o selvagem aroma da polícia se aproximar, faço meu feitiço. Viro incenso de camomila. Acalmo suas fardas, desarmo suas almas. Quando ela se afasta, vai pro bar festejar a vida... Eu, que não tenho tempo a perder, pego as armas dela e vou assaltar para salvar a minha vida. Quando ouço um pranto, já não me espanto. é só mais um louco, uma pobre alma que de nada sabe. Vive no Sistema Assolar. O sol gigante desta gritante cidade seca a humanidade de todo olhar.
16) BATE AQUELA ÂNSIA A Cazuza
Pode seguir tua utopia,
tua esperança de ensinar. Fantasia e sonho de um mundo melhor. Teu futuro é desastroso. Não vejo grana, só vejo dor. O contracheque é palmatória, castigo por ser sonhador. Quem persegue um sonho não se cansa. Por favor, caro professor, me avise antes de ir embora. Quem persegue um sonho sempre dança. Por favor, caro professor, fique comigo, quando desistir de seu sonho impossível. 17) BEBI TEU DOCE ESPERMA
Bebi teu doce esperma
Em doze taças de cristal Dissolveu-se a amarga pedra Que habitava o meu quintal A pedra era uma nódoa A nódoa era ilusória Só depois eu descobri Quem vive à margem da História Deve aprender por si Bebi tuas mágicas lágrimas Em doze taças de prata Minh’alma foi lavada Expurgada de toda mácula Lágrimas vegetais Esperma carnal Nunca mais Noturno mal
18) DEUS DA LEVEZA
Beija-Flor A areia da ampulheta Não cai sobre ti Não tens o peso dos séculos. Beija-Flor Nem o Sol, nem a Lua Brilham em ti Não tens o peso dos sexos. Beija-Flor Tuas asas ágeis São hábeis Na levitação
19) BOCA DO INFERNO (24/05/1989) (SONETO COM APÊNDICE) A Gregório de Matos Guerra
Teu divino dedo ferino
desabrocha consciências onde toca. Tua divina lira fescenina arregala, desperta, acorda. Olho aberto às falcatruas
dos infames governantes baianos. À menor injúria tua, fogem os pilares dos desmandos. Quisera eu ter a tua lira,
o teu engenho, a tua arte, para infindos Demônios Críticos cantando semear por toda a parte.
Como tu, Gregório, sou Brasileiro. Digno sou de continuar tua Obra. Te rogo, ser sublime, faça-me herdeiro
da tua musa Praguejadora.
20) BOMBA DE NEOLOGISMOS (03/07/1987)
Vou fazer
uma bomba de neologismos com morfemas subversivos.
21) BORBOLETA BAILARINA
Queria amar agora como bailarina. Iluminar os abismos das almas aflitas. Varrer a névoa dos olhos solitários. Coroar os espaços com diamantes florindo. Os espaços são átomos sem cor e sem brilho. Vivem de esperar os raios da Poesia. Queria amar agora como borboleta. Voar livre entre cometas. Dissolver apegos nas almas desprezadas. As almas desprezadas são como anjos dormindo em esferas de vidro nas Nebulosas do Espírito.
22) BRASÍLHA
Cidade de concreto. Homens de abstrato. Planos práticos para causar impacto. Deus deveria enviar este dilúvio para Brasília. E enviá-la, através dele, para o exílio. Brasília deveria virar ilha, arca de Não-é, para nos livrar do Palácio dos Palhaços, dos Áureos Dinossauros, que exaurem o sol da Pátria. Antes que o Gigante adormecido pire e desapareça no abismo, sem sombra de arco-íris.
Publié le 21/05/2008 à 12:56:52 PM
Par Mauro Valente
1) CHANSONGE (21-12-1987)
Il va grandir, devenir monstre, au milieu des arbres blancs, quatre arbres blancs de mon songe. Il va grossir énormement. Il va manger mes éléphants. Le monstre fou de ma chanson. Il va deviner mes mensonges. Il va aimer le silence assez loin de mon songe. Il va sortir de ma maison. Il va choisir son avenir sans la folie de ma chanson. Il va tuer mon paysage. Il va fuir des mes yeux. Enchanté par ses dieux, il va créer sa chansonge.
2) DIX ANS
Nous nous sommes aimés pendant dix ans. Dix ans égaux à l’éternité. Éternité faite d’échecs. Échecs qui ont détruit la vanité. Vanité, obstacle à notres plans. Plan d’une parfaite bonheur. Bonheur de nous être aimés pendant dix ans.
3) FÉES BLEUSSÉES (23-08-1985)
Les Fantaisies sont comme les jours. Si claires.. si blées... Et brillent encore pendant les nuits avec sa lumiére. Rutilant m’illuminent dans une cour de passion, mais s’évanouissent et déchoient, quand arrive la Raison. Les Fantasies sont ailées comme les fées de la chanson. Elles volent dans les songes et dans les coeurs. Elles me placent dans un croissant haut astral, mais se déchirent en rencontrant le terrible, tranchante, realité.
4) L’EMPEREUR (26/06/2001)
Seulement moi ordonne, desordonne et commande ce monde. Ce qui peut commande, ce qui pense obeit ou change son adresse vers une autre planète. Mon pouvoir est divin, ma parole c’est la loi. Je suis L’Empereur de tout l’Univers. Je suis le Ciel. L’Air je suis. Sur l’heure que je désire, je bats à bras raccourcis et l’Univers rien va devenir. 5) L’ÉREMITE (26/06/2001)
La hâte c’est la pire énémie de la perfection. Si on pense que brûler les étapes est la solution, on se trompe avec sa propre prétention. Mais, si on imite, égal à moi, l’Éremite et on se limite à ascendre chaque échelon à son tour dans la Vie, le destin est devenir Champion. La patience est la meilleure amie de la perféction.
6) L’ESSENCE DU TARO (26/06/2001)
Veux-toi être la Lune ? La voile de la Caravelle des Arcanes ? Veux-toi être la Force ? La vague que la met en branle, qu’amène la Caravelle à naviguer à travers des Univers parallèles ? Veux-toi être l’Étoile ? Son Ange Gardien ? Remplir d’énergie son Destin avec la cosmique médécine ? Veux-toi être le Soleil ? Son phare oriental ? L’orienter en travers de l’Internet de l’Inconscient ? Veux-toi être le Monde ? Principe et final de l’aventure original de la Caravelle des Arcanes ? Tu as besoin, de t’harmoniser toujours avec l’Essence du Taro. Pour faire celà, tu n’as pas besoin d’être Prêtre, ni Prêtresse. Tu as besoin, simplement, d’avoir la patience de l’Ermitain pour, tous les jours, prendre en main mettre les cartes et ton âme sur la table.
7) L’ÉTOILE (26/06/2001)
Ne te broie pas du noir, malgré toutes les têmpetes que bouleversent ta pensée. Tout de même elle semble cachée et éteinte, L’Espoir est une Étoile immense Ne te décourage pas, ne te rends pas. Tends les rayons de cette étoile et voît: Voît comment les nuages disparaient si vite plus épaisses et sinistres qu’elles te semblent. Dans la vie, parfois, dans une caverne on se voit, si étrange et si noire, qu’il semble n’avoir fin, n’avoir sortie. Malgré tout, jamais t’oublie que à la fin de tous les tunnels existe une Lumière, existe un Éspoire, une Étoile.
8) L’IMPÉRATRICE (26/06/2001)
La Mère : - La Mère est toujours auprès. Ange gardian toujours alerte. Dans le monde de songes qu’habite dans les yeux de la mére, le fils est toujours petit tigre sans griffes, petit oiseau sans ailes, semence sans racine. Et elle Terre, vêtement et aliment. Tout au même temps et heureuse tout le temps . Le Fils :
- Mais le monde réel, où habite le fils, comme bête le regarde. Lui oblige à gratter sa protectrice pour liberter ses ailes, ses épines et ses griffes . La mère protège trop. La Mère étouffe. La Mère devrait laisser son Fils en paix. La Mère :
- La Mère est l’Ange de la Paix. La Mère est toujours certaine. La Mère est cent pour cent. La Mère est toujours au centre. La Mère tient toujours la houllete. La Mère est éternelle Reine, Impératrice éternelle. Soît à l’ancienne Grèce, soît au Brésil moderne. La Mère est toujours la Mère, change seulement d’adresse. Le Fils :
- Quel dommage, quel malheur. Le Fils a par-dessus la tête de la couronne de la Mère, et pourtant, ça ne change rien. Ça ne va changer jamais. La Mère est toujours la mère, change seulement son adresse.
9) LA FORCE (26/06/2001)
La Violence devient vice quand on dispense la pensée. Seulement avec inteligence vainc le Champion. S’il vainc avec égoïsme et violence. Si son trophée est la ruine de l’adversaire. S’il pense que la drogue dans la pensée est synonime de la forte personalité. Il ajoute foi à sa victoire. Et pourtant le vainquer, le rodomont, pert l’avis, pert la raison. La véritable Force vient de l’Union.
10) LA JUSTICE (26/06/2001)
Je detèste mes « amis » que me disent que je suis aveugle parce que je ne me regarde pas, malgré avoir toit en verre. Mon toit est brillant, c’est un diamant égal à ma pensée. À cause de cela je vis pacifiquement avec ma conscience. À cause de cela, je peut fair ce qui me conviens. Jetter pierres au toit en verre de ce qui ne vit pas à coup sûr. Fait ce que je dit. Fait ce que je fait. Vis à coup sûr. Ou je te chasse et je fait la magie. bel et bien, agir sur le Magicien. Ouvre bien ses yeux, mon copain. Je suis aveugle, mais mon troisième oeil est ma mire parfaite. Je suis tranchante. Ce n’est pour rien que je m’appelle la Justice.
11) LUNE MUSE
La fine Lune c’est un film: “La Genèse de la Jeunesse. “ La Princesse danse dans moi. Glisse dans les miroirs de la mémoire. Efface la fausse face du passé. Ferme les enfers pour faire sourrire les fleurs.
12) LE DIABLE (26/06/2001)
Suivent la ligne de ma pensée en travers de ce labyrinthe. C’est possible voir, aux pires pechés, nos meilleurs amis. La luxure revive dans une relation la flamme de la passion. La vanité élève notre amour-propre. L’egoïsme nous défend de notres faux amis. La paresse est nécessaire pour récharger notres énergies. L’envie, quand c’est bonne, reconnaît la valeur des autres personnes. La gourmandise, dans une fête, nous remplit de plaisir. La colère nous rends energétique et bien conduite élimine l’inertie, libère de la rotine et nous amène à vaincre. Tout dans la vie est relatif... On peint le Diable comme le pire énémi, le grand mal, le pére de tous les pechés. C’est possible voir, aux pires pechés, nos meilleurs amis. On n’a pas besoin de prendre son courage à deux mains pour voir le Diable. C’est pour celà qui parle la sagesse populaire brésilienne : Parfois le bien du mal nous vient. Et « Le Diable n’est pas si laid comme on le peint. » 13) LE FOU (26/06/2001)
Tu enseignes à moi que vouloir c’est pouvoir. Et si tout nous voulons tout nous perdons. Tu enseignes à moi que rire c’est toujours le mieux pour guérir. Et si on rit beaucoup on devient fou. Tu enseignes à moi qu’on ne doit pas faire mal à personne. Et parfois le bien du mal nous vient. Tu enseignes à moi qu’on doit penser, avant d’agir, deux fois. Et pour assez penser il y a un âne toujours à faner. Vivre j’ai déjà appris, je ne peux pas nier, par tes sages leçons. Et fou j’ai déjà devenu, j’ai été fou à lier, par tes contradictions. Aujourd’hui le professeur c’est moi. Aujoud’hui l’élève c’est toi. La leçon est bien simple, tout va vite l’apprendre. Ce n’est que le résumé de tout ce qui tu m’a renseigné: De sage et de fou un peu avons nous tous.
