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TRAJECTOIRE DE MAURO VALENTE
Je suis né à l’année de 1967, à la ville de Rio de Janeiro, quand j’ai reçu le nom de Mauro Brito da Silva.
En 1991, j’ai reçu le diplôme de la Faculdade de Letras da UFRJ, référent au cours de Portugais-Litté ratures.
Je m’exprime à travers de plusieurs arts: Littérature, Arts Plastiques, Danse e Thêatre. J’utilize tout le pouvoir des symboles et des mythes pour intégrer, dans mes oeuvres, les divers aspects de l’être humain et aussi les arts les uns avec les autres.
J’ai commencé à écrire poésies à cause d’ inspirations subites. Aux cours d’oficine littéraire, j’ai appris à mieux contrôler le processus criatif. Mes poèmes ont été déjà exposés et publiés, à cause de recompenses que j’ai reçu et de ma propre initiave.
J’ai presenté mes essais littéraires deux fois, pour être invité. Une fois pendant un congrès organisé par la Faculté de Lettres de la UFRJ.
J’ai appris à faire collages en 1982, au Colégio de Aplicação da UFRJ. En 1992, j’ai suivi un cours de collage, quand j’ai été éleve de Monica Barki. Dès 1991 jusqu’aujourd’h ui, à propos de cet art , j’ai dejà réalisé six expositions individuelles et trois collectives . J’ai exposé deux fois aux galeries du SESC, à Friburgo et à Tijuca.
Origam i j’appris à faire avec les programmes enfantins, que j’ai assiste à la télévision. J’ai amélioré ma technique comme autodidacte et au cours que j’ai suivi au Centre d’Artes Calouste Gulbenkian, em 1999, dont le professeur a été Mirian Nigri, membre du grupe Origami Rio. À ce même année, j’ai participé d’une exposition collective, où j’ai exposé mes origamis.
Le Tablado m’a enseigné à ëtre acteur, grâce aux trois cours que j’ai suivi dans cette institution, em 1985 et 1986: improvisation, interprétation et expression corporellle. Le professeur d’improvisation à été Ricardo Kosowski. À l’année de 1995, j’ai été membre du grupo Fazendo Arte, travaillant comme chanteur au choral et avec le théâtre enfantin, comme acteur et faisant les scénarios.
L’o bjectif de mon projet d’enquête a été démontrer les différentes relations entre les fous et les mythes, dans la fiction brésilienne. Je l’ai realisé entre 1990 et 1991. Je suis financé par le CNPq et orienté par le professeur-doct eur Wellington de Almeida Santos.
Intégr ant les arts, les uns aux autres, j’ai déjà realisé: deux expositions de poèmes et collages; une oficine par suggérer aux professeurs técniques d’interaction entre Litterature et Arts Plastiques.; huit performances, alliant Poésie, Théâtre et Arts Plastiques, une d’entre elles au théâtre Vila Lobos.
Em octobre 2000 j’a participé de la pièce “Os Gregos”, crée par la Companhia de Teatro Medieval. J’ai actué improvisant avec l’actrice Márcia Frederico, par qui j’ai été choisi pour avoir répondu correctement ses demandes sur les mythes grecs.
En 1995 j’ai lu le livre “Tarô Mitológico”, que m’a aidé à commencer ma carrière de tarologue. Dès le commencement, j’ai fait un grand succse, parce que je me suis revélé très habile en donner des conseiiles pratiques, utiles a résoudre les problèmes de mes clients et en faire prévisitions, qui ont été vraiment realisées.
À l’année 2000 j’ai realisé deux songes, que j’ai déjà eu longtemps. Le premier a été le lancement de “Coração Coringa”, mon premier livre de poésies, où les phases de la lune symbolisent beaucoup d’étapes et plusieurs types de relations amoureuses. À ce livre, je m’ai dédié pendant dix ans, m’ocupant de tous les détails: écrire les poèmes, créer les illustrations, faire la révision, le relier, le vendre. Ce livre a été mon second grand succès, comprové par la vente de beaucoup d’exemplaires.
Le second rêve que j’ai realisé, l’anné 2000, a été la création de “Poesia Energética” mon premier site pour l’internet . Dans ce site, je presente la proposition de la totalité de mon oeuvre poétique, qui est la d’englober tous les aspects de la conduite humaine. Les poèmes sont classifiés par catégories, symbolisées par les quatre éléments et illustrés para mes collages, inspirés sur le Taro.
Depuis 1999, quand je m’ai decidé concentrer toutes mes énergies et tous mes talents dans une seule série de libres, je me lui dédie. Mon objectif est prouver à tous que, dans chaque personne, existent les moyens pour réussir à améliorer la qualité de vie. Et ce sont faciles à découvrir, à partir d’un chose simple et accessible à tous: les proverbes brésiliens. Ça est possible parce que ces proverbes possèdent les mêmes symboles que le taro, par exemple: la Voiture, la Lune et le Monde. À la version en français de ce série, que je suis en train de traduir du portugais, j’ai donné le titre de “Taro Brésil.
J’ai choisi Mauro Valente pour être mon nom artistique, parce que c’est le que mieux me caractérise, dans trajectoire de vie. Dans ma constante lute pour exercer mes droits, comme citoyen; pour réaliser me rêves, comme artiste; pour superer mes limites, comme être humain.
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Publié le 24/05/2008 à 2:42:25 AM
Par Mauro Valente
1) AMBÍGUAS AMBIÇÕES 05/08/1989
Ser ambidestro
Ser poliglota Ser bissexual.
2) MINISTRA SINISTRA INSISTA
Venha me danar,
minha doce sinistra, no vestibular. Venha cortar as verbas da minha Universidade querida. Ficas feliz da vida. Satisfaça teu desejo de arruinar o ensino e a pátria amada. Entrega os alunos à própria sorte. Emburreça o povo. Minha doce sinistra, mesmo a me danar, me acostumei com você. Sempre reclamando da greve. Que vives provocando... de leve... Mas nada me assusta. Porque mesmo à muita custa, tu vais te feder, vais ter aroma de asco, como te apraz. 3) MISSÃO COMPRIDA (26/07/1985)
leve
rima pluma solta pêndulo alvo desce livre lento pouso brisa sopra pluma dança vira pomba paz asas ruflam corpo singra ar sobe meta ápice prédio chega rima cai leve livre solta tiro fere paz sangra queda morte
4) MONSTRO CONFUSO 17/12/1987
Monstro confuso,
procuro o escuro, mas tudo é luz. Morro três vezes ao dia. Morro na manhã plena de borboletas brancas, negras na minha mente. Morro na tarde ardente, gélida na minha mente. Morro na noite invisível, transparente na minha mente.
5) MONSTRO PODEROSO (26-06-1988)
Quem ousa sonhar-me,
neste dia tão penumbra ? Quem ousa tirar-me de minha mansão, da espessa bruma, das sombras sagradas dos meus antepassados ? Quem ousa arrancar-me dos abraços iluminados pela insânia bendita da Fosforita ? A sacerdotisa egípicia condutora das chamas, alimento das rosas de Ìsis. Quem ousa forçar-me à estúpida viagem, por encapelados mares, com capelas se chocando de encontro ao casco desta nau nefanda ? Como se chama ? Quero chamá-lo ! Fazê-lo arder em chamas !
6) VOLTAS... 12/09/1991
Moramos em Campos Semânticos, antagônicos. Só em Sonhos matamos o Hiato. Só assim eu sou teu Centro. Só assim tu és meu Centro. Abolido o Hiato nos aglutinamos. Vivemos à deriva, à derivação.. Nos envolvemos.. nas voltas.. nas volutas... nas volúpias da Paixão... Acordamos tontos... atônitos... à tona da Solidão. Cada louco em seu Campo. 7) MORRI NUMA MANHÃ PLENA (22/12/1987)
Morri numa manhã plena de borboletas negras. O Sol impôs seu eclipse às minhas idéias plenas até às vísceras da luz da Lua. A Lua Negra menstruava na cabeça dos poetas, nasciam teorias oníricas. Eu morria. Morri numa avenida pavimentada de Cristos, nos braços da maldita. Meu nome me ignora. Ridícula condição de morto.
8) MORTE (24/03/2000)
A Morte é certa,
a sua hora é incerta. Por isso a Esperança, nossa eterna Flor, nossa Estrela eterna, não usa relógio. A Morte é serpente esperta. Nos espreita entre as frestas dos ponteiros, das festas. Espera a hora incerta para nos atacar, para afastar nossa face da face deste planeta. Por isso renascemos a todo momento. Por isso nas pétalas da Esperança está sempre acesa a chama da vida.
9) MORTE IMPOSSÍVEL (28/10/1987)
Não vou matá-lo nem se me pagarem para fazê-lo. Não vou matá-lo nem se me apagarem por não fazê-lo.
10) GRANDES MUDANÇAS 05/08/1990
Mudam-se os tempos, mudam-se os Governos. Mudam-se os Planos, muda-se o dinheiro. No Brasil, tudo é composto de mudança, mas é sempre a mesma realidade. Continuamente vemos novidades,
diferentes em tudo da Esperança. Do Governo, resta-nos a lembrança. E do salário (se algum houve) a saudade... A Ministra cobre seus cofres de verdes montes,
que já cobertos foram de moedinhas, e converte em zeros a conta minha. Este fabuloso mudar-se, esta Magia,
faz do Brasil o grande, o maior espanto, pois muda tudo e nada muda a cada dia.
11) MUNDO (04/05/2000)
Perde o compasso,
desalinha o traço do seu Destino. Aponta seus ponteiros com mira certeira para o abismo. Faz papel de palhaço quem tenta dar um passo maior que suas pernas. Por pensar ter pernas capazes do milagre de abraçar o Mundo. 12) MUSA MEDUSA
Ontem,
eu vi o Amor emaranhado nos cabelos de uma Prostituta. Comprei alguns fios para abrir os Portões do Inferno. Para resgatar Perséfone, minha Musa Eterna . Mas Cérbero não quis deixar: “É muito cedo pra você entrar ! Volte somente quando Satanás chamar !” Em desespero, tentei devolver os fios para Medusa. Respondeu-me a megera: “Não aceitamos devoluções.” A única coisa a fazer é plagiar Augusto dos Anjos !
12) MUSA PRAGUEJADORA 23/05/1988
Gosto de ser ave
Invadir os Domínios Violar os códigos Enforcar a Lógica
mórbida das Famílias nas entrelinhas Mergulhar no Abismo Trazer no bico Metáforas desaforadas E com estas Metáforas libertinas libertar a Língua.
14) NA ESFERICIDADE DOS DIAS 03/04/1988
Na esfericidade dos dias
A vertical líquida A assimetria onírica Vivenciar a água A hóstia marítima O orbe central.
15) NA FACE ENRUGADA DO LAGO 18/08/1988
Na face enrugada do lago
Tremula tua face escarlate Estampa ampla de outras faces Nenhuma com o brilho Do teu sorriso amplo Este poema é um lago Com o emblema da alegria E no teu sorriso largo Brilha a minha poesia
16) NA PORTA DO CÉU (03/05/1986)
Você vai de alado garanhão.
Eu vou de alado corcel. A gente se encontra na porta do céu. Você vai de Boeing.
Eu vou estilingue. A gente brinca na porta do céu. Nos segue um cometa,
isso a gente comenta na porta do céu. As constelações-pergaminhos
nos mostram o caminho para a porta do céu.
17) NADA 18/05/1988
Nada sei
Além de mim Nada sou Além de ti Nada ouso Além de nós
18) NASCE UMA NOVA ESTRELA
Tu vens
cavalgando teu cometa ! É o Cometa Dólar ! Tens na mão direita o meu presente Meu coração já pressente... É o Óscar ! Desmontas e demonstras o quanto me amas... Apenas com teu mágico olhar, nem precisas falar, já me arremessas rumo à cama ! Entre orgasmos dourados de rara beleza transformas esta pobre alma em Estrela de Primeira Grandeza !
19) NATAL ASTRAL
Deus compôs.
O Anjo regeu a Sinfonia de Amor. A Estrela cantou. O Mundo acendeu, virou Presépio de Luz. A Vida venceu ! Nasceu Jesus !
20) NAUFRAGAR É PRECISO 29/07/1990
Farol na proa da Nau. Navega, sem velas, Luís, o Inteiro. "Onde está o Sinal ?" Luís, és Nevoeiro. Ondas de Incêndio, Pinheiros acesos. Navega Luís, é o seu Enterro. Farol na proa do Esquife. Ilumina Luís o Nevoeiro. "Onde está o Eclipse ? " É o Sinal Verdadeiro. Engole Luís o Farol, Pinheiro aceso roubado ao Mar. Pinheiro aceso na Proa do Esquife. Naufraga Luís, o Inteiro. "A Hora do Eclipse ! " Afunda Luís, é o teu Berço. Ondas de Incêndio, nada Peixe Negro. Negro Peixe com Farol, Negro Peixe com Luz, Pinheiro aceso na proa de Luís.
21) NAVEGUEI TUAS VEIAS 29/10/1988
Naveguei tuas veias Com a avidez das sereias Eram cisnes brancos Eu estar navegando Eram plácidas penas As tuas veias Eram árvores proteicas A avidez sereica Invadi teus olhos Roubei tuas íris Eram anos e anos A minha invasão Eram ossos preciosos Os teus olhos Eram as íbis de Ísis Tuas íris E no céu A lua era flicts Perdi uma íbis nas penas E ela aflita Nadou milhas e milhas Até regressar à pátria A pátria que eu ceguei Sua ausência era plena Quando os cisnes Aportaram em Flicts. Ofertei a íbis sagrada À Deusa da Pátria A minha Pátria adorada Que, pela primeira vez, Olhei .
22) NESTA NAU FRÁGIL, ME REALIZO (26/07/2001)
Engulo ,feliz, o farol. Pinheiro aceso roubado por mim ao Mar. O Eclipse é meu cúmplice. É a hora certa de meu nevoeiro acender e minh’alma ao Abismo do Paraíso ascender. 23) NIILÍRICO
Hoje amanheci oco,
pronto para o ócio. Meus ossos... A estrutura de cristal de meu corpo desmoronou... A Poesia abriu-me suas asas com penas plenas de Luar... Rejeitei sua esmola, não preciso de um lar. Já sepultei Todos os meus versos num deserto. Agora só quero morrer
24) NINHO D'ALMA (29/08/1989)
Minh’alma,
retorno ao teu ninho. Porém, continuo vazio. Falta-me uma asa. O falcão foi ferido por Seth, o crocodilo maldito. Com as penas do falcão Seth faz seu trono, seu habitat natural.
25) NO RIO, OS MONTES 26/06/1988
No rio, os montes
São feitos de nuvens Nebulosos montes A correnteza Arranca suas raízes E os fecha em círculos Nebulosos círculos Girando... Girando... em direção ao mar No mar, os círculos Formam flores Formosas flores Seu aroma nebuloso Encanta a todos Todos cantam No canto, o aroma Sobe ao céu E forma uma flor Úmida flor No alto do monte
26) NOITE ESPERADA (27-05-1999)
Hoje eu quero a jóia mais fina que houver e a estrela que mais perto estiver, para enfeitar a noite que já vem. Hoje eu quero o aroma da rosa dormindo a solidão da lua se abrindo, para ser da noite o refém. Hoje eu quero vestir meus lírios pelo avesso. Quero todos os espinhos que mereço, para enfrentar a noite que não vem. 27) NOITE NA MOITA (24/12/1985)
Que mistério oculta a Noite ? Que moita é essa ? Deixa-me assustada... apavorada... excitada.... enfeitiçada... O que oculta esse Véu negro e sólido ? Perturba-me tanto... Deixa-me pálida de espanto... roxa de ânsia... 28) NOS BECOS DA SOLIDÃO (21/12/1987)
Nos becos sinistros
da Solidão, só morcegos havia. Meus gritos aflitos perdiam-se entre guinchos. Asas negras desenhavam lembranças. Sombras entre escombros. Perto demais de meus olhos. Ilusões de luz, de hora em hora, riscavam o céu. Longe demais de minhas mãos. A Lua foi passear, foi namorar e não voltou. Ouvi um sino tocar várias vezes em meu coração . Depois silêncio... EXPLOSÃO Uma enorme onda de asfalto engoliu-me. Mas logo cuspiu-me. Eu estava amargo demais. 29) NOVA EUCARISTIA
No círculo de leite,
a Cruz em êxtase. Nos olhos do operário, a Hipnose incendiada. Seis horas da manhã, fome e desespero. Sanduíche de pão, sem tempero. A Hora da Comunhão ! A Hora do Milagre ! A Hora da Fé ! A Fome é Divina... A Fé é Satânica... Nas mãos do Operário-Padre o pão se abre, abriga o pé. O dente corta o Padre-Cobra fecha-se em Hóstia. Na Hora da Caristia, se inicia a Nova Eucaristia. Badalam sinos imensos de lava logo abaixo da casca de asfalto. Sobre a Hóstia uma Auréola de Orgasmo. Cobre a Hóstia uma Aura de Orgasmo. Badalam sinos em sobressalto ! Seis horas da manhã na Avenida Catedral. A Hora da Comunhão ! A Hora do Milagre ! A Hora da Fé ! O Padre doberman ereto, etéreo, herético, hierático, celebra a Nova Eucaristía. Fiel Senhora com três cabeças e coleira de caveiras, voraz como as hostes infernais, devora a Hóstia ! 30) BRILHO, LOGO EXISTO
O Céu, um Árco-Íris
A Cauda do Pavão Olhos cintilam Vejo-o em mim Gira e brilha Em sete Cores Giro e brilho E existo assim 31) O ANJO ANUNCIOU
O anjo anunciou
A estrela indicou A manjedoura acolheu O milagre aconteceu O amor triunfou Jesus nasceu 32) O BONDE PASSEIA DE SONETO 16/05/1992
Bonde simples,
novo Orfeu. Sublime Hífen entre Terra e Céu. Bonde, Cachoeira, Metáfora de onde a Humana História aflora. Bonde lírico, Estrela deslizando entre trilhos. Bonde Espiral, Arco-Íris de Alquimia. Onde a vida vira Poesia.