14) LE JUGEMENT (26/06/2001)
La Vérité est guerrière. Son bouclier et son épée son le paire parfait. De miroirs sont faits. Du monstre de la Mensonge arrachent les masques et les jambes cassent. Les mensongers jamais vont trop loin. Grâces à la Vérité les jambes de la Mensonge sont courtes. Les sincères jamais se désespèrent. Au climat du crime, la Mensonge croît. Et pourtant, au moment juste du Jugement, toujours apparaît la Vérité.
15) LE MAGICIEN (26/06/2001)
Je suis le Poéte-Magicien. Ma peau est bleue parce que trop je songe. Parmi les étoiles je marche, mes ailes les réflèchent et je suis aux anges. Meus erreurs sont comètes, sont chansons, sont leçons. Souviennent-moi: Je suis plus que Poète, je suis moins qu’Étoile, je suis seulement un être humain. Mon songe ne peut pas tout seul marcher, le songe voisin il ne peut pas mépriser. Les songes doivent marchent ensemble, alliés ailés pour créer le Monde idéal. C’est ainsi que je deviens un vrai Magicien. Cést ainsi que songer c’est vivre. C’est ainsi que vouloir c’est pouvoir.
16) LE MONDE (26/06/2001)
Pert le ritme, dérange la ligne de sa Destinée . Cherche midi à quatorze heures, pointe ses poinçons avec sa parfaite mire vers l’abîme . Joue le rôle de paillasse, fait la navette, si essaie marcher un seul pas plus grand que ses jambes . Quiconque pense que ses jambes sont assez grandes pour realiser le miracle d’embrasser le monde.
17) LE PENDU (26/06/2001)
Il y a beaucoup de personnes qui attachent une courde au cou comme colier avec medaille de Héros. Il y a beaucoup de personnes qui croient être saintes, dont la gloire est gaspier ses heures et ses dos à amener les croix que volent d’autres histoires. Il y a beaucoup de personnes qui on leur marotte, que pense que la route vers le ciel seul peut être parcourue par ce qui devient bossu à force de charger le monde sur le dos.
18) LE PÈRE DU PEUPLE
Brésil: histoire de mensonges. Histoire de mes songes. Songes de pouvoir. Pouvoir de tout avoir. Je suis le grand dictateur. L’histoire que j’écris, c’est une histoire sans douleurs, c’est une histoire de démocracie. Je règne ici et ailleurs. Je sais, mon esclave chéri, que tu a déja observé que je suis un bon pére, que j’aime le peuple et qu’il toujours me remercie.
19) LE SOLEIL (26/06/2001)
Toutes les nuits, à cause de mon ordre, je vois le Soleil naître souple dans mon blanc retangle de papier. N’existe point, dans le Monde de la Poésie, Roi qui possède plus grand trésor, qui soit plus cousu d’or. Le Soleil, tous les jours, fait sa révolution. Croît, apparaît, devient étincellante hyperbole flamboyante, fuit à vol d’oiseau de mon pouvoir enorme, et me fait défaut . Je joue de malheur. N’existe point, dans le Monde de la Poésie, un frère, un mot ami, un euphémisme pour me consoler. Le Soleil est seulement mon meilleur poème. Le Soleil est seulement ma méthaphore plus brillant, le meilleur miroir de mon âme. Personne ne me persuade pas à mettre les pouces. De que le Soleil est réel. De que, ce qui pense le Soleil posseder est fou à lier. De que le Soleil, tous les jours, naît pour tous.
20) LE SOUVERAIN PONTIFICE (26/06/2001)
Je suis le Souverain Pontifice. Dieu, je vous vois venir. Seulement moi oriente, seulement moi enseigne chaque personne à découvrir son chemin à travers du labyrinthe sinistre, des tortueuses lignes parmi lesquelles, Dieu, vous écrivez le Destin certain pour illuminer chaque esprit.
21) LA POESIE C'EST LA VIE
Le vers que je n’ai pas écrit, c’est écrit par soi-même . Il m’a dit que je doit vivre au dehors de mon temps et de ses dilémes.
Ce vers je n’ai pas écrit, je n’avais pas le savoir necessaire. Sans mois viens à la lumière, la plus belle fleur de mon texte.
Le fils que je n’ai pas créé, il a naît pendant la nuit. Il a naît lunaire, sans s’annoncer. Le plus que parfait a naît ainsi.
Le vers que je n’ai pas écrit, m’a écrit par soi-même. Et il tout seul m’a fait existir. Et il tout seul m’a fait éternel.
22) PEUR D'AIMER 04/08/1986
J'ai besoin de courage pour dire que je t'aime.
La lune est prise d'un étrange casse tête de nuages.
Et je suis pris dans un embouteillage d'émotions.
Mon coeur connaît par coeur lhe chemins du peur.
Il y a des étoiles dans ton visage. Et chaque étage c'est un page de la cage de Pandora.
Il faut que je puisse te dire que je t'aime. Mais c'est impossible.
Je suis sensible. E c'est terrible l'orage dans ma ment, mon absence de courage.
23) SPRITE JALOUX
Je ne peut pas aller a une folie-à-deux. Je ne peut plus aimer une autre personne. Ni femme, ni homme. Poursuit mon âme un jaloux fantôme.
Publié le 21/05/2008 à 12:59:07 PM
Par Mauro Valente
1) BRILHO, LOGO EXISTO 12/07/1989
O Sol, um Pavão O Céu, um Árco-Íris A Cauda do Pavão Olhos cintilam Vejo-o em mim Gira e brilha Em sete Cores Giro e brilho E existo assim
2) BRISAS INTRUSAS (30/12/1987)
São intrusas. São brisas noturnas. São as aladas aliadas da Insônia. São invasões. São invisíveis visões. São as versões vernáculas dos Íncubos. São inversões. São éteres que enterram. São terras que eternizam. São diabos que elevam. São anjos que infernizam. São incômodas. São inocentes nocivas. São os venenos venéreos dos conventos. 3) BUGRE (06/08/1999)
Bugre ? Você não vai alugar nenhum ? Então você não vai a lugar nenhum. 4) CÁLICE GRAÁLICO (18/06/1989)
Este é um poema-cálice,
para se derramar nele toda a polpa cálida das lágrimas, sumo dos olhos. Este é um poema-lápide, para se escrever nele todo o alucinado álibi dos assassinos, sumo do ópio. Este é um poema-índice, para se indicar nele todo o outro poema a ser escrito, sumo da Magia. 5) CAMINHO SOZINHO 01/08/2001
Vejo em mim um caminho,
caminhando sozinho nesta seca sem fim. Sinto as rugas desta estrada. Sou a árvore rasgada neste céu de carmim. A semente é meu problema. A solidão é meu lema. O sol é meu dilema. A saudade é meu cinema. Eu te rogo, ó Poema, nesta chuva ausente dissolva meus temas. 6) CANTIGA DAS AMIGAS 07/01/1988
Canto-as sem descanso Cansaço não me vence E quanto mais as canto Mais meu canto se engrandece Filtro litros de lírios Líquidos lírios silvestres Com brandos mantos líricos Minhas amigas se vestem Canto-as sem escândalo Escândalo não me apraz Quando as canto Afasto o pântano O negro pântano da Iara Lhes dou lindos livros Não livros ímpios Somente livros límpidos São dignos de ser lidos Por minhas lívidas amigas Canto-as sem sons Sons são sonsos Sons são insossos Ne servent pas de mots Pour chanter mes amies Comme il faut 7) CAOS CONCRETO (06/08/1999)
Transito na esfera do caótico.
É lógico que o caos é concreto. É a base do meu pensamento. 8) CAPRICHOSO (18/07/1988)
Teu coração, não sei por quê, chora de rir quando me vê. E os teus olhos ficam sorrindo. E pelas ruas vão me seguindo. Mas mesmo assim, fujo de ti. Ah ! Seu eu não escondesse como eu sou tão engraçado, até mais que o Grande Otelo, e como é sincero o meu humor, eu sei que eu não fugiria mais de ti. Vou, vou, vou, vou ,vou, voooooouuuuuu.... Vou te enlouquecer com as gafes minhas, a toda hora do dia. Vou conquistar teu coração com a força da diversão. E nós assim, então, Seremos felizes, bem felizes. Nosso coraçãããããoooooo......
9) CARA MUSA
Se acaso me quiseres, amo-te somente quando eu quiser. Sou mulher da vida, meu sonho é ser Vampira. O Dinheiro é minha Lei. Se me amares e se bem me pagares, levarei-te ao Inferno. Se acaso procuras tua Musa Infernal, inspiro-te Versos poderosos. Mas aviso-te, cobro adiantado pelo direito autoral. Eu não nego fogo, nem fama. Com boa grana, cumpro o meu papel. Meu Destino é o Inferno. O Inferno é a minha cama . Sou Diaba de Aluguel.
10) CARPE DIEM
Os corpos cumprem o carpe diem. Corpos livres levitam, excitam lentes e olhos. As lentes aumentam o calor dos corpos. As fotos crepitam ao crepúsculo, sem escrúpulo. Corpos ágeis, frágeis, óbvios. Dança sensual, mandala, ópio. Caleidoscópio de Corpos.
11) CARRO (30/05/2000)
Por uma modesta campina caminha solitário um rapaz em seu Carro de boi. Aonde o Carro vai, o boi vai atrás, a guiá-lo com seus conselhos sábios sobre os meios práticos para o rapaz ser capaz de pular os obstáculos diários de sua Vida e E...e....e... Ih...... Se a Vida desse rapaz fosse baseada em fatos reais, vocês acham que seu Carro ele iria por na frente de bois ? É claro que não. O nome desse rapaz ? Não sei com certeza. Só sei que pensa com clareza. E seu nome, é claro, não é Otário.
12) CASAMENTO COM CIMENTO (29/01/1985)
Casamento é coisa de momento. O nosso precisa de cimento pra ganhar um aumento. De emoção e sentimento
é feito nosso relacionamento. Nosso envolvimento é um grande acontecimento. Devemos morar em apartamento.
Este é um mero apertamento. Iremos para Sacramento. Lá não há aborrecimento.
Lá estaremos longe do movimento. E nos uniremos eternamente com cimento. 13) CASCATAS DE LUZ
Cascatas de luz.
Pedaços de sonho que se liquefazem sob olhar atento do deus Febo Apolo. Ao tocar a face da bendita Terra, viram cambalhotas em mil direções. Tecem a poesia que reveste a rocha com o irisado véu de que é feito o vaso de onde se extrai, do suco da vida, Poção de Tupã.
14) CASO POR ACASO (16/02/1986)
Foi numa esquina, num bar Que a tua sina Encontrou a minha Eu não deveria ali estar Mas numa reunião
Foi do Destino a mão que assim quis E ela foi escolher Justamente você
Para essa coincidência feliz Nosso caso por causa do Acaso fluiu E seu fim
Também foi assim Em nossas vidas não influiu 15) CASSANDRA (06/01/1987)
Meu olhar o futuro obscuro devassa. Só para mim abrem-se as cortinas que ocultam as humanas sinas. Só ele vê o que por lá se passa. Mas de que valem as profecias,
se não acho ao meu lado ouvido que ouça meus avisos aflitos, sem achar que são meras hipocrisias ? Apolo, perdoa a tua Cassandra !
Retira a maldição nefanda que colocaste sobre mim ! Faça com que isso aconteça,
que eu te amo como uma deusa e ergo para ti um templo de marfim !