33) O COLECIONADOR
Adoro esse seu ar de porcelana chinesa Quando for suspirar me lembra Eu aspiro o suspiro e guardo com todo carinho na minha coleção. 34) O CORO DAS CATEDRAIS (28/02/1992)
Das catedrais o coro de bronze prolongasse em ondas vagas, indecisas. Terreno estéril, fértil em hecatombes inúteis. Os divinos representantes, cobertos de hábitos imundos, descobrem-se desnudos pelos olhos vigilantes da Virgem Ofuscante. Loucos, correm. Frouxos, fogem. Animais bestiais, atam-se às feras que corroem seus ossos, que corrompem suas almas. Seus espíritos espalham-se, perdem-se ao procurar o Portal do Éden. Reúnem-se e concluem: preferem comungar com Lúcifer. 35) O DEUS CONSERVANTE 27/01/94
Meu Deus, minha Estrela Guia, minha Águia Eterna, meu Rei. Me preserva da Guerra dentro da tua Alma Perfeita. Me conserva entre as tuas firmes Asas. Me faça eterno entre as gélidas Tábuas da tua Lei.
36) O EU DO ESPELHO
Vejo um sujeito atrás do espelho. Estou na mira de seus olhos. Mudo de espelho a imagem permanece. Sempre olhos. Olhos brilhantes demais para serem reais. Olhos me dizendo: “Somos um só. “ Não pode ser. Ele sabe mais sobre mim do que eu mesmo.
Publié le 24/05/2008 à 2:43:39 AM
Par Mauro Valente
1) O ILUMINADO (14-05-1988) A Lima Barreto e Fernando Pessoa
Quimeras sob Eras somem,
sob Eras que Quimeras não têm. Ser descontente é ser patriota. Que as Forças cegas exortam a cegar-se, ele também ! E assim passam os três Tempos do ser que sonhou. A Terra é um Teatro, a Terra é um Antro, na eterna noite do Show ! Índio, Terra, Revolta, os três a Era engoliu. Os três nada eram. Quem vem viver o Brasil que morreu Policarpo Quaresma ? 2) O POETA VAMPIRO (24/01/1988)
Conseguia a tinta para suas rimas com suas vítimas. Por vezes era difícil. Os escolhidos não percebiam a grande honra que era colaborar com as obras do Poeta. Havia um estoque de tinta vermelha na dispensa, para os poemas mais longos. Se alguém tivesse a idéia de espremer seus sonetos, veria sangue escorrendo.
3) O POLVO DO AMOR (08/08/1987)
Amor é polvo facínora, suas pétalas pegajosas me fascinam. 4) O PREGADOR 05/11/1987
Prego a soberania do Sonho
Sobre o monte Com palavras pontudas Nas pessoas ocas. 5) O QUE ÉS ?
Se és árvore, tua seiva é negra, teu orvalho é veneno. Flores ? Só carnívoras. Se és lua, teu novilúnio é perpétuo, tua lágrima é assassina. Mãe ? Só de Cérberos . Se és nuvem, tua chuva é radioativa, cobre a Terra de luto. Água ? Nem em sonhos veio. Se és pura, és pura casca. Tuas máculas São profundas. Se és Poesia, só tu és digna do nome. Tua rimas são vampiras, teus versos são lobisomens.
6) O RETORNO DO CAVALO (12/09/2000)
Volta pra casa. Muda de vida, musa bandida. Devolva minhas asas. Toma juízo, toma semancol. Você é meu eclipse. Não quero mais ser teu sol. Devolve meus sonhos. Devolve meu corpo. Apaga teu facho. Eu desfaço meu despacho. Te liberto, meu capacho, meu cavalo. Vá procurar outro dono.
7) O SANTO E O MAGO 04/05/1988
São versos infantis São versos de Mago São versos aparentados Aos de Assis De Assis é Francisco O Mago é Valente Francisco Valente Teu canto é matriz Maciça matriz Matéria solar Teu doce olhar É um colibri Colibri a sugar Da rosa dos versos Dos versos do Mago A força que tem E eu digo amém Pois eu sou o Mago Francisco amigo Corisco, lampejo Nas nuvens te vejo Sorrindo pra mim Pra mim e pro Mundo Ouça o que eu digo Um dia eu consigo Nascer em Assis E brinco contigo De seres tu Mago E eu ser Francisco Corisco de Assis
8) O VENENO DE ATENAS
Sublime perfume de Poesia perfura-me encaderna-me faz-se Raiz em mim. Atenas, acesa, ardente,Serpente, adentra minha mente. Subverte as correntes elétricas ! Vela Eterna, meus Poemas ardentes amam Atenas ! Eleito Poeta, em gozo eterno escorro rumo ao Inferno !
9) OBSERVAÇÕES 29/10/1992
Veja aquele operário, sentado naquela esquina. Não vive nem de salário. Sonha viver de propina. Veja aquele senhor milionário,
comprou de tudo na vida. E não tem alegria. Não consegue comprar Amor. Veja aquele delegado.
Para sair da rotina sequestra ricos empresários e devolve, logo em seguida.
Não, não estou errado.
Nenhum soube escolher sua sina.
10) OBSESSÃO EM VÃO (08/10/1994)
Invado o cemitério ! Arrombo tua sepultura ! Estraçalho teu cadáver ! Porém quanto mais perto estou de ti, mais longe estás de mim... Implodo uma Igreja ! Seus Anjos carregam-me para o Inferno ! Em chamas te chamo ! Porém vives nas nuvens... Não vens... Não vês... Eu te amo ! Destruo o Mundo ! Destruo minh’alma ! Mas não mudas ! Ou és muda ! Ou não me amas !
11) ODE À INSPIRAÇÃO (19-07-2000) Quando sinto meus pés na cova. Quando perco para mim o sentido. Deixo os pássaros encantarem meus sentidos. Sento, e escrevo mil trovas. Quando me dissolvem meus dilemas. Quando só ouço o ruído de meus sonhos ruindo. Ouço o doce canto do vento. Sento e escrevo mil poemas. Quando me abandona até a alegria. Quando só me visita a tormenta. Procuro cantar em silêncio. E encontro, escondidos em mim, os pássaros e o vento.
12) OGRO LOUCO (08/11/1987)
Meus sonhos o Ogro Oco ocultou.
13) OLHOS VERDE-ESCÂNDALO (31/05/1987)
Teus olhos verde-escândalo, vou transformá-los em meus relógios. Não adianta escondê-los diante dos meus olhos.
14) ONTEM ELE VEIO ME VISITAR (31/12/1986)
Ontem ele veio me visitar Trouxe um ramo de rosas Tão odorosas... Todo rosado ficou o ar Me encontrou sonhando Com ele a me amar Não ousou me chamar De volta o meu Lisandro Mas senti sua presença E disse o nome dele Ele beijou-me a pele Dos seios em recompensa Abri meu olhos e ao vê-lo Arrepiei-me de emoção Seu coração Seu expressou com tal desvelo Que o meu se calou Só para ouvi-lo Meu doce sibilo Falando me encantou De minha humilde casa Lisandro fez um castelo Satisfez meu anelo Com seu amor sem farsa Acordo hoje feliz Mesmo estando sozinha Me coroou sua rainha Meu amado peri
15) ORAÇÃO A SANTA BRANCA (com bula)
Rezo sempre a Santa Branca Rezo sempre a Santa Alva Para ver se o Vento avança e me leva os Véus da alma. Rezo sempre a Santa Branca
Minha Lira, minha Estrela Para ver se o Vento encanta minhas rimas...já tão velhas... Rezo sempre a Santa Alva
minha Santa sem Rotina. Para ver se o Vento salva o meu canto da Ruína. Rezo sempre a Santa Alva
Rezo sempre a Santa Branca Para ver se o Vento arrasa a Lua Parnasiana. Rezo sempre a Santa Alva,
minha Santa de Cetim, para ver o Vento afasta este Sol feroz de mim. Rezo sempre a Santa Branca,
minha Flauta, minha Fada. Para ver se o Vento dança minha Ciranda exilada.
Bula: *Rezar três vezes ao dia: ao nascer do sol, ao meio-dia e ao anoitecer. * Rezar diante da página em branco. * Se não houver tempo para rezar toda a Oração a Santa Branca, pronuncie apenas as rimas finais. *Começar no primeiro dia da Lua Nova, ao chegar no último dia da Lua Cheia, a renovação da linguagem poética, e do ser humano, estará completa, e será irreversível.
16) ORDEM À LUA
Lua, não sorria ! Se sorrires, haverá Poesia! Se te ouvirem, as máquinas param o Século Vinte ! Se o Século pára, os homens dançam, os homens se igualam ! E as máquinas criam pernas e braços ! E as máquinas dançam ! E Estrelas e Astros nos longes do Universo acompanham o compasso! Cantando versos de Perfeita Harmonia ! E dança o Século ! Suprema Alquimia ! Todos são rimas em imensa Poesia ! O Amor renasce ! Falecem os disfarces ! Não, não sorria, Lua ! Gargalhe ! 17) ORQUÍDEA NEGRA
“Orquídea Negra,
Abismo absoluto, ninho pútrido de Vampiros Apocalípticos. São nutridos com os vícios mais vis pela mão da Lua-Mãe. Mal a olha o Sol inflama e retesa suas flechas. Zelosa, não espera, fecha sua corola. A Mãe, alerta, põe-se em sentinela. Vela pelos sonhos. Chifre em meio à testa, asas de morcego, dentes de serpente, corpo coberto de pelos, .................................................” Extraído do livro: “Tratado acerca dos Vampiros: suas origens, seus hábitos, seus delírios.” 18) OS ELEFANTES BRANCOS (19/09/1999) (Co-autoria com Walkiria)
Os elefantes brancos
caminham mansos, sobre a estreita visão de um alucinandrógino sem barreiras. O olhar ávido da ave do paraíso prescreve um ritmo, para que os bosques busquem paradigmas alados. Os elefantes de casca de nós, carcaça dura como rocha, caminham humanos sobre o solo de amianto, sob o sol de diamante. 19) PÁGINA BRANCA (29/07/1990)
Página branca,
pálido sarcófago, onde vou eternizar minha estrutura de cristal, meus líricos ossos.
20) PAGUEI, PAGUEI (21-04-1989)
Paguei, paguei, agora estou sem um vintém. Já não devo mais a ninguém. Abençoei o dia em que me libertei. De palhaço me vesti e me pintei. E cantei e pulei e dancei. E deitei e rolei. Como é feliz viver assim. Mas num instante de aflição, vi um enorme Leão. Vinha pra cima de mim. Chorei, chorei. Só queria um pouco de paz. Mas senti foi pavor. O Leão só fazia rugir e repetir: -- Quero mais ! Quero mais ! Quero mais ! Quero mais ! Com que dinheiro ? Estou sem nenhum vintém. O que pode agora alguém levar de mim ? -- Tua alma ! Tua razão de viver ! Não pode ser ! Gritei ! Que alívio... Acordei. 21) PAI NOSSO POETIZADO
Pai nosso, que estás no céu,
não deixes a morte abater-nos com seu negro véu. Santificado seja o vosso nome. A cada um que isto disser, dá forças para prosseguir e feliz viver. Venha a nós o teu reino. Pois se há felicidade sobre a Terra, é apenas um treino para a grande euforia que em teu Paraíso impera. Seja feita a tua vontade. Que seja cumprida por toda a humanidade, assim na terra, como no céu. Só assim o mundo será realmente lindo e a paz será infinda. O pão nosso de cada dia dá-nos hoje. E elimina a fome do nosso corpo da nossa alma, da nossa vida. Perdoai nossas ofensas, assim como nós perdoamos aos nossos ofensores. Para que a guerra seja apenas peça de museu neste Mundo teu. E não nos deixe cair em tentação. Pois nossa única missão é nos amarmos todos e sermos todos irmãos. Porém livra-nos do mal. Pois o mal é a doença da alma, que joga na lama nossa vida profana. Amém, que assim sempre seja, que a Terra seja sempre viçosa rosa, preciosa semente de um Universo divino eternamente. 22) PAPO FURADO (08/12/1987)
À beira do abismo duas pessoas conversam sobre nada. E sobre nada se passam horas e horas sem fio. Pessoas feitas de nada, de nada preguiçoso e vazio. Dentro do abismo, fastio feito estio, de nada a nada conduz um rio. Se ambas soubessem o que significa o nada, talvez o rio virasse cachoeira invertida e despertasse deste sonho ridículo as pessoas vazias. 23) PARADOXOS (02-12-1987)
Noite, Luz mascarada de luto.
Lua, fosforescência inata da Morte. Abismo, Montanha elevada ao infinito. Mar, essência líquida do Nada. Pesadelo, sonho oco de Luz. Monstro, vício maldito de Colibris. Incêndio, cálido hálito da Cachoeira. Estrela, perfeita esfera do Gato. Borboleta, etérea letra das Quimeras. Fado, fruto futuro das Fadas. Amor, ramo amargo da Moira. Brilhante, ameno amante de Antares. Rosa, roda régia da Vitória. Número, nome-númeno do Homem.
24) PARTO DO PORTO
Grávida, sua linda barriga polida na lida original, jamais é lida como ponto final. É ponto inicial, convida para a Poesia da Vida. Seios feitos com nuvens são esculturas. Produzem luzes para nutrir o Futuro. Pelas veias da Filha deslizam sinfonias de pólen polindo seu Espírito. A Filha brilha, é Estrela e Melodia. Os divinos seios de nuvem enviam raios de tinta-purpurina que ampliam o brilho de Estrela da Filha. Parto, porta que a Mãe abre para que Arte se alastre com alarde pela Natureza. Parto, porto de onde a Natureza parte para espalhar pelo Universo a Essência da Infância. 25) PATRÃO LADRÃO (21/04/1989)
Eu sei,
sei que sou um ladrão. Mas o que eu vou fazer ? Eu só sei roubar. Quem mandou me eleger ?