16) CAVALO DE TRÓIA (06/12/1984)
Cavalo de Tróia, presente de grego. Guardo em segredo a razão da vitória. Cavalo sem medo, entrou para a história naquele dia de glória de que nos fala Homero. Cavalo de ferro, Cavalo de sonho, como eu te espero de portões abertos. Cavalo santo, santo de pau oco. Dentro estão, sempre atentos, bravos guerreiros. Cavalo marinho, grávido de poligêmeos. Nascem todos ao cair da noite. Água-corrente, enchente valente. Trai e destrói Tróia. Cavalo de Helena. Helena de Tróia. Tróia da guerra. Guerra da história. História de ferro. Ferro sem medo. Medo grávido. Grávido de sonho. Sonho de vitória. Vitória do presente. Presente de grego. Cavalo de Tróia.
17) CAVALOS DE FOGO (25/08/1990)
Com quantas estrofes escreve-se o galope dos Cavalos de Fogo ? Cada labareda semeia e incendeia toda a lavoura. Brotam estátuas e fogos-fátuos, poemas jamais. Com quantos incêndios compreende-se os Cavalos de Fogo ? Inspiram Impérios, onde só os Zeros são coroados. Acaso amam-se, acaso acasalam-se os Cavalos de Fogo ? Ou são Narcisos ? Nascem da cisão de seus próprios reflexos ?
18) CENTAURO URBANO (11/05/1990) Atropelei um mendigo. Os outros, apáticos, sequer piscaram. Passei a marcha-ré e voltei ao passado. Meu pai, morto a facadas, por um mendigo bêbado, ao meio-dia. Minha vítima não morreu, Arranquei-lhe apenas uma perna. Saí a cem por hora, sem me vingar como deveria. Não deveria ter visto aquele buraco no céu. A Ausência de Lua. A noite é indirigível na Metrópole. Meu carro parou, minha vida acabou. Acabou o combustível. Sem mais retratos de meu pai, imagens de um homem feliz, não posso me vingar. Pára o motor da minha vida não havia mais ódio canonizado nos Alambiques da Lua Sinistra. Na lâmina deste punhal, brilham os olhos do Mendigo Assassino. Ele ri, histérico, pelo corte aberto pelo punhal em meu pescoço. As gotas de sangue revelam fotos de meu pai no azulejo da cozinha. Imagens de um Deus irado.
19) CHIFRES PERFEITOS
Se o meu amor sai e me diz que vai para Tóquio fechar os seus negócios... Eu abro os meus negócios para os seus clientes... Ele, atrás da porta, espera todos irem embora. depois me surpreende... Faz-me virar gueixa. Seduz-me com sedas e odes... mil odes e sedas japonesas... Seu beijo cala-me a boca se eu fico louca para pedir perdão. Esfrega-me na cara mil rimas e jóias raras e eu fico pirada de paixão... Eu sou sua Musa Medusa. Ele é meu Poeta Lúcifer. Seus chifres de diamante são hipérboles brilhantes, são brilhantes símbolos do Bem que eu lhe faço.
20) CHUVA DE SOL
Hoje chove uma chuva diferente. Uma chuva de luz e calor vinda diretamente do Sol. Inunda a cidade como a felicidade. Vai até à praia, onde corpos morenos, nus e serenos esperam suas gotas para se bronzear. Chuva que vira cascata sobre a mata Escorre por entre as árvores. Chuva que lava os corações e faz brilhar emoções. como a seta do Cupido. Que se espalha pelo mundo. Chuva que revela, em todo mundo, sua verdadeira cor.
Publié le 21/05/2008 à 2:27:51 PM
Par Mauro Valente
1) CHUVA ESCALADA 20/12/1987
Farei desta chuva a via perfeita para a minha ascensão. Deixarei o fluxo luminoso colorir meus cabelos com as cores dos cometas. Atrairei raios com minhas mãos, antenas atentas às cósmicas vibrações.
2) CINCO QUESTOES ACERCA DO SOL
O Sol... O que é o Sol? É um nome arde com arte em taças enormes.
O Sol... Quem é o Sol ? É um pássaro seu canto é víbora vibra as pérolas dos astros. O Sol... Como é o Sol? Ë em espiral gira etéreo no teto dos poetas. O Sol... Qual é a cor do Sol ? Verde-vida silva e explode em pó de lira.
O Sol... Por que é o Sol? Porque só o Sol consolida sólidas soluções consola insólitas solidões.
3) CIRANDA DA POESIA
As rimas
desta Poesia Cirandam em teu espírito, como Rosas cristalinas. As Rosas sopram sua brisa, o Amor, Energizam tuas veias... As rosas brilham e irradiam estrelas... Abrem olhos em tua alma de rocha... Convertem a pedra em Harmonia e Amor...
4) CLEÓPATRA (09/12/1985)
Cleópatra eterna, divina, soberana insofismável, beleza sobre-humana, prescinde da vileza para ser da História a Rainha. Assaz excêntrica, mística, deusa.
Exuberantes formas, sedas finas. Já verídicos exegetas diziam quão bem regia os amantes seus. Decantada já era em versos
por todas as línguas da Terra. E sua fama ainda mais cresceu durante seu banquete de casamento,
quando dissolveu dez pérolas e as bebeu com vinho plebeu.
5) CONDE CONDENSADO 27/10/1994
O ex-Conde
se esconde se condensa se condena se contempla se consome e some dentro da foto da Condessa morta. 6) CONSCIÊNCIA
Na rede eu estava.
A luz do Sol machucando a luz da minha garganta. Toda a água evaporando. Chamei minha escrava.
Ela estava escavando o pulso com uma adaga. De gota em gota se formando um poça de sangue
no assoalho da sala. Tal cena me constrange meus olhos arregala
para a ca(u)sa grande do penar da senzala. Sua chaga é retrato
da constante violência, da massacrante eloquência com que a destrato. Mulher negra, pomba branca,
do meu coração arranca a piedade sufocada pela ambição desmesurada, de que sou escravo.
Liberto todos meus vassalos. Mas para eles não basta. Estes animais vingativos
atam-me ao tronco vivo, matam-me com a chibata.
7) CONVITE SEM LIMITE
Se querem amar,
façam o que digo: Mergulhem em meus Poemas, opacos espíritos... Abrir-se-ão suas nuvens em Esmeraldas Vivas... Seus corações de pedra, sementes adormecidas, abrir-se-ão em Estrelas com brilho de Meio-Dia... Arranquem de seus próprios olhos o lodo apodrecido... Verão como se abrem dois Cristalinos Lírios... Quebrem suas algemas... Quebrem seus vícios... Abrir-se-ão suas vidas em Estrelas...Poesias... Se lhes assombra, opacos espíritos, de meus Poemas seu poder de Míssil... Fujam de minhas rimas místicas... Pois o último estágio desta Aventura linda... Preparem-se... Sou nau frágil... Nem eu conheço ainda... 8) CORA DESCORADA (15/07/1986)
Meu nome é Cora.
Espero a toda hora que o Príncipe da Aurora me leve embora desse lugar. Mas o Destino, que é tão mesquinho, não colabora. Aí bate o sono. E eu sonho com meu cavaleiro de esporas. Nós cavalgando pelas pradarias, que nem nas histórias de Fadas. Mas fica só no sonho. Eu estou fadada a apodrecer nesta cidade, que calamidade. Meu coração chora. Rezo tanto a Nossa Senhora, pra ela me livrar da escória e me dar a glória a que tenho direito. Mas ela não me dá ouvidos. É bem feito, quem sabe um dia eu aprendo que, quem nasceu pra metade. nunca chega a um cento. Mas não tem jeito, passo da Santa pra Fada Madrinha e depois pro Mágico, de cuja cartola espero que saia o meu amado. Mas nenhum dois me dá bola. E depois de tanto esforço inútil, volto à vida fútil. Esperando que, um dia, alguém me livre de ficar para a titia.
9) COROAÇÃO 25/01/1988
Nas esfera de éter
Dos teus olhos Cabem sete abismos Fina membrana diamantina Realça ainda mais Teus olhos abissais Entre estrelas marítimas Germina mínima semente Acima sete metros de éter Flutuantes olhos Fazem fotos No foco A Flor de Lótus Com seu Logos Sete Luas depois Nasce a Rainha do Lodo Coroada no Ritual Com a Chama de Cristal Sete séculos Dura o império sem ossos Da Rainha Nas esferas etéreas Dos teus olhos
10) COROA-TE UMA CATEDRAL 08/09/1989
Coroa-te uma Catedral Batalhas com uma Cruz Batizas numa Coroa Rezas ajoelhado Ao pé de uma Espada.
11) DE QUE ADIANTA ? (19/09/1999)
De que adianta ter o Mundo em minhas mãos, se estou inteiro em tuas mãos ? De olhos abertos posso ver o futuro. Qual o valor deste poder, se de olhos fechados podes ler todas as entrelinhas do meu Ser ? Como posso exercer em paz minha monarquia, se tua carícia mais suave dissolve minha coroa ? Faz meu brilhante poderio amar a sinistra anarquia ?
12) DESEJO DE MORTE
Quisera morrer agora estirado sobre a verde relva, entre a água azul e o asfalto negro. Quisera fenecer como tantos, de sarampo, no desamparo. Quisera expirar com minha coluna vertebral em espiral e com o ventríloquo esquerdo de minha decoração calado. Quisera falecer abraçado com a sensualidade (in livro) que carrego desde o berço.
13) DESERTO DA MÉTRICA (27/10/1990)
Lá vai o Leitor em seu trono, duras corcovas de tédio. Atravessando o Deserto da Métrica, saqueado pelos heróicos beduínos. Alexandrinos, vassalos da Lua Parnasiana. Doce alívio... o Leitor avista o Oásis do Verso Livre. Mergulha de cabeça ! Ao levantar-se de sua boca, sedenta de Liberdade, escorre Métrica. Deserto da Métrica, sem sombra de Poesia. Se tivesse asas, seria inseto. Se tivesse armas, seria médico. Se tivesse alças, seria féretro. Se tivesse roupa, seria espião. Se tivesse rosto, seria mendigo. Se tivesse alma, seria burocracia. Se possível fosse, ao Leitor, virar-se-ia pelo avesso, viraria Poesia. Faria o Deserto da Métrica se transformar na Branda Floresta dos Versos Brancos.
14) DESFIEI A LUA CHEIA 03/04/1988
Desfiei a Lua Cheia Roubei algumas Estrelas Fiz minha Lira Da Lua fiz as Cordas Das Estrelas fiz a Forma Na minha Ilha Espalhei a Lira Pela pele do Mar Ao Meio-Dia Mãos delicadíssimas Vieram dedilhar A Lua Cheia Minha Lira foi desfeita Mergulhei minhas Mãos no Mar Escorreram mil Estrelas Os cabelos prateados Dos Cavalos Alados Os olhos líricos Das Nereidas O Canto líquido Das Sereias
15) DESILUSÃO (24/09/1985)
Eu pensei, fui um pensamento tolo o vão, que um mero documento, assinado por uma princesa, pudesse abolir a escravidão. Jamais imaginei ser vital multinacional exploração do ouro de nosso coração, para garantir a soberania da nação.
16) DESINTEGRAÇÃO E REINTEGRAÇÃO (05/02/1986)
Lua Minguante Da noite é a foice Teu beijo picante Seria um coice Se antes não fosse Como a lua Penetrante e cortante Rasgando meus bits Em pedaços pensantes Quebrando o limite Entre meu ego e meu id Divide meu ser E instiga a intriga Entre meus dois Eus Ciclópica briga Os leva à fadiga Assassina sina de fariseu Escrita na face escura Do livro da existência Porém vem a iluminação Da Lua Cheia de ciência Restabelecer a integração Eliminando a presença Do teu beijo picante em mim
17) DESMIOLADA E DESANTENADA (07/12/2000)
Aonde você vai parar, com sua mania de me evitar ? Com seu jeito tolo de flor sem miolo ? Voando sem destino, pelos ventos de outono desse meu país ? Eu vou já acabar com essa sua festa. Minha âncora vou lançar, vou laçar teu caule. Na minha jaula vou te plantar. Quando você vai parar com sua mania de sempre levitar ? Com seu jeito estranho de borboleta sem antena ? Voando em desatino pelas selvas de pedra desse meu país ? Eu vou já acabar com a sua festa. Vou arrancar do meu relógio um ponteiro certeiro e vou prender você, para sempre, na minha coleção de corações.