26) PERDIÇÃO (10/03/1985)
Me perco no azul dos teus olhos Entro em labirintos azuis E os percorro Agora o azul não é mais Paz e tranquilidade Não existe mais Aquela paixão azul Aquele amor azul Aquela felicidade azul Agora o que existe É uma angústia azul Uma agonia azul Diferentes tons de azul Ofuscam meus olhos Perco o equilíbrio E mergulho no amarelo Dos seus cabelos Mas esse amarelo Não possui uma avareza amarela Uma vileza amarela Esse amarelo representa Uma euforia amarela Uma alegria amarela Alegria que antes Achava-se perdida No azul dos teus olhos Você morde seus cabelos amarelos Caio em sua boca vermelha Cheia de ódio vermelho Cheia de amargura vermelha E no meio de tanto vermelho Me afogo Você lambe seus seios marrons Eu escorrego neles E caio na sua vagina preta E esse preto Não é um sofrimento preto Nem um dissabor preto Esse preto É uma cama preta É uma relva preta Onde me enrosco todo Seu prazer escorre Eu escorrego em seu prazer Me agarro em vão Nos seu pelos pretos Caio no chão E me desfaço Numa agonia azul Numa euforia amarela Numa amargura vermelha Numa cama preta 27) PERDIÇÃO 2 (19/06/1986)
No exato momento em que te vi Do percurso da virtude me perdi Pelas veredas do vício enveredei No exato momento em que te toquei Os prazeres da carne conheci Dos prêmios da castidade me olvidei Durante o lânguido instante Em que te percorri Com minha língua A estrada do perdição palmilhei Dos benefícios do perdão zombei No presto momento em que te inundei Com meus mar de sêmen No lar de Lúcifer ingressei E lá descobri O verdadeiro Éden
Publié le 24/05/2008 à 3:18:01 AM
Par Mauro Valente
1) PERPLEXIDADE E ILUSÃO
André: O que me faz dizer que te amo ? O que me faz cantar aos quatro cantos que te amo? O que me faz enlouquecer e dizer que é porque te amo ? Gina: Por certo não são meus olhos
duas rosas irradiando paixão e amor . Nem tão pouco são meus cabelos cascatas encantadas embaraçando teus pensamentos. André:O que me faz renunciar
a tudo o que me é mais sagrado, e viver só para ti ? O que faz eu me desdobrar em mais de mil de mim só para aos teus caprichos servir ? O que semeia labirintos em minha mente me confundindo com paradoxos sem fim ? Gina: Não podem ser minhas pernas
duas serpentes a te tentar a atentar contra o teu juízo. E menos ainda pode ser meu riso delicioso som que te enfeitiça e te conduz ao paraíso. André: O que me faz flutuar
em penas por países de sonho onde reina a Lua ? O que transforma meus sonhos na realidade tua ? Gina: Não posso acreditar
que sejam meu seios dando-te toda a luz de que necessitas para seres perfeito. Não é possível que seja meu ventre de onde sai nosso filha Soraya, um anjo pleno de esplêndido brilho. Que há de mudar do Universo o Destino.
2) PIADA A SANTA BRANCA
Santa Alva me proteja... Santa Branca me socorra... Vou morrer de brotoeja... Bem na porta da masmorra... 3) POBRE RECENSEADOR... (09/09/1991)
Fui recensear
teu coração . Queria saber se nesse Paraíso meu Amor poderia de novo morar. Infernal decepção... teu nobre coração virou um aglomerado subnormal ...
4) POEMA DESERTO
Meia-noite, na casa mal-assombrada. Portas e janelas fechadas. O vento uiva pelas frestas por onde vejo a tempestade. Paira no ar um ar de maldade que me congela. Meia-noite na casa abandonada. Ouço passos na escada, são os passos de minha amada. Mas de repente lembro: a casa não tem escada e minha amada já morreu a tanto tempo. Meia-noite, na parede pelada aparece uma escada e por ela desce um disco voador que sobrevoa minha cabeça e seu raio ômega me leva para o deserto. Meio-dia, no deserto do Saara. O sol está ardente e o tempo não pára. Desesperado, procuro um oásis. Vejo uma fonte de borboletas espelho onde me vejo com asas de morcego. Vôo em direção ao horizonte. Para bem longe deste pesadelo deserto e para bem perto de meu novo amor. Meia-luz, nos corpos nus habita a divina Alma, o Anjo da Paixão.
5) POEMA INTERNO (27/11/1987)
Tento encontrar um poema perdido dentro de mim.
6) POESIA COM FANTASIA (11/11/1987)
A garça voa. Seu bico agudo esgarça a névoa. A orquestra de orquídeas, sinfonizo seus aromas. Estes se entrelaçam, tecem pequenas redomas. As algas se alegram, bailam soltas, umas com as outras, em graciosas volutas. A ostra solta seu dom de cantora. A pérola se extasia. A Lua se fascina, aproxima-se para ouvir melhor. Eu faço esta poesia, para entrar nesta fantasia.
7) POESIA É VIDA
“O filho que não fiz Faz-se por si mesmo” (Drummond)
O Verso que não escrevi Escreveu-se por si mesmo Me disse para viver Além da lógica do meu tempo O verso que não escrevi
Não sabia como fazê-lo Sem mim se fez acontecer Brotou espontâneo do meu texto O filho que não pari
Nasceu à noite, em segredo Nasceu lunar, sem eu saber Nasceu assim o mais perfeito O verso que não escrevi
Escreveu-me por si mesmo E só ele me fez ser E só ele me fez inteiro
8) POESIA VIVA
M aiúscula encarnação da Poesia. A lquimista de nossas almas. R oubas nossas armas. I mplodes nossas armadilhas. A Força do Tarô,
L uz de teu Espírito, Ú nica chama cristalina, C alibra os Átomos do Amor. I luminas as íntimas cavernas.
A cendes brilhantes nas mentes. M obilizas poemas adormecidos. L abirintos revelam-se falsos.
M áscaras removes com versos. L egítima Irmã da Mandala. 9) POETA MANDACARU (16/04/1990)
Os críticos
querem meu Sangue para distribuir pelos poetas medíocres da cidade. O solo seco do sertão ensinou-me a ser Poeta. Cada Verso meu é um Mandacaru. Espinho de aço contra o rifle do capataz. Flor macia e cheirosa, para enfeitar a boca da minha esposa. Seu perfume põe flores nos espinhos dos lavradores, ao cair da noite. Suas pétalas alimentam o gado bovino e humano. Manso durante a seca. Ninguém vai fazer Reforma Agrária na minha Poesia !
10) PONTO DE PARTIDA 28/05/1985
Mina água de uma fenda na parede
Perto dela morre um menino de sede Ele pensa no milagre da multiplicação Dos peixes e dos pães Quando se multiplica a fome no ventre De irmãos, irmãs, pais e mães Ele reflete sobre a desigual divisão da terra A cada mortos são dados sete palmos Enquanto que muito vivos não têm nem meio Jorra água das 4 paredes que o aprisionam É mais uma vítima do sistema corrompido Sofre por saber que se esgotam As forças da Terra Mater solo traído E que tão cedo ao pó retornam Tantos filhos que dela o sustento têm Extraído Abre-se uma chaga no coração do menino O povo não mais dono é de seu destino Entra água enfim pelo chão e pelo teto Logo todo o espaço está repleto é mortal o líquido que antes deu-lhe vida Impotente o menino cerra o olhar O compartimento pousa no fundo do mar Encolhe-se todo e volta ao ponto de partida
11) POROROCANÇÃO (01/11/2000)
Quero
que você venha agora, para acordar meus sonhos que estão dormindo fora. Quero suas asas de cobra roçando meus poros que estão esperando, ansiando explodir de tesão, há muitas auroras. Se você não vier agora, eu conto pro seu pai que na zona seu nome é Pororoca. Que você rola de leito em leito, arrasando lares com a chama do teu peito. Quero que você venha agora, com suas asas de fada, para acordar minhas rosas. Se você não vier agora, eu vou mandar meus olhos rondarem à sua volta. Serão loucas luas, duas luas negras puxando o teu sol para dentro da minha órbita.
12) PRECISA-SE DE UM VAMPIRO
Desejo um VAMPIRO
Que exerça em mim fascínio Que aprecie um bom vinho Que me ame até meu último suspiro ! Procuro um homem Com grandes caninos Um gato preto pro meu caminho Um perfeito lobisomem Quero um Conde Para uma guerra sem tréguas Que me sugue o sangue das regras Direto da fonte Preciso de um Zumbi Por que eu ex-pire Que eu trans-pire Ao evocar seu rosto Necessito de um cúmplice Para um banquete Ao qual irei com um estilete Para saborear-lhe o corpo Ele existe e me pré-fere Me adora sem pré-juízo Me devora minha fera ! Meu sangue é teu absinto ! Tu és minha pira ! Contra ti conspiro ! Ao teu amor aspiro ! Eu te venero ! Venéreo VAMPIRO !
13) PRECISA-SE DE UMA VAMPIRA
Quero uma Condessa
para uma guerra sem regras ! Que me sugue o sangue nas trevas, direto da fonte ! Desejo uma Vampira que crie em mim seu domínio ! Que faça em minh’alma extermínio de tudo o que é divino ! Ordeno que ela exista ! Para virar meus versos pelo avesso ! Para minha vida, enfim, poder ter seu começo.