18) ODE A CHIQUINHA GONZAGA (01/08/2008)
Brava gente, ô abre alas Para o Coral Semeando Hoje é dia de festa Chiquinha Gonzaga Estamos celebrando Brava mestra e maestrina Exemplo a todos Nós, brasileiros Chiquinha Gonzaga Sempre nos ensina A lutar por todos Nossos direitos Na idade e na raça No amor e na arte Poderosa e pioneira Chiquinha Gonzaga abriu tantas alas Durante sua vida Inteira Ô abre alas, pro Coral Semeando Ô abre alas, pro Coral Semeando Façamos festa Vamos todos cantar Chiquinha Gonzaga Vamos celebrar
Publié le 21/05/2008 à 3:00:02 PM
Par Mauro Valente
1) DESTINO DIVINO (14/05/1989)
A Lima Barreto e Fernando Pessoa
Deus quer, o homem sonha, o País nasce.
Deus quis que a Pátria fosse excelsa, Que ao ápice se alçasse. Sagrou-te, e foste estudando a terra. E, cavaleiro estudante, foste escudo Das nuvens, dos índios, de tudo. Mas viste teu Sonho, de repente, Sumir tragado pelo Gigante. Quem te sagrou, fez-te Brasileiro. Da Pátria nos deu sinal em ti. Cumpriu-se o Mal, o sonho se desfez. Senhor, falta cumprir-se o Brasil.
2) DEZ ANOS Nos amamos durante dez anos.
Dez iguais à eternidade. Eternidade feita de desenganos. Desenganos que destruíram a vaidade. Vaidade, obstáculo aos nossos planos. Planos de uma perfeita felicidade. Felicidade de nos amarmos durante dez anos.
3) DEZ POMBOS (14/06/1987)
Dez pombos de ouro em vôo redondo. Adorno de cabeça da Madona. Anjos nos quatro cantos, em tom de encanto, entoam cânticos em seu louvor. Dentro de seu fértil ventre, uma rosa branca reluz. Seus dois seios de luar plenos. O sinistro no plenilúnio. O destro no nulilúnio.
4) DIA DE ORGIA 08/11/1987
Foi numa orgia
de velórios múltiplos que nossas energias se conheceram num segundo fúlgido. Nossos caixões tremeram de pavor e prazer. Vimos Adão e Eva nas alturas do Inferno. Vimos Lúcifer nas baixarias do Paraíso. Cérbero latiu abriu os portões do Éden. São Pedro cantou fechou os portões do Hades. No Inferno Satanás se ajoelhou. Na testa de Deus dois chifres surgiram. E fizemos amor sobre os epitáfios. E o Céu foi exorcizado de todos os anjos. E o Inferno foi limpo de todos os Demônios. E o Universo inteiro será o Nosso Reino.
5) DIABO (14/12/2000)
Sigam a linha
do meu raciocínio através deste labirinto. Os piores pecados podem ser vistos como nossos melhores amigos. A luxúria reanima uma relação com a chama da paixão. A vaidade eleva a auto-estima. O egoísmo nos defende de nossos falsos amigos. A preguiça é necessária para recarregar nossas energias. A inveja, quando é boa, reconhece o valor das outras pessoas. A gula, numa festa, só nos dá prazer. A ira energiza e bem conduzida elimina nossa inércia, nos afasta da rotina e nos leva a vencer. Tudo na Vida é relativo... O Diabo é pintado como o maioral, o pior inimigo, o maior mal, o criador de todos os pecados. Os piores pecados podem ser vistos como nossos melhores amigos. Por isso diz a popular sabedoria: “há males que vêm para o bem” . e “o Diabo não é tão feio como se pinta”.
6) DILÚVIO PELO TELEFONE 06/01/1988
Suas sílabas pingavam
Pelos furos do telefone, Bebi o sal amargo Que a fiação me trouxe. Era uma garoa fina Parecia não ter fim. Tuas sílabas diziam: Como sofro, ai de mim. O prato contagiante Apossou-se de meu ser. Encharquei meu lenço amigo, Não sabia o que fazer. O lenço era de bolinhas, Hoje todo branco está. As bolinhas na torrente Deixaram-se levar. Era já uma tempestade, Você de lá, eu de cá. Nosso choro dava inveja Ao Carinhoso. Tempestade é pouco, Era um dilúvio mesmo. Tirei meu bote do bolso E pela janela do calabouço Saí remando a esmo. Encontrei-te numa esquina. Remavas tua jangada. A jangada era pequena Para caber tanta beleza, Beleza em prantos banhada. Nossas mãos se uniram. O enlace foi fatal. As embarcações viraram, Os chorões se derramaram No imenso mar de sal. Nossos corpos enlaçados Na praça foram atracar. Nos amorosos braços Da Pietá.
7) DISCO VOADOR
Balançando-me na rede.
O sol irrompe dentro das nuvens. Ouvi pássaros cantando. Vi pessoas correndo sem se preocupar com o que poderia acontecer. Quando, de repente, aconteceu. Um luz no céu apareceu. Olhamos todos, surpresos, para aquela luz imensa, intensa. Era apenas um disco voador. Todos se dispersaram Ele sumiu, no céu azul de anil. E então acordei. Pensei : pesadelo ! Ninguém reconhecia minha nave ninguém se lembrava de meus famosos filmes . Não sou um astro decadente. Foi apenas um pesadelo.
8) DO FUNDO DO POÇO (27/03/1988)
Do fundo do poço surgiu um novo povo e marchou e cresceu e se multiplicou geometricamente. Alguém escreveu e assinou algo sobre este povo.
9) DÓI-ME AINDA A LEMBRANÇA 23/06/1988 Dói-me ainda a lembrança Da paterna indulgência. Eu, quando criança, nunca paguei penitências. A mais dolorosa Foi quando à Rosa, Filha do pipoqueiro, Escrevi versos proibidos E ele, ensandecido, Quis assar-me no braseiro. Minha mãe mal continha Os ímpetos de expiação Que me impeliam Ao braseiro do exorcista. Na sala de jantar Meu pai convencia Ao inimigo de Satanás. - A inocência e a pouca idade De meu filho Nunca o permitiriam Escrever tais indecências Em tal estilo. Satisfeito, o pipoqueiro Foi-se tranqüilo. O único insatisfeito Com tudo aquilo Sou eu. Sem castigo Cresci afeito às satanices. Só nas crises Me satisfiz. Lá se vai o meu passado Abismo abaixo... A ele atado Ainda me acho. Meus pais... tão relapsos... Meus carrascos imaginários... Lá vou Atrás do meu passado... Meu hoje pagando Tudo quanto Meu ontem cometeu.
10) DUELO POÉTICO
1: - A calma incontável
Dos pirilampos Pelos campos amplos Dos meus sonhos calcificados 2: - Sonhos calcificados ? Idéia mais esdrúxula. Não poderias arranjar Uma idéia menos fluxa ? 1: - Afasta tua voz de mim. Não vês ? estou meditando. Só a estrela saberá Do sangue das montanhas. 2: - Montanhas não sangram, Não aprendes nunca? Corujas sangram, Montanhas coruscam. 1: - "Corujas sangram" é muito banal. Quero um verso original, Sobre fontes de cristal Jorrando estrelas de sal. 2: - Rimas em "al" São teu forte, Bem se vê. Quero ver-te rimar Ácidos com astros. 1: - Má não o é. Contudo, excelente seria Não viesse de ti a idéia. 2: - Não me confundes Com tuas inversões. Basta eu achar minha gramática, Para dar-te uma resposta À altura da tua afronta. (2 sai do poema) 1: - A Paz etérea e soberana, Somente na solidão A encontrarei. (2 entra no poema) 2: - Falaste mal da idéia por inveja. Só sabes falar de "fontes de cristal", De "sonhos calcificados" E do "sangue das montanhas". 1: - E da "Paz etérea e soberana." 2: - De onde tiraste esta ? 1: - Me abstenho de responder-te. Esta pergunta me assola, Não deve ter resposta. 2: - Não respondas, se não quiseres. Mudando o rumo... As lânguidas acácias me disseram Do teu imenso amor por ti. 1: - E de me amar assim muito amiúde, É que um dia em meu corpo ,de repente, Hei de morrer, de amar mais do que pude 2: - Oh ! Narciso dos narcisos ! Tua idolatria por ti Me enoja e me fascina. É asquerosa e é divina. 1: - Enfim uma melodia Sai da tua boca. Há anos espero este dia. 2: - Chamas palavras ocas, Ditas sem refletir De "melodia"? 1: - Sim, só há melodia Nas palavras ocas E na ausência de reflexão. O pensamento e o recheio São inimigos da música, Da verdadeira Música ! 2: - És filósofo ! Este dote Me era desconhecido. Diga, tens mais algum, Em algum lugar escondido ? 1: - Se tenho, não o sei. Se soubesse, não te diria. Se dissesse, não acreditarias. Se acreditasses, eu desmentiria. 2: - Bela prova de virtuosismo. Proponho-te um duelo. Um duelo com palavras. Se venceres, te deixo em paz. 1: - E se eu perder? 2: - Serei teu calo, Tua unha encravada, Tua cruz sobre os ombros, Por toda a eternidade. (2: - Se perderes, ganhas O imenso prazer De ouvir o som De minhas sábias rimas Por toda a eternidade.) 1: - Aceito, Podes começar. 2: - Gosto das mórbidas. Adoro o sabor de sangue Das suas línguas. Minhas amadas vampiras, Minha Poesia se curva À simples visão de vossos vultos. Sois a própria Volúpia Encarnada em criaturas De rara luxúria. 1: - Minhas amadas são puras E de lírica leveza. Sua fala é simples, Mas suas palavras Bem valem o ouro De mil princesas. As canto sem descanso, Cansaço não me vence. E quanto mais as canto, Mais meu Canto se engrandece. 2: - Meus Versos Me abrem pórticos Direto ao Inferno, Direto ao Império Do meu Mestre. Ele ensinou-me a adorá-lo. Seu halo me oprime, Meus crimes são Dele. Minha Lírica sinistra, Ele a escreveu. Minha Vida, Do enxofre foi extraída. Graças a um espirro Seu. 1: - Meus Versos São de luz fresca. Mesmo um cego os lê. Olhos sãos não cegam, Ensinam a ver. Com a Vida aprendi muito. E o principal: Não se pode saber tudo, Mas nosso dever neste Mundo É a tudo e a todos amar. 2: - Me dou por vencido. Teu estilo é singelo, Mas teus versos São versos de Sábio. Eu te felicito, És o vencedor. 1: - Desistes muito fácil. Teus versos podem ser Muito superiores aos meus. 2: - Superiores, sim. Mas na forma. No mais importante, És insuperável. Não mais me verás Pelo resto da tua existência. E, vitória maior, Me ensinaste a Visão. Eu era cego E meu olhar Se julgava são. 1: - Se assim o julgas, Não te contrario. Mas te suplico, não vás, Não me deixe sozinho. Como posso viver Sem teu eterno falar? Eu te suplico, não vás. Sozinho, será um tédio Escrever, viver e até pensar. 2: - Está certo, eu fico. Mas não como cruz, Nem como unha, Nem como calo. Fico somente como amigo. Um amigo sincero e leal. 1: - Sincero, leal e chato. 2: - Me deixas estupefato. Mas assim será, Se assim quiseres. 1: - Assim o quero. As borboletas meigas Serão aceitas. 2: - "Borboletas meigas"? Por demais açucarado. Escolha algo... algo mais sanguinário ! 1: - Maldito sejas ! Tu e toda a tua geração ! Vá passear no bosque ! Vá colher algodão ! Vá contar estrelas ! Não me aborreças ! Não me perturbe A meditação ! (2 sorri, como se Satã fosse.)
11) DURANTE O ESPETÁCULO
Durante o espetáculo,
estrelas correm em círculo pelo chão como em meus tempos de criança. E depois no céu, seu sustentáculo, brincam de roda na roda da vida e jogam com o nosso destino. Os astros, as estrelas e os deuses combinam as regras do jogo. Por isso não ponho as mãos no fogo, por causa do jogo deles. E se a nossa vida foi vivida em vão, é melhor unirmos nossas mãos e lutar por regras mais justas. Vamos virar a mesa. Assim não dá para continuar. Muito vai ter que mudar e o perigo não nos assusta. Muito pelo contrário, estimula. Nós temos a certeza de sermos mais fortes que os deuses .
12) DÚVIDA CRUEL
Quem sabe ?
Quem poderá dizer de onde vem a raça humana? Se emana do etéreo amor do eterno Criador ? Se surge de chofre do enxofre de Exu ? Quem sabe ? Quem poderá dizer para onde a morte nos leva, terminada nossa tarefa nesta Terra ? Se nos leva para uma selva onde os rios são feitos de mel e leite ? Se nos desterra em imensa caldeira cheia de fervente azeite? Quem sabe ? Quem poderá dizer ? Quem teria o poder de responder a estas perguntas ? Permanecerão sem reposta? Serão postas as cartas na mesa ? Quem sabe ? Quem poderá dizer com certeza ?
13) É PRECISO SONHAR
Fogo alado.
Navio grande calado. Sonho embalado entre brumas de espuma. Sonho vivente. Centelha ardente. Começo consciente. Coração suficiente para a escolha fugaz de um destino sombrio. Menino bravio. Leitor de rio. Leoa no cio. Labirinto em desvario. Inaufragável navio. Aceso pavio na escuma do gás. Um sonho de paz, entre pétalas de riso. Cantar é preciso. É preciso sonhar.
14) ECLIPSE (12/11/1985)
A pérola lunar de marfim,
esférico iceberg nadando no negro firmamento do mar sem fim. O rubi solar rutilando sobre a seda azul, olho escarlate nefando. A mancha eclipsática no paul alastra-se carregando a síntese da pérola e do rubi num verso absoluto.
15) EGOÍSMO OU MANDALA ? 27/08/1989
Se eu entrar no Simbolismo
e não sair de mim, serei apenas um ismo entre tantos que há por aí. Se eu entrar no Simbolismo e não sair de mim, serei apenas egoismo. Serei apenas círculo girando, girando, em torno de mim. Serei nunca Mandala crescendo de Amor.
16) ELEGIA EM ELOGIO À MORTE (11/03/1985)
Cheguei meu poeta !
Transformarei teu leito de morte No teu leito nupcial ! Sou aquela que tu negaste Durante toda a tua existência ! Agora sou tua amante ! Sou eu que te penetro pelos poros E te levo ao êxtase do amor ! E faço brotar dentro de ti Não a flor da vida Mas a flor das trevas ! Venha minha amada ! Joga em meu coração tua semente ! Que ela vire uma flor carnívora ! Que me consome a carne e as vísceras ! Que me corrói os ossos ! Que me corrompe a alma ! E que a carrega rumo inferno Onde eu viva em gozo eterno !
17) EM BUSCA DA PERDIÇÃO 07/09/1991
Tentei com afinco,
mas não consegui perder-me nos estreitos limites do teu desejo. Nem minhas Fantasias conseguiram erguer com tão rala areia, em meio palmo de criança, uma parede mínima. Como poderia desejar perder-me em Labirintos ? Nem a Batedeira dos meus Sonhos conseguiu produzir, uma onda mínima nessa poça ínfima . Como poderia desejar Naufragar em grande Estilo ? Hoje estou viajando. Hoje ando a procurar um Desejo bem amplo para me macular.
Publié le 21/05/2008 à 3:34:56 PM
Par Mauro Valente
1) ENFORCADO (09/03/2000)
Tem muita gente que coloca corda no pescoço como colar com medalha de Herói. Tem muita gente crente que é santa. Sua glória é gastar suas horas e suas costas a carregar as cruzes que rouba de outras histórias. Tem muita gente que pensa que o céu só é justa recompensa para quem fica corcunda de tanto carregar o Mundo nas costas.
2) ENGENDRAÇÕES (17-08-1987)
O extraordinário efeito
da estrutura caótica em movimento cria alegorias vivas, próprias para autores sem idéias para sonetos.
3) ENTREGA TOTAL
Ela: Venha meu amado.
Não estou de pernas e braços cruzados e sim de pernas e braços abertos para recebê-lo por inteiro. Ele: Não quero ser enganado. Antes de recebê-la em meus braços quero estar certo de que serei o primeiro. Ela: Não me faça ter embaraços, não duvide dos meus passos. Você sabe que nunca tive outro homem. Ele: Se soubesse, não teria dúvidas. Além disso, o que me dizem seus traços é que já esteve em outros braços. Ela: Mesmo se fosse verdade, que diferença faz ? Ele: A diferença é que não tolero falsidade e os males que traz. Ela: Então me deixe e me esqueça, se não pode acreditar no que digo. Ele: Por favor, não me peça isso, não me queira como inimigo. Ela: Então me ame com toda a sua força. Ele: Não posso atender a tal pedido. Ela: Não faça drama, me leva pra cama. Ele: Seu fogo me deixa enlouquecido. Ela: Então venha e que o amor se faça. Ele: Mas se eu for e tu já tiveres ido... Ela: Vou dizer a verdade ! Você é um grande covarde ! Se tivesse coragem, veria que só te preconceitos e só diz meras bobagens. Ele: Vamos abrir o jogo. Não digo nada por maldade. Sou impotente, essa é a verdade. Jamais terei ardor, nem fogo. Ela: Por que não disse logo ? Não me faria perder tempo, com um eunuco avarento. Ele: Se pra você não amor é só sexo ! É porque pra você o amor não tem nexo ! E queimará sozinha com seu fogo !
4) ENVOLTO PELO NEGRO MANTO (11/07/1985)
Envolto pelo negro manto
da noite sombria, um homem cego corre gritando, à procura da Poesia. -- Poesia, Musa suprema ! Preciso de uma migalha de tua Luz ! Necessito fazer um poema estonteante, como um bolha de vícios ! Inebriante, como a vodka dos deuses ! Alucinante, como o beijo das serpentes ! Asfixiante, como o aroma das meretrizes ! Agonizante, como este trapo de gente ! Já sinto que vens vindo ! Teus olhos são astros rutilantes ! Tua voz é estridente ! O impacto do teu corpo é forte ! Poooooeeeessssiiiiiiiaaaaaaa !!!!!!!!!!!!!!!!!
5) EREMITA (27/11/2000)
A pressa
é a pior inimiga da perfeição. Quem pensa que andar depressa é a solução, tropeça em sua própria pretensão. Porém, para quem, como eu, imita o Eremita e se limita a subir um degrau de cada vez em sua Vida, o destino é ser campeão. A paciência é a melhor amiga da perfeição.
6) ESCALADA ALADA (08/12/1990)
Quando passas
escalas dilúvios para dissolver o óbvio. Despertas nas pétalas dos humildes lírios arrepios ilícitos. Humilde aroma lírico. Tímido escudo aromal. Nada pode ser obstáculo a estímulos tão amorais.
7) ESCOLHA DA ESCOLA 26/11/1993
Escola encolhe, escolhe escoras. Exclue. Escolta a escória para fora da História.
8) ESCRITORTO (01/12/1987)
Escrevi com tinta negra
os últimos dias da Poesia neste nosso Planeta. Escrevi com tinta rubra a paixão louca da elitista Crônica pelo Teatro de Rua. Escrevi com tinta verde a verdade dos desatinos das outonais árvores. Escrevi com tinta azul os sonhos lúcidos dos Poetas lúdicos. 9) ESFORÇO INÚTIL (01-02-1986)
Prisioneiro do espaço verde, um espectro negro tenta, em vão, chegar ao rubro astro no anilado firmamento. Cintilante fulgor. Pesada âncora e curta corrente separam o ente da estrela da aurora. Ponta cravada no estéril chão. Pesados elos encadeados neticulosamente pelas hábeis mãos de Tanatos. Uma perna esticada. Outra perna arqueada. Braços estendidos em direção ao ardente círculo escarlate. Aflição nos olhos acesos. Lábios trêmulos. Tresloucado ser. Visão inatingível. Destino inalcançável. Sonho irrealizável. Paixão impossível. Eros luminescente. 10) ESPELHO AMIGO (19/07/2002)
Olhos, espelhos da alma.
Olhos de amigo, espelho cristalino. Espelho de dupla face, onde vemos, sem disfarce, nossa alma e a alma de nosso amigo. Palavras de amigo. Reflexo que nos leva à reflexão sobre nossa conduta, nossa humana condição. Gestos de amigo, espelho onde podemos nos espelhar para espalhar por nossa alma, nosso lar, nosso planeta, a Paz.
11) ESPELHO DESERTO (03/12/1999)
Águas paradas só movem moinhos. Nós jamais estaremos sozinhos, mesmo depois de paradas as águas de nossa paixão. Águas passadas movem moinhos futuros. Eu vejo isto acima e além deste muro. Mas no deserto espelho das águas paradas, vejo você no escuro. Porém, acima e além deste muro translúcido você não me vê. Moinhos parados movem-se sozinhos. (Parece loucura.) Porém você, minha vizinha, nos espelhos futuros não procura me ver.
12) ESPELHO DO INFERNO (18/12/1987)
Acordei cedo. Me olhei no espelho. Vi múltiplas bocas rindo da minha cara. Riam alto demais. Até no Japão se ouvia as bocas rindo de mim. Arremessei o espelho contra parede. Cacos de risos se espalharam por todo o banheiro. Saí correndo e o satânico sarcasmo me perseguia. Entrou um caco no bolso do meu colete. O bandido ficou calado até a hora do encontro com minha namorada. Ela me perguntava por que a achava tão engraçada, se ela merecia apenas pena. Eu disse a verdade, que não sabia o motivo de meu riso descabido. Mandei o colete pra lavanderia. Recusaram, pensaram ser brincadeira minha. E eu nem sabia o que acontecia. Um belo e sorridente dia, encontrei por acaso um bilhete no bolso do colete, escrito por um admirador secreto do caco safado. Peguei o caco e o entreguei ao primeiro infeliz que encontrei largado na rua. Hoje a saudade me oprime o peito. Onde está o caco ? Compro o jornal e o primeiro retrato é do mendigo rindo, rindo muito. Tinha enriquecido. Descobriu sua vocação para o humorismo graças a mim. Fiquei feliz, ao ver que colaborei para que o mundo ficasse muito mais feliz.
13) ESPERANÇA E DESESPERO
O corpo quedo sobre a mesa.
A neve cai lá fora. O homem bêbado, sem esperança, chora. A garrafa está vazia. Lá fora a vida é velha. Olha a escuridão do dia. Sua sala é sua cela. Sua melancolia eleva-se ao quadrado como o sol. Ele enseia o fim da agonia. Reza para ser poupado e morrer logo.
14) ESPERO PELO MEU POETA (27/03/1990)
Um poeta maldito
escreverá em meu ventre poemas incandescentes com sua pena divina. Quando virá ? Um poeta assassino escreverá em meu semblante poemas alucinantes. Quando chegará ? Um poeta cabalístico escreverá em minhas coxas poemas apocalípticos com seus olhos sibilinos. Quando será ? - Virei, quando não me esperares. Chegarei, quando não me quiseres. Serei, quando me esqueceres.
15) ESQUIZOFRENIA MILAGROSA (12-04-1990) Minh’alma naufragaria se não se agarrasse, de tempos em tempos, à tábua milagrosa da minha esquizofrenia 16) ESSÊNCIA DO TARÔ
Quer ser a Lua ?