14) PRESENÇA DE ESPÍRITO (Márcia Evangelista e Mauro Valente)
Fantasma,
você não existe. É real demais. Insiste em arrastar correntes com velhos elos de antigos metais. Insiste em bater portas, quebrar cristais. Fantasma, hoje a onda é ser virtual. É navegar livre pelos elos, pelas janelas da Internet. É ser eterno ET, sem roteiro, sem ideal. Toda vida é um livro aberto. Sem capa, o livro inicia na página inicial. Fantasma, vê se te enxerga na tela do micro. Sacode a poeira. Joga na lixeira as tuas correntes. Deleta o teu castelo. Reinicia a tua vida. Fantasma, amigo velho, quer um conselho? Quer espalhar pelo mundo inteiro o terror ? Faça isto: vire um sinistro vírus de computador. 15) PRESENTE INESQUECÍVEL 27/09/1987
Não havia
outra via viável para a gente se ver. Só estes prismas sórdidos, que distorcem nossos corpos diante de nossos olhos. Foi a única concessão dada à nossa condição de incomunicáveis. Eu tentei tanto obter algo mais, mas a vara é inflexível. Portanto, não havia outra via viável para a gente se ver. Do lado de cá, apresentaram-me a uma jovem lilás. Lembra-me muito a sua antiga beleza, quando vivíamos juntos. Agora não há outra via viável para a gente se ver. Não me odeie por isto. A pedido meu destruirão os prismas. Quero agradecer de coração o presente inesquecível que você nos deu. Meu lindo filho com a bela lilás hoje nasceu. É um nítido espelho onde me vejo refletido. E para na memória ficar bem gravado, neste espelho bendito me vejo todo deformado e distorcido.
16) PRINCESA AMPULHETA
Praia de Ipanema,
a Princesa nua, espera pelos pais de seu futuro filho. No Mar, ondas de mantras. Onde o Astro de Prata levanta mastros de navios piratas. Estes aportam na Praia. Invadem o ventre da Princesa Ampulheta. Na Princesa, concentra-se a Magia dos mastros e da Prata. Gera-se o sublime Poema, que virá iluminar os novos Milênios. 17) PRINCESA NEBULOSA (03/09/1988)
Quando eu era ainda
tímida nebulosa, uma Princesa linda, da cor da Autora, desejou para si a minha estrela mais preciosa. E usou um ardil, pensando prendê-la como a uma rosa. Vestiu-se de música e fez-se múltipla para cercá-la. Eu dei à estrela olhos de vê-la tal como era. Mas a visão magnífica do esplendor da Aurora cegou a estrela. Perturbada, deixou a melodia ilusória enlevá-la e levá-la.
18) PROCISSÃO DOS ANSIOSOS ANCIÃOS (30/01/1987)
A procissão de joelhos
sobe os ancestrais, degraus milenares. Carregam velas acesas para pagar promessas feitas no natal. No final desta escada aparece a estrada que conduz ao altar. Os devotos, exaltados, correm para o altar abençoado, onde o Santo cultuado vai se manifestar. Postas as velas nos marcos, forma-se o mágico círculo, o místico Símbolo Cósmico. Um ancião flutua sobre o centro. Em torno do líder, trezentos e tantos flutuam, dançam o Balé Bacanálio. Todos evocam o Deus supremo, a sublime fonte da Eterna Juventude Interna.
19) PROCISSÃO DOS PUROS (11/06/1987)
Saíram em procissão, para sair do Caos. E não voltaram mais dos confins do coração. Os fiéis normais alistaram-se na Legião das coortes infernais cujo Capitão é o próprio Satanás. Ele dita as coordenadas aos condenados do alto de sua pirospiral, afagando sua salamandra de estimação. As coortes são fiéis e submissas. São vigiadas por gentis Dragões de Super-Visão. Sua manobras são de precisão cartesiana. Sua arma infalível é a tentação. Sua professora de estratégia não é outra, senão a perita Lilith.
20) PROFECIA
Beberei os pingos da chuva pelos poros da pele em grandes goles. Acenderão Esmeraldas em minh'alma. Em pouco tempo o Corpo imenso irromperá esplêndido pleno de Frutos. Estarei oculto em cada fruto. Somente se a serpente sibilar um homem saberá o meu Segredo. Aquele que me conhecer no Plenilúnio será SER
Publié le 24/05/2008 à 3:33:27 AM
Par Mauro Valente
1) PROJETOS DE PROJÉTEIS
Inverossímeis projetos de morte. Inveromísseis projéteis de vida.
2) PURA POESIA
Que bom seria
abrir os braços voar nas asas do vento até o lugar onde o Amor é pura poesia onde eu poderia esquecer todo meu tormento. 3) QUADRO PATÉTICO 04/08/1987 São dois des-graçados São dois des-astrados Descendo o rio Leito sobre leito Duas mentes estreitas Simplesmente deitadas Em confortáveis almofadas Uma imagem santa Dirige a cama Para o abismo sem fundo Que há no fim do mundo Um dos dois dorme Com as mãos no ventre Ronco de sono Ronco de fome Um dos dois Com ar sombrio Acende vela na cabeceira Mas as escuridão Das mentes É maior Montanhas ao longe Acenam possíveis salvações Mas um dos dois dorme Seu sono sem sonhos Um dos dois apaga E re-acende a vela Céu cinzento Véu de cimento Acrescenta peso À cena Quatro caveiras Espaçadas uma das outras Por desfiles de ossos Formam todos A necessária moldura
4) QUANDO O MAR AVANÇA 17/07/1988
Quando o mar avança E cobre as pedras costeiras De bela e verde cabeleira As pedras sentem-se sereias E cantam...e cantam... e cantam... Quando o mar retorna E recolhe a cabeleira Das cantantes sereias As pedras sentem-se vazias E choram... e choram..e choram... 5) RAINHA MONTANHA (22/04/1985)
Rainha Montanha,
mulher estranha. Tem mente de pedra e pedra no peito. Mente de ouro. Peito de ferro. Ostenta na cabeça fabulosa coroa com a alvura das nuvens. Coração que não oxida. Que dá vida ao instinto homicida da Rainha Montanha.
6) REAL E SONHO
O sonho mistura-se com o real... Isso é tão normal... O chão é feito de estrelas em flor... E tudo isso se chama Amor... Um Anjo atravessa a Lua branca, Chegando ao Real a tudo encanta... Árvores nascem do chão em vapor... Iluminado a tudo com sua cor... Entre o Real e Sonho não há limite... O Real é o Sonho...Transmite Mil idéias para a criação... O Sonho é a Realidade... Transforma a vida em novidade... Transforma a vida em Canção...
7) RECEITA DE MANDALA 03/02/1988
Pegue treze taças de cristal,
Encha com vinho. Tampe com treze círculos De alumínio. Guarde nas treze sacristias. Reúna no fim de dez ciclos De treze dias. Funda o alumínio, Confunda-o com o vinho. Separe as treze taças Do cristal. Separe o treze Das taças. Extraia o éter Dos olhos De um gato preto. Una as taças ao éter.
Jogue tudo no lixo. Faça mandalas Como souber.
8) RECOMPENSA (03-01-1986)
Arrasta-se Dédalo, faminto.
Enquanto alastra-se o Tempo pelo extenso Labirinto, representado pelos pêndulos que as horas vão dizendo ao labirinto do seu ouvido os pássaros tagarelas. E a sua vida vai se esvaindo. Vira à direita uma esquina, depois de novo à direita. Percorre círculos sem fim. Em sua marcha lerda, de queda em queda, prossegue Dédalo assim. Enquanto o Tempo, perverso, o persegue por todo o caminho. Vai apagando seus passos e sua memória. E o levando-o a seu Destino : ver a face da Morte, no centro do Labirinto. E Dédalo, ao chegar lá, se deixa levar, aos pedaços, pela vergasta de Tanatos, ao Tártaro. O corpo lacerado está preso à chibata. Entretanto a alma, purificada, evola-se até de Zeus a morada, onde divinas asas sua recompensa, a aguarda.
9) REI DE BRINQUEDO (25/11/1986)
Há cem anos atrás,
ganhei um rei de brinquedo, em tamanho natural. Muito engraçado. Eu dava corda nele. E ele saía me dando ordens absurdas. E eu sorria, e eu as cumpria para me divertir.
10) RELÓGIO DE MORFEU (31/12/1987)
Meu relógio adormeceu. Um sono tão pesado... Se não o tiro do pulso, não levantava mais.
11) RELÓGIO-BOMBA (18/07/1999)
Os ponteiros do relógio só são setas mortais quando queremos.