A vela da Caravela dos Arcanos? Quer ser a Força? A onda aonde a Caravela navega pelos Universos paralelos ? Quer ser a Estrela ? Seu Anjo da Guarda ? Sua cápsula de cristal? Energizar seu Destino com a Cósmica Medicina ? Quer ser o Sol, farol oriental ? Orientá-la através da Internet do Inconsciente ? Quer ser o Mundo? Início e final da aventura original da Caravela dos Arcanos ? É simples. Basta sintonizar-se todo dia com a Essência do Tarô. Ou seja, ter a paciência do Eremita para todo dia pôr a alma e as cartas na mesa.
17) ESTÃO ME OLHANDO (15/09/1985)
Estão me olhando com olhos iridescentes, incandescentes. Me incendeiam a mente. Me adoro e me devoro. Estão me cantando como línguas indecentes. Esta melodia é bala, me embala e me abala. Estão me tocando com frias mãos inteligentes. Fazem de mim um marionete. Me vacinam com um vacilo.
18) ESTE É UM PAÍS QUE VAI PRA FRENTE (16/03/1990)
O grande Presidente,
cujo lema é Trabalho, decretou que, no dia seguinte ao da sua posse, houvesse ponto facultativo em todo o território nacional. Vejam só o resultado. Os viciados em droga estão desesperados. Não há droga nenhuma, pra fazer a cabeça. Os maridos insaciáveis estão perdidos As pernas estão fechadas em todos os prostíbulos. Alastra-se pela cidade uma praga de assaltos. Todos os guardas estão de pernas pro alto. Há montanhas de lixo por toda a cidade. Os garis não ligam para esta geográfica atrocidade. Há um enorme acúmulo de presunto. As funerárias não querem saber do assunto . Não há telefone, luz, metrô, ônibus, nem táxi. O Brasil está mudo, cego, surdo e paralítico. Porque hoje é ponto facultativo.
19) ESTÓRIA ESCRITA (06/09/2000)
Esta estória
é escrita nas pétalas de uma rosa pela brisa das asas de um colibri. As pétalas desta estória, quem as destrói é a inveja. Ela mora no olhos do vampiro que coroa a si mesmo com o título de Destino.
20) ESTRADA
Ainda temos muita estrada pela frente. Sinto que ainda viveremos mil aventuras diferentes. Quando voltamos seremos muito diferentes. Em nossa estrada vamo errar, vamos plantar boas e más sementes. Colheremos, com certeza, frutos de nossas sementes errantes. Com certeza seremos muito mais maduros que os frutos de nosso futuro.
21) ESTRELA
Não se desespere, não faça tempestade em copo d’água. A esperança é uma Estrela imensa por mais escondida e apagada que pareça. Não esmoreça, não entregue os pontos. Segure as pontas desta Estrela e veja. Veja como as nuvens dissipam-se depressa. Por mais sinistras e espessas que pareçam. Às vezes na Vida aparece um túnel tão escuro e tão estranho que parece não ter fim, não ter saída. Porém, jamais se esqueça de que no fim de todo túnel uma luz existe, uma esperança existe: uma Estrela.
22) ETERNA POESIA 24/05/1984
Eterna Poesia, razão de toda existência. De tudo e de todos é a essência. Sem Poesia nada existiria. Poesia, origem de toda ocorrência. É total ordem e total anarquia. É ato de religião e de heresia. Livra do vício e vicia. É coragem e covardia. É oprimido e opressor. É ideologia e utopia. Mesmo com seu imenso valor, se eterna não fosse a Poesia, eterno não seria o Amor
23) EU A VIA EM MEIO À VIA (2007)
Em meio à via Havia uma lápide A se depilar. Uma lápide, A se depilar, Em meio à via Havia. Este evento é vento, as retinas retintas de rotina altera. Jamais me olvidarei Deste vento, Evento singular. Perante a lápide A se depilar. Em meio à via. Havia eu. Eu a via. Eu, a via.
24) EXIGÊNCIAS (07/05/1987)
Nos meus olhos quero refletido todo o Universo. Nos meus versos quero bem nítidos todos os possíveis mitos. Quero desvendar todos os mistérios que há. Quero que sejam produzidos pela minha voz todos os sons. Quero habitar em todas dimensões. Quero ser mais veloz que a luz e reinar seu lugar.
25) EXÍLIO DE MIM (17/06/1987)
Quando eu de mim fui afastado, me puseram em lugar desconhecido, num ermo castelo escondido no centro de um bosque encantado. Na torre em que me botaram fui proibido de exprimir qualquer ato pensado. De tal maneira fui paralisado, que só agora percebo o ocorrido. E por estar demasiado de mim longe e esquecido, se eu tivesse me encontrado, não teria me reconhecido. Na torre tudo estava estagnado, parado no tempo e enrijecido. Eu ia envelhecendo, na medida em que ia me conformando. Me esqueci até de que o céu estrelado estava acima da minha cabeça. E, por mais incrível que pareça, o céu era para mim o telhado. E o mundo, que me era tão querido, se tornara o quarto onde fui trancafiado. A tranca era de ferro fundido na caldeira do meu passado. Meus sentidos foram congelados. Meus instintos foram adormecidos. Meus pensamentos foram eliminados. Meu ser foi em estátua convertido. Estando o processo acabado, do castelo fui recolhido. E fui exposto, para ser admirado, no Museu dos Mortos-Vivos. Milhares de pessoas vinham me ver. Mais mortas que eu e não sabiam. Olhavam para mim e sorriam. Eu não sabia de quê. Porém, pior que ser motivo de riso, era ficar, quando o museu era fechado, no meio de milhares de pedras enfileiradas. No meio de estátuas de ilustres desconhecidos.
26) FADAS AZUIS
As Fantasias são como os dias, tão claras, tão azuis... E ainda brilham durante as noites com sua Luz... Reluzentes me iluminam numa corte de Paixão. Mas se esvaem e decaem, quando chega a Razão. As Fantasias são aladas como as Fadas da Canção... Revoam na Mente na Imaginação... Elas me colocam em crescente alto astral... Mas se dilaceram quando encontram a Tesoura do Real.
27) FECUNDAÇÃO (1ª) (27/01/1988)
Pensava as Nuvens... Meu Pensamento trovejou teu Nome... Sonhavas a Lua... Teu estremeceu de ponta a ponta... As Nuvens acolheram a Lua... A Lua iluminou as Nuvens... Chove Estrelas... E continuará chovendo enquanto nosso amor for eterno...
28) FECUNDAÇÃO FATAL, NOVA VERSÃO (06/03/1991)
Sublime perfume de poesia encaderna-me. O leite lunar de Atenas inunda minhas artérias, minhas metáforas. Todo amor é fértil, ao sonhar com dilúvios de metáforas e leite. Firme perfume de nanquim extrai raízes de mim. (De onde vem ?) Nívea seda serpenteia pelas raízes até meu ventre. Negra serpente, ardente, acende o níveo pavio. Meu ventre absorve as duas serpentes. Gera poemas enormes.
Publié le 21/05/2008 à 5:23:04 PM
Par Mauro Valente
1) IDÉIA DE MEDÉIA (23/12/1995)
Conheço teu berço, Medéia. Conheço a tua intenção ! Fazer uma tragédia plena de paixão ! Faço de teu sacrifício
minha obsessão ! Remédio pro meu vício de sofrer em vão ! Nossa crise, nosso precipício,
nossa vertigem, início de nossa comunhão ! Anjos / Nem pensar
Nosso Paraíso é todo feito de Tentação !
2) FERAS (27/11/1987)
Feras me atacam. Meus arcanos são frágeis. Não creio mais que sejam ases. As feras avisam antes de virem, mas não creio, pois são atrizes. Meus arcanos já me escravizam. Nas minhas asas São cicatrizes.
3) FERNANDO É DESPORTIVO (03/05/1991)
Fernando é desportivo,
é campeão de esqui aquático. Zé Povo ficaria agradecido se fosse surfista ferroviário. Fernando é Collorido, até de roxo está fardado. Zé Povo ficaria agradecido se fosse surfista ferroviário. Zé Povo ficaria estarrecido, ao ver o Presidente ao seu lado. Zé Povo ficaria enobrecido, vendo-se a ele igualado. Zé Povo ficaria euforizado, ao ver seu amado Collorido perder a cabeça na fissura para o fio eletrizado e ganhar deste um belo e elétrico bronzeado.
4) Infinita Fertilidade
Minha Insegurança
é fecunda. Gera mil fantasmas por segundo.
5) FLOR INVISÍVEL (08/11/1987)
Na interseção
de nossas mentes nasce a flor jamais vista.
6) FOGUEIRA DA POESIA (27/07/1987)
A fogueira crepita. O papel palpita, seus versos de amor. Conversa se volatiza.
7) FORÇA (08/05/2000)
Violência vira vício quando se dispensa o raciocínio. Só com inteligência vence o Campeão. Se vence com egoísmo e violência. Se seu troféu é a ruína do adversário. Se pensa que anabolizante na mente é sinônimo de personalidade forte. O vencedor, o valentão, perde o juízo, perde a razão. A verdadeira Força vem da União.
8) FOTOLEITURA
Na face, ausência de máscara é marca de santidade. O manto azul... Azul é cor e sonha.... Uma quase-Lua se insinua... Le lèvre, pour lire le livre, est dans sa main. Deux cotés du diamant. Ela é aquela que no Tarô é vista sob o número dois. A Grã- Sacerdotisa.
9) FRITAS
O sol meus olhos fita. O sol meus olhos frita. 10) FUMAÇA DOS SÉCULOS (14/07/1985)
Fumaça dos séculos, cortinas de lembranças. Símbolos do início de novos ciclos. Retalhos de vidas, mapas de memórias. Retratos de uma época de mudanças radicais em todos os pontos cardeais, nos alicerces da esperança. No futuro enclausurado nas torres dos castelos, forjados pelos martelos do deus Cronos, a partir de ferros fundidos nos infernais fornos.
11) GANA PELA GRANA 23/10/93
Grana minha gentil que te partiste, tão cedo desta vida descontente. Repousa lá no Banco Central eternamente, e viva eu cá na terra sempre triste. Se lá no Cofre Etéreo a que subiste,
memória desta miséria se consente. Não te esqueças do ninho quente, que já nos bolsos meus tão puro sentiste. E se sentires que possa resgatar-te,
alguma coisa, o vazio que me deixou ao Mago, sem medo de roubar-te. Roga ao Collor, que nossos laços cortou,
que tão cedo me leve a embolsar-te, quão cedo de meus bolsos te levou.
12) GARÇA POETISA 14/05/1992
Márcia Garcia... garça macia... acácias acaricias... esgarças Maciças Matrizes... Amputas Ampulhetas ! Compensas a perda das pernas de areia com penas de seda. O vidro... leve.. livre... vive... vibra... EXPLODE Vira Colibri . Colibri ágil... Sábio sem o peso dos sérios. Elétrico sem o peso dos sexos. Eterno sem o peso dos Séculos.
13) GORDO AMOR 08/11/1987
A Botero
Querida, minha loucura
é me afogar em tua gordura. Mergulho nas ondas da tua bela barriga.
Quando teu estômago ronca, até o mar se cala. As esbeltas que me perdoem,
mas gordura é fundamental. Vou erguer um totem
em louvor à tua gula monumental.