12) RETALHOS (14/02/1985)
As fantasias,
auroras-folias dos gordos tenentes. Acorda, paixão. Ninguém contente soube escolher seu destino. Estrelas correm em círculos. Não faltava luz, não faltava nada. Atenção para o sino da comida. Partirei para o céu natural como uma aquarela nos palcos da vida. Estende teus braços de água e sal em uma cama preta ela, uma deusa qualquer. 13) RETALHOS DO RIO (06-12-2002) (Mauro Valente, Tania José e alunos dela)
Retalhos do Rio. Detalhes desta cidade. Cidade de braços abertos no cartão postal e punhos fechados na vida real. Onde a vida é pra valer, a vida é para levar. Onde a esperança não vem do mar, vem das antenas de TV. Onde todo dia se recria a arte de viver. A arte de viver da fé. Mesmo sem saber fé em quem, fé no quê.
14) REVELAÇÃO
Atrás dos livros da livraria,
passam pessoas iluminadas pela luz do dia. Atrás da luz está a escuridão. Sem a escuridão a luz nada seria. Atrás de toda existência está a poesia. Atrás dos livros da livraria, pessoas entram e saem aos milhares das entranhas da terra, viajam dentro de minhocas de ferro. Pessoas que passam por armações de concreto. Algumas para um encontro secreto, outras que ultrapassam as fronteiras eternas para não voltar . Atrás dos livros da livraria, pessoas buscam um pouco de sabedoria. Atrás da sabedoria, está a ignorância. Sem a ignorância, a sabedoria de nada valeria. Atrás da mais-valia, está o lucro do patrão. Dentro dos livros da livraria está a mais pura filosofia. Dentro da filosofia, está o lucro do patrão, a mais-valia, a ignorância, a sabedoria , as fronteiras eternas, o encontro secreto, as minhocas de ferro, as entranhas da terra, as pessoas os livros da livraria a filosofia.
15) RIMA
Procuro uma rima. Quem quer rimar comigo ? Sozinho sou só egoísmo, não consigo comigo mesmo rimar. 16) RITUAL 26/03/1988
Ontem sonhei contigo, Lúcia. Estavas no centro De um planicírculo. Quatro espadas ardendo Iluminavam o íntimo Da planície e do centro. Na tua mão sinistra Uma esfera dourada Exalava sua harmonia. Tua mão destra Chamou as espadas. As chamas vieram E enviaram uma flecha Etérea, esotérica Para a esfera. A esfera de ouro Exalou a Harmonia Perfeita. Ela te revelou Sua rara essência: O mais sagrado dos olhos, O Sagrado Olho de Hórus. Tu o comeste, Comeste a Fonte da Vida. Olhaste para o leste E viste um arco-íris, Um colorido círculo. No centro o Olho de Hórus. As espadas E a esfera Foram tragadas Pela Terra. Cantaste , e teu canto Era a Harmonia Perfeita. E uma estrela Voou para o teu âmago No divino sopro Do Olho de Hórus. E no centro Do teu coração Brotou uma Flor de Lótus.
17) RITUAL A SANTA BRANCA
Soberana Roda . Rosa Branca Banha minh’alma na lama santa. Asa de Ísis Raiz de Perséfone Irradia em meu espírito o aroma do teu nome. Estrela de Hera, fera de seda, arranha meus seios espalha meu sangue e meu leite alimenta as estrelas. Pavão de Prata Rainha de minh’alma de meu corpo e de meu espírito Soma os três em um só grito ! Para que, ao olhar-me no espelho a ti eu veja. Para que ao renascer, igual a ti eu seja. 18) RODA DA FORTUNA (24/02/2000)
Pessimista: - Tiro leite da pedra. O leite azeda. Faço nascer flores na rocha. A chuva arrasa. Extraio da mina minhas pedras preciosas. O ladrão rouba. A pedra é dura, a Vida é mais ainda. Não há a Força que a perfure. A mim ninguém ilude. Não há bem que sempre dure. Otimista:
- O Sol mata a flor da minha Vida. A Chuva vem e a ressuscita. O Destino assombra-me com suas nuvens de veneno. Vem o Sol e as nuvens voam, viram brisas, aves serenas... A Chuva é bela, a Vida é mais ainda. Não há Força que a polua. A nada e a ninguém jamais me entrego. Não há mal que seja eterno.
19) ROSA INTANGÍVEL (Mauro Valente e Dom Casmurro)
“Oh ! flor do céu ! Oh ! flor cândida e pura !” Mesmo sofrendo duras privações ! Mesmo lutando contra tentações ! Não perco a esperança na procura ! Com minha transuniversal embarcação,
Posso te alcançar ! Viçosa e casta Flor ! Respiro teu fulgor ! Sábias, Tuas pétalas me nutrem ! Porém, a paixão não basta para contigo eu viver !
Sozinho, devo derrubar muralhas De chamas ! Exércitos de diamante vencer Com as mãos nuas ! Fatal a menor a falha !
Divina flor ! Se eu não te merecer!... “Ganha-se a vida, perde-se a batalha !” Observação:
Primeiro e último versos do soneto “Rosa Intangível” foram criados por Bentinho, narrador do romance “Dom Casmurro”, onde declara: “nada me consola daquele soneto que não fiz. Mas, como eu creio que os sonetos existem feitos, como as odes e os dramas, e as demais obras de arte, por uma razão de ordem metafísica, dou esses dois versos ao primeiro desocupado que os quiser.”
20) ROSÁCEA 30/03/1988
As imagens Na linguagem Das rosas, Nossa Simbiose simbólica. 21) RUÍNAS E PÉTALAS (21/07/2002)
Nos escombros
de outrora encontro as pérolas das trevas. Ergo, com elas, as pétalas da aurora mansa, plenas do aroma da esperança.
22) SABEDORIA SOMBRIA (16/05/1987)
Cada um sabe de si: seus infernos mais íntimos, seus desejos mais ínfimos, seus ímpetos fugazes. Ninguém me diz com quantas dores se faz uma vida. Quantos horrores padecerei ainda, antes de amar sem frases. Se você sempre quis erradicar pestes sem prece, crer em milagres azuis, enriquecer às custas de quermesses. Vem até aqui, e eu explico como se faz. Antes dos cacos dos deuses caírem sobre o nosso orbe. Em dez práticas lições, aprendi a ter emoções, sem as quais meus cristais não brilhariam nunca mais. Pode ser extremamente trágico, descobrir luas dentro da chuva rápida e não poder agarrá-las. Serpentes silvam perenes, sempre no vento dos Pirineus, espalhando pigmentos de céu, pelos imensos pigmeus. Virgens vigentes convergem trechos de estrelas de maneiras diferentes e mentem degenerações generalizadas. 23) SABRINA, SÁBIA RIMA (12/08/1987)
Estive ontem em tua casa e achei sorrisos de outro no brilho de teus olhos. E sorri para o espelho só afivelado no meu pulso. Até concluir que o mais belo dos dois sorrisos era o meu. E saí da tua casa satisfeito. Sabendo que, quanto à importância, ainda sou o primeiro. Sabrina,
teu nome apareceu no meu poema, sem eu querer, num acróstico enviesado. Quer ver ? E S tive ontem em tua casa
e A chei sorrisos de outro no B rilho de teus olhos. E so R ri para o espelho só af I velado no meu pulso. Até co N cluir que o m A is belo dos dois sorrisos era o meu. E saí da tua casa satisfeito. Sabendo que, quanto à importância, ainda sou o primeiro.