14) GOSTARIA DE SER... (03/12/1984)
Gostaria de ser uma flor
Para sentir o perfume Dos teus cabelos Para ouvir o teu cantar Para me cegar Na luz do teu olhar Gostaria de ser mel Para adoçar tua língua Gostaria de ser água Para tocar na tua pele Gostaria de ser Uma fita verde Para me enroscar Nos teu dedos Gostaria de ser tua agenda Para guardar os teus segredos Gostaria de ser uma cadeira Para te servir de assento Gostaria de ser o teu amor Para aliviar teus sofrimentos
15) GOZO MÓRBIDO (02/12/1987) Ouça o gozo mórbido,
a agonia muda e sem dor, das estrelas despencando do mar infinito, do Céu-Self. Nosso por todas as eternidades. Eu morrê-las-ia todas, dentro dos meus infernos, se pudesse. Faria a Lua perder-se na sinuosa estrada da Noite.
16) GRAÇAS E TRAPAÇAS (19/08/1986) São as trapaças do pacote.
São as desgraças da inflação. Pra se combinar comigo tem que vencer a eleição. São as falácias do pacote. São as traças da inflação. Quem quiser casar comigo tem que escrever a Constituição. Me lembro daquele tempo. Cem por cento, que disparate. A corrupção à solta. Parentes da Prima Rate. Mas vem o Bigode e vapt ! corta os zeros e salva Isolda. E a platéia toda aplaude. Não vê a tesoura cortar a sétima arte. São as trapaças do pacote. São as traças da inflação. Pra se combinar comigo tem que escrever a Constituição. São as falácias do pacote. São as desgraças da inflação. Quem quiser casar comigo tem que vencer a eleição. A euforia estoura. Mercados se fecham. Mercadores se vexam. E somem-se os touros e as vacas gordas, cada uma no seu tempo, pastam e amamentam seus rebentos. E o Brasil que se exploda e se arrebente, antes que o laço se desate. Por anda o Abi, Ackel dos muitos quilates que foram pros States ? São as trapaças do pacote. São as desgraças da inflação. Pra se combinar comigo tem que vencer a eleição. São as falácias do pacote. São as traças da inflação. Quem quiser casar comigo tem que escrever a Constituição. É uma epístola de demasiadas laudas, essa mitológica política, que vai da Explosão Apocalíptica até os Jardins do Éden. E se o povo ainda usa fralda, e se os mortos de maioridade ainda fedem, Brasília é um Challenger que fatalmente explodirá de raiva. 17) GRANDE POVO, GRANDE RAÇA (20/09/1984)
Outro povo, outro raça,
que não seja igual a esta, que manifesta seu horror e depois cai em desgraça. Este povo, esta raça,
pensa que o tempo não passa, quando é tempo de amor. Mas se cala, diante do horror deste povo, deste raça,
que ultrapassa os limites do absurdo, que transforma este mundo
num mundo de desquites, onde mora esta massa. 18) GRAVIDEZ (22/09/l986)
Meu ventre quente,
macio e roliço. Ele chutou minha mão. Que lindo. Como é bom sentir você, meu filho . Sentir o reloginho do seu coração marcando o tempo que falta para você despertar pra vida Outro chute. Esse pegou meu lado esquerdo. São duas minúsculas bombas-relógio em contagem regressiva para a explosão da vida, dentro de mim .
19) HÁ GOTEIRAS 20/10/1990 Há goteiras
na minha mente... A Memória fez um balde para os pensamentos pingarem nele.
20) HERANÇA DUVIDOSA 27/05/1988
Herdei de ti teu cadáver, embalsamado pelas minhas lágrimas. Poderei incinerá-lo ? Em qual urna deverei guardá-lo ? E as minhas lágrimas, serão mais ou menos reais que as tuas lágrimas, por serem minhas ? Que diferença faz, se és criação minha ? E se teu cadáver é parte de mim, alegoria ? Toda criação é real se há alma no criar. E a urna funerária ? Envio pelo correio. Presente aos que dizem desprezar a Poesia.
21) HÉRCULEA HERMENÊUTICA (05/08/1985) 1
Cupido esculpido no tempo. Íon zaino no centro da esmeralda. Fruto da faina esmerada da esfinge que ancora nas veias da palavra. Lira nas mãos da copa mortal. + 2
Ninfa porcelânica. Pluma anil. Ex-puma de corpo. Dores lunárias. Formosura triangular Da harpa. = 3
Alma de salvarana garça. Filigranas translúcidas, transcolores efervescentes, balsâmicas, paradisíacas. Trem-talhado, embalsamado arco-íris voltaico.
22) HERESIA A SANTA BRANCA 31/10/1991 Santa Branca não me ouve ! Santa Alva não me escuta ! Vou morrer sem Poesia ! Sinfonia de Cicuta ! Overdose de Bethoven !
23) HEXAGRAMA 07/09/1991
“O que está em cima é como o que está embaixo .” (Hermes Trimegisto) I
Para você escrevo meus mais sinceros Versos de Amor. II
Nossos corpos se encontram, se somam, desembocam em Pororoca na Copa da Comunhão . III
Nosso Amor, Árvore eterna . Sua Raízes, robustas Antenas, nutrem-na felizes com as Pedras da Vida . IV
Nossos Versos convergem para o Vértice . Convertem-se na Vértebra da Poesia . V
Nossa Obra, bela Crisálida. Suas Páginas serão colhidas. Este Alimento inscreverá nas Almas o Terceiro Milênio. VI
Estes Versos com Amor te escrevi. Creia em mim, são os mais sinceros Versos que já fiz.
24) HIEROGARÇAS (29-08-2002)
Vejo garças esparsas, brancos hieróglifos passeando no papiro da areia. Leio em silêncio o poema escrito em louvor ao infinito. Ao céu colorido onde habitam os hieróglifos. Vejo a verde inveja do mar apagar, com sua branca borracha, alguns trechos que se espraiam no meio das páginas da praia. Ouço as ondas do mar declamar em voz alta os versos que restam. Poesia em elogio ao, sem conflitos, sempre verde, mar infinito.
25) COLA DA HORA (07/12/1990)
Quando os pivetes cheirarem cola, serão 9 horas. Ela ainda estará lá, balão murcho esquecido sobre o ralo. Os pivetes cortarão suas unhas, pentearão seus cabelos, Porão margaridas em seu tranças, vedarão seus olhos com cola. Quando os pivetes assaltarem os turistas, será meio-dia. O balão florido será explodido pelos pivetes, como protesto contra a perversa Deusa Sociedade.
26) HUMANA MISSÃO (16/08/1986)
Amanhã é dia de alegria. Desabrocha a fantasia. Inhansã, é dia da fartura, da provisão futura. A maçã é a perdição de Adão. Mas em compensação ensina-lhe esta lição: Transgredir a proibição é a humana missão.
27) IDEOLOGIA 01/05/1988
Tanto mais arte
Quanto mais bela Tanto mais bela Quanto mais perfeita Tanto mais perfeita Quanto mais feita pelo homem Tanto mais feita pelo homem Quanto mais inspirada por Deus 28) IDÍLIO 19/01/1987
Fios dourados
Pendem das árvores Feitas de mármore Fadas brincam De fazer tranças Elfos fazem acrobacias Montados em cavalos alados Dos lagos Vêem sinfonias Cantadas Pelas Ninfas Afinadas Gênios modelam o barro Dando-lhe formato humano Adornando depois Com flores do campo Os Elfos seguram os homens de barro Os cavalos alados alçam os homens de barro As Fadas aladas envolvem os homens de barro Com as tranças de ouro As Ninfas com seu canto Animam os homens de barro Os Homens de Barro Dançam a Dança da Vida
29) IMPERADOR (04/12/2000)
Só eu mando,
desmando e comando este Mundo. Manda quem pode. Quem tem juízo obedece ou muda seu endereço para outro planeta. Meu poder é divino, minha palavra é lei. Sou o Imperador de todo o Universo. Sou o Céu, sou o Ar. Na hora em que eu quiser, o Universo em nada se transformará.
30) IMPERATRIZ (10/04/2000)
Mãe: - Mãe está sempre por perto. Anjo da guarda sempre alerta. No Mundo de sonhos que mora nos olho da Mãe, filho é sempre filhote sem garras, passarinho sem asas, semente sem raiz. E ela Terra, veste e alimento. Tudo ao mesmo tempo e o tempo todo feliz. Filho:
- Mas o Mundo real onde mora o filho, como fera o olha. Obriga-o a ferir sua protetora para colocar asas, espinhos e garras para fora. Pois Mãe protege demais. Mãe sufoca. Mãe deveria deixar seu filho em paz. Mãe:
- Mãe é o Anjo da Paz. Mãe está sempre certa. Mãe é cem por cento. Mãe está sempre por dentro. Mãe está sempre no centro. Mãe tem sempre cetro. Mãe é eterna Rainha, Imperatriz eterna. Seja na antiga Grécia, seja no Brasil moderno. Mãe é sempre Mãe, apenas muda de endereço. Filho:
- Não tem jeito, mesmo. Mãe é sempre Mãe, apenas muda de endereço.
Publié le 21/05/2008 à 9:06:01 PM
Par Mauro Valente
1) LEMBRANÇAS 31/07/1985
Encapuçado ser Pés encobertos de sonho Luz no olhar risonho Bizarro despertar Caminha entre pedras Conflitos do ser Se embala entre sonhos Sonhos de poder Retira a capa E encapa o viver Lembranças Amores ausentes Longínquo sofrer Finitude e plenitude Anjo lilás Fulgaz visão Que se esvai no vão Do meu coração Num instante Ou de pura ilusão Porta cinzenta Aberta arrebenta O meu despertar Fazendo a viagem Virar paisagem De um eterno sonhar
2) LIBERDADE
Ser livre é aprender a conviver,
todos os dias, com os nossos limites. Ser amigo é ajudar os outros a aprender cada vez mais sobre si mesmos.
3) LIBERTAÇÃO
Outras formas de viver descobri ao te deixar. Libertei-me das viciosas rodas da rotina. Descobri novos mundos que pensei não existir. Descobri-me em novos horizontes, onde só pensei haver o fim do mundo. Novas flores enchem o ar com novas essências. Para me provar que minha essência é cristalina, pois não podes me nublar. Achei oásis de felicidade e paz. agora teus olhos não podem mais me secar. Julgava ser feliz, amando-te. Mas agora percebi. Amando só a mim, só assim, posso ser feliz.
4) LINDA GRÁVIDA
Grávida,
sua linda barriga, polida na lida original, jamais é lida como ponto final. É ponto inicial. Convida para a Poesia da Vida. Seios feitos com nuvens são esculturas. Produzem luzes para nutrir o Futuro. Pelas veias da Filha deslizam sinfonias de pólen, polindo seu espírito. A Filha brilha, é a Estrela da Música. Os divinos seios de nuvem enviam raios de tinta purpurina que ampliam o brilho da Estrela. Parto, porta que a Mãe abre para a Arte alastrar-se com alarde pela Natureza. Parto, porta com que a Arte abre a Natureza para a Essência da Infância.
5) LÍRICA ÉRICA
A Branca Vitória-Régia
arregala-se no Amazonas Celeste... Meus sonhos são plenos de Asas e Vento Érica... Margaridas Etéreas cirandam na suave aragem agreste... Meus profanos olham se assombram com os efeitos do Vento Érica... Pirilampos ampliam reflexos da Branca Vitória-Régia... Minha vida, faíscas em festa... Poemizo-me no Vento Érica... Lírica Érica, neste Poema adjetivas o Vento. E bem poderias adjetivar os Pirilampos, o Amazonas, as Margaridas, a Vitória-Régia, meus olhos, meus sonhos, minha vida.
6) LÍRIO SELVAGEM (17/02/1986)
És meu lírio
selvagem, silvestre. Vieste com tuas vestes de colírio para fazer decolar meus delírios.
7) LOUCA (02/05/1985)
Aqui estou,
bela, deslumbrante e toda prosa. Em um fino restaurante, almoçando com um elefante cor de rosa.
8) LOUCA PROCURA
Procurei Amor no dicionário, foi em mim que encontrei. Perguntei ao Amor: por quê ? Respondeu-me o salafrário: “Só posso ser encontrado onde nunca estarei.”
9) LOUCO
Você me ensina
que querer é poder. E quem tudo quiser tudo há de perder. Você me ensina que rir é sempre o melhor remédio. E quem tem muito riso tem pouco juízo. Você me ensina que não se deve fazer mal a ninguém. E que há males que vêm para o bem. Você me ensina que se deve pensar duas vezes antes de agir. E que por pensar demais um burro sempre morre por aí. A viver já aprendi com suas sábias lições. E já enlouqueci com suas contradições. Hoje eu sou o professor. Hoje o aluno é você. A lição é simples, você vai aprender. É o resumo de tudo o que você me ensinou: De gênio e de Louco todos nós temos um pouco.
10) LOUCO PÊNDULO
Vivenciar o Amor...
Sentir na carne suas infinitas gradações de Luz e Choque... Amar sem limites... Desvairecer graças às suas múltiplas Metamorfoses... Consumir todas as Energias na Transcendência insana... Receber como esmola tímidos flashes de Nirvana... Oscilar entre o Hades e o Éden... entre as trêmulas mãos.... ébrias de Luz... do Anjo sem Asas... o CoringA-mor.
11) LUA (23/11/2000)
No Mundo da Lua vive, quem vive com a cabeça nas nuvens. Não põe os pés no chão, pois troca os pés pelas mãos. Quem na Lua teima em construir os castelos onde vive, faz os alicerces com nuvens. E as nuvens logo desaparecem, destruídas pelo Sol Real. Os castelos desmoronam, com as lágrimas despencam e sujam a Terra os escombros dos sonhos. O Mundo da Lua você pode visitar, pois poemas belos e belos ideais ele pode inspirar. Porém, amigo, ao que lhe digo seja todo ouvidos e abra bem seus olhos, para não ficar sem cabeça e sem pé. Quem avisa, amigo é. O Mundo onde vive não polua e não viva no Mundo da Lua.
12) LUA LÍRICA
Tua face na Lua
é fascinante... Oscilando...Faiscante... Ao Céu se misturam teus lânguidos suspiros... teus Cometas de riso... Tuas líricas lágrimas abrem estradas de Estrelas na minha face... É um belo Poema tua face na Lua... Viraste Metáfora... Enforquei-te...Iracema....
13) LUA, GENTE FINA
Fina Lua,
tão bela, tão nua. Sonha um dia ser Lua Cheia. Lua fina, esbelta menina. Flutua e me anima nas noites serenas. Menina maldosa, perfume de rosa, me arranha. Menina estranha, é triste e feliz. Se cala e me diz: Quero ser atriz nas Galáxias da Vida
14) LÚCIDA INCERTEZA 04/08/1985
Onde está a luz?
Que ao rumo certo conduz? Estará em Jesus Que morreu na cruz Pra nos salvar? Está no céu no sol? Que toda manhã Vem nos iluminar? Estará no fim do túnel, onde insistimos em ficar? Estará num lugar Onde só os sábios Sabem onde fica ? Está no luar ? No lampião a gás? Ou dúvida atroz Estará luz dentro de nós ?
15) LÚNICA 01/01/1988
Sensível saudade de ti
Nesta sinistra manhã de abril Meu verso não se esqueceu Ele quase enlouqueceu Tua malícia não era fictícia Como pensavam nossas vistas Teu feitiço foi um desafio Eu quase me desfio Vampirizaste meus símbolos Mas troquei o sangue por ciscos Arpoaste minha pureza Mas o arpão virou estrela Tentaste corromper meus ideais Meus sinceros e elevados ideais Mas a tua moeda é falsa Nem Satanás aceita mais Sinistra saudade de ti
Nesta cítrica manhã de abril São teus olhos funestos Dois buracos negros Têm ímãs irresistíveis Mas deles me vi livre Apagou-se do meu coração O como desta libertação Tua voz é algo louco Tem menos tentáculos o polvo Teus dentes, facínora Tem menos veneno a víbora Mas minha lira me cura Da tua loucura, da tua cicuta Não desistirás nunca Deverei eu matar-te, Lúnica ?
Assassinei a saudade de ti Com o Calor do Sol de Abril
16) LUTO
Flores folhas e frutos
Radiantes como o Sol do Norte Tudo se cobre de luto Ao mínimo toque da morte.
17) MÃE AMOROSA (13/05/1984)
Mesmo com tanta guerra, tanta fumaça, tanta desgraça, tanta miséria, ainda é possível um amor de Mãe. Um amor sincero, um amor presente a todo instante perto de nós. Mesmo com tanto vício,
tanta tristeza, tanta vileza, tanto desperdício, ainda é possível ser uma Mãe. Ser uma Mãe
simples, alegre, carinhosa e muito formosa, por dentro e por fora, assim como Santa Branca, a Nossa Senhora.
18) MAGO
Sou o Mago-Poeta,
minha pele é azul porque sonho demais. Minhas asas de seda refletem as Estrelas por onde passo. Meus erros são cometas, são refrões, são lições. Fazem-me lembrar: Sou mais que Poeta, sou menos que Estrela, sou apenas um ser humano. Meu sonho não anda sozinho. Não deve pisar no sonho vizinho. Os sonhos devem voar unidos. Aliados alados na construção do Mundo Ideal. Só assim sou um Mago no sentido real. Só assim sonhar é viver. Só assim querer é poder. 19) MANCHETE PRIMEIRA
Assassina de crianças
atormentada por coro de Anjos suicida-se devorando orquídeas brancas 20) MANCHETE SEGUNDA 06/03/84
Dragão Diamante esmagado pela simples lágrima de orvalho.
21) MANDALA (1ª) 03/01/1988
M ágica circunferência... A ntes de toda Existência... N ítida...Boiavas nas Essências... D e toda a Humanidade... A ntes da Cisão, L onge do Caos Existencial, A penas boiavas... Sem Missão... 22) MANDALA NO OLHAR (24/04/1988)
- Que mito se iguala
ao Filho da Virgem ? - Tuas Íris que tingem de Verde minh’alma. - Que símbolo é igual aos meus Verdes Olhos ? - O Ouroboros , a Lótus, o Santo Graal . 23) MARILHA (24/01/1988)
M arília, cadê Dirceu ?
A s garras do Fado R aptaram o rebanho, I mplodiram o ídílio. L amentos sem eco. I nsípidos tempos de Ilha A té o fim dos tempos. 24) MEDÍOCRE (13/12/1987)
Não foi de vôos, que eu falei. Foi de algo rastejante, mas não era serpente. Foi de algo sórdido, mas não era pecado. Foi de alguém desprezível, mas não era você. 25) MEFISTOFÁLICO (11/07/1986)
Meus pés sujos de lama e podridão
mergulhados na imensidão dos lagos pútridos e fétidos da Transilvânia. Minhas mãos pegajosas e letais revolvem as verves dos animais assépticos e cheios de artimanhas. Meus dedos são pêndulos macabros percorrendo alfarrábios atrás de antigas poções e de invenções maninhas. Minas unhas são punhais cujas lâminas curvam-se para trás, provocando fortes emoções nos meros mortais. Meu cabelo de serpentes é feito, produz um mefistofélico efeito, morde o pescoço das virgens que sentem vertigens e se entregam a torto e a direito. Meus pés são patas de cabra que, com pisadas macabras, afugentam aldeias inteiras. Minhas costas são lisas e escorregadias, as das rãs também são assim. Servem de aeroporto para traças, cupins e bichos afins. Meu sexo é torto e repleto de estrias, que formam espirais. Quando ele entra por trás, ninguém pode agüentar, faz um estrago gigante. Todos ficam com nádegas de elefante. 26) MENSAGEIRO 20/01/1987
Sigo os passos da Poesia
Me desligo dos abraços da Maresia Sinto os espaços Consinto com os laços Da Alegria Afasto os fantasmas Da Melancolia Me alastro Por entre os claustros Do dia-a-dia Peço passagem Imerso na imagem Da Fantasia Sou o Mito da Miragem Transmito a mensagem Da Poesia 27) MERGULHO SURREAL
Símbolos...Mitos...
Eterno Fascínio... Colagens...Decolagens... Imagens...Ímãs da Alma... Iscas do Íntimo... Eleve seu astral... Com o... MERGULHO SURREAL
28) MESTRE MAESTRO (14/10/1998)
Mestre é maestro, ensina as estrelas a brilhar em sinfonia sem silenciar suas luzes individuais. Mestre é quem mostra que, quando as palmas das mãos se encontram, as linhas da vida se entrelaçam, tecem a tela mágica onde o milagre se faz. Onde a Terra deixa de ser Planeta Guerra e transforma-se no Planeta Paz.
29) MEU CRISTAL PARTIU-SE 30/08/1987
Meu cristal partiu-se E com seus cacos Construí um mosaico Mas o menor deles perdeu-se Justamente o principal O que contém a essência O Princípio do Cristal Abriu-se um oco Nos meus dias E esse largo oco Era a porta da saída Para o outro lado da vida Paredes lisas Volumosas paredes Penosa é a descida Que se faz presente Vi brotar Um cacho de dúvidas No meu mosaico Meu cristal partiu-se Meu Tao Perfeito Exilou-se de mim
30) POESIA DE AREIA 03/02/1988
Meu derradeiro poema
Escreverei com areia Na pele do mar Cientistas do mundo inteiro Estudarão o Fenômeno Do Poema Flutuante Sem decifrá-lo.
31) MEUS DEDOS FERVENDO (20/09/1986)
Meus dedos fervendo, brincando com as frias teclas do piano. As notas marcam, com meu logotipo, a alma da platéia. Para compensar o silêncio glacial, reinante no labirinto de meu coração. Percorri todos os ramos de minha árvore genealógica, mas não a encontrei. As cordas do piano são meus músculos. As pernas são meus ossos. As teclas são alvinegras, são meus olhos de pantera. Fim do conserto. Saio do Teatro deslizando sobre palmas. Os sinos da Catedral queriam esmagar minha Vitória-Régia. Escondi-a em minha Torre de Gigabytes. Retornei para meu lar. A Vitória-Régia retornou para mim via Internet do Inconsciente.
32) MIL E UM SUPLÍCIOS DE UM APOSENTADO 03/02/1992
Acordo sete horas.
Todo emperequetado entro no ônibus lotado. Saio todo amassado. Que ódio ! Sou aposentado ! Na fila do banco, vem aquela euforia. Mas chego no caixa, o que ele diz ? "A caixa tá vazia." Que ódio ! Sou aposentado ! Quando chega a noite, eu ligo a televisão. O que diz o Presidente ? "Tem dinheiro de montão." Que ódio ! Sou aposentado ! Essa novela econônima, é cômica, é trágica, é patética. Eles se dizem Economistas, mas não sabem Aritmética. Que ódio ! Sou aposentado ! Ou então é sacanagem, esse tal de Orçamento. O roubo deles tá incluído, mas não tá o meu pagamento. Que ódio ! Sou aposentado ! Não acaba essa novela. Janete Claire, onde quer que esteja, embora esteja morta, deve morrer de inveja. Que ódio ! Sou aposentado ! E o Autor dessa novela, me dá o papel de Vilão. Estão todos me dizendo: "Você é a causa da Inflação !" Que ódio ! Sou aposentado !
33) SANGRA SANTA BRANCA (01/12/1990) A Branca Vitória-Régia abotoa suas pálpebras, lenta. Pálidos, meus poemas, sangram. Míngua Santa Branca. Do Céu Estrelas despencam, em silencioso suicídio. Meus poemas se desorientam. Santa Branca míngua. A Santa Vitória-Régia desabotoa suas pálpebras, com seus dedos de orvalho e lágrimas. Solares, meus poemas avançam. O “Santa” de Santa Branca arrancam. Da pálida Derrota-Régia soldam as pálpebras, lentos, meus heróicos poemas. E incineram e canonizam, as suicidadas Estrelas.
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