24) SACERDOTE (01/03/2000) Eu sou o Sacerdote. Só eu oriento, só eu ensino cada pessoa a descobrir seu caminho através do sinistro labirinto, das tortas linhas com que Deus escreve o Destino certo para iluminar cada espírito. 25) SACERDOTISA (28/02/2000)
Guardo em mim os segredos eternos e mais preciosos. Meus Versos são desafios a quem busca em si mesmo seus Tesouros. É de minha autoria este belo provérbio: O segredo é a alma do negócio. Meu nome não é Esfinge. Amo a quem não me decifra. Minha Vida de Sacerdotisa é Livro aberto, eterno, do tamanho do Universo, feito apenas de entrelinhas. As linhas estão escritas nas mãos de quem lê esta Poesia. 26) SAMSARA NÃO SARA
Peixe solitário... Aquário vazio... Olhos... Bolhas sem brilho... Vício... Algas de absinto... Clima de crime... Abismo de vidro... Espinha... Espírito... 27) SANGUE BOM (23/10/1987)
Eu vi um morcego voando, cruzando a noite. Eu vi as estrelas tremendo de medo e de gozo. A Lua branca, transparente ficou. O morcego não a mordeu, ele apenas olhou. Eu fico louca ! Vejo ele chegar ! Eu, feito louca, começo a gritar ! Eu feito uma louca ! Uma louca ! Uma louca ! Insana ! Eu vi o morcego pousando não muito longe. As rosas em volta sabem que é o meu Conde. Escondem-se, contendo seu desejo de ser defloradas. Senti o meu sangue gelado. Do jeito que ele mais gosta. A Lua era toda arrepios. E eu, morta de tão ansiosa. Eu fico louca ! Vejo ele chegar ! Eu, feito louca, começo a gritar ! Eu feito uma louca ! Uma louca ! Uma louca ! Insana ! Senti seus dentes entrando com destreza. Senti meu sangue escorrendo por sua garganta profunda. A Lua, rubra de vergonha, escondeu-se atrás de uma nuvem. Ao ver-me tonta entregar-me toda. A coitada era virgem. Eu fico louca ! Começo a gritar ! Eu, feito louca, frigidez, nunca mais ! Eu feito uma louca ! Uma louca ! Uma louca ! Insana ! Adormeci. Não vi o morcego voltando pra Transilvânia. A Lua viu e me garantiu: - Ele voltou sorrindo. Satisfeita, entrei em casa. Possessa, flagrei meu marido rolando em nossa cama com uma bela vampira. Eu fico louca ! Começo a gritar ! Eu fico louca ! A estaca ! Onde está ?! Eu feito uma louca ! Uma louca ! Uma louca ! Em sanha ! Senti meu coração quase explodindo. Eu vi uma enorme morcega ferida, sangrando, carregando meu marido. Lua Cheia, a minha nova amiga, com seus raios acaricia e acalma minh’alma. Vou para minha cama onde espero, tranqüila, nova visita do meu Conde.
28) AVE SANTA BRANCA
Ave Santa Branca. Alça-me às alturas, com teu hálito. Verei vilas, vales e várzeas, voando em teu canto psicodélico e mandálico. Minha cândida Santa Branca, levanta-me até Antares, com teu cantar. Visitarei estrelas, nebulosas e galáxias, sonhando nas tuas mágicas mãos. Santa Branca, teus poderes de Deusa, só eu te dei. 29) SANTO ASSEIO
Cada mendigo
em sua banheira. Cada apóstolo em seu bueiro. Por doze mãos, trêmulas de respeito, passa o cálice do Santo Asseio. Doze almas se purificam, unem-se em aliança, na Divina Lata de Cerveja. Doze rostos iluminam-se de euforia. Entusiasmo total ! O Espírito Santo manifesta-se em sete línguas de fogo ! Os holofotes da Rede Globo !
Publié le 24/05/2008 à 3:52:45 AM
Par Mauro Valente
1) SAUDADES DO BANDOLIM
Saudades de um bandolim, dedilhando cordas em mim. Meu canto está se diluindo, sem ele a ditar meu ritmo. Saudades de um bandolim, navegante cristal de marfim. Quantos continentes a iluminar, no mais íntimo de mim, ele deixou ao partir. Saudades de um bandolim, colorido astro, seu feitiço fascinava meu olhar tão gris. Hoje está longe, minha íris nunca mais será feliz.
2) SE EU PUDER ALCANÇAR (25/05/1987)
Se eu puder alcançar A radioatividade Da aura, Outra realidade Então se instaura. E dela vou dizer Sua magia explícita, Sua sabedoria holística, Seu insuperável poder. Se eu conseguir cantar A sinfonia dos astros, Se inicia Uma corrente de fatos, Impossível descrever. Subverte-se a consciência, Derrete-se a ciência, Desaba todo o saber.
3) SECRETOS DESEJOS (07/09/1991)
Gostaria de ser sedosa fita verde... para copular com teus dedos... Seríamos a pauta de subversivas Sinfonias... Gostaria que fosses sedosa fita verde... para estrangulares meus dedos. Seríamos os secretores de secretos Desejos. Enforcaríamos a Lógica mórbida das Famílias nas entrelinhas.
5) SEGUNDA PERDIÇÃO
No exato momento em que te vi Do percurso da virtude me perdi Pelas veredas do vício enveredei No exato instante em que te toquei Os prazeres da carne conheci Dos prêmios da castidade me olvidei Durante O lânguido instante Em que te percorri Com minha língua A estrada da perdição palmilhei Dos benefícios do perdão zombei No ponto exato em que te adentrei Do paraíso me afastei Ao inferno me dirigi. No presto momento em que te inundei Com meu mar de sêmen No lar de Lúcifer ingressei E lá descobri O verdadeiro Éden
7) SEMEADURA (17/08/1985)
Os abscônditos habitantes, dos argênteos arquipélagos, cultivam cativos crisântemos cristalizados em fosforescentes vasos voláteis. Para realizar seu sonho, plantam em plânctons jônicos grãos concebidos artesanalmente pelo obsoleto acaso do ocaso, há séculos e ciclos cantando em cantabile, rodeados por placas de espelhos espalhadas pelo pântano, espanto espontâneo. 8) SENHORA DOENTE (03/08/1985)
Senhora doente. Serpente do lar. Sem tempo pro ente. Dormente solar. Senhora doente. Serpente a voar. Sem pranto, sem canto, sem vida a voar. Senhora doente. Serpente cantar. Senhora doente, pra gente lembrar do pranto da alma do seu despertar.
9) SEREIAS (21/08/1986)
No fundo do mar as sereias põem-se a cantar. Aquela areia, fruto de tanto amar, quando o luar excita a maré cheia. E a linha da melodia serpenteia pela praia do Paraná deixando um rastro como o que a Cobra Norato deixa por lá. Nascem flores de seda em homenagem às saias das duas corsárias que desarmaram as tendas daquela cidade. Cantadas, passam a ser lendas, as duas despudoradas. Malditas durante as calendas. Chibateadas durante as contendas. Doravante, as virulentas é que serão castigadas. Os seixos lembram os seios. As conchas lembram as coxas. Os arrepios ainda vivem, transmudados em gorjeios das noturnas aves que embalam as naves. Onde, por aquelas água, navegam à deriva, entre vagas de saliva, as parentes de escandinaves. Aquele amor nada bucólico, sem concorrente, enlaça as duas bacantes em sua água-corrente. Servido num glicocálice, o amor lascivo de ce couple, é brindado com um dose dupla de gen letal recessivo. A Lua e o Mar se casaram ao sabor do húmus exangue, à luz do furor do sangue.
10) SINFONIA QUE ILUMINA 28/11/1989
Sinfonia sempre aberta ao ingresso de novos sons. Mar-Sinfonia: Ondas de harmonia. Enlace, enleio, sedução. Edna densa, preciosa Pétala, Incendeia o lago do âmago. Ilumina... Enlaça...Enleia... Enleva...Eleva... Alada Pérola...
11) SÓ O AMOR PURIFICA 15/12/1989
E faremos amor sobre os epitáfios. E demônios copularão em nossos corpos. E o Empíreo será expurgado de todos os anjos. 12) SOL (13/11/2000)
Toda noite, por ordem minha, vejo o Sol nascer brando dentro de meu branco retângulo de papel. Não existe, no Mundo da Poesia, Rei que possua maior tesouro. O Sol todo dia, com sua rebeldia, faz sua revolução. Cresce, aparece, vira hipérbole de fogo e destrói meu poder enorme. E me deixa vazio, na solidão. Não existe, no Mundo da Poesia, um irmão, uma palavra amiga, um eufemismo que me console. O Sol é apenas meu melhor poema. O Sol é só minha metáfora mais brilhante. O mais fiel espelho do que eu sou. Não existe, no Mundo da Poesia, nada que me vença, ninguém que me convença de que o Sol é real. De que, quem pensa ser dono do Sol é tolo. De que o Sol, todo dia, nasce para todos.
13) SÓLIDA SOLIDÃO (26/05/1990)
Afinal estou só. Arde, lança plantada em meu peito. Meus Lírios já morreram. Minhas Orquídeas já me esqueceram.
14) SOMBRIA ESPERANÇA (02-05-1987)
Vou te esperar à sombra do remorso. Vou experimentar o sabor do divórcio. Vou sacramentar nossa separação. Vou morrer em vão por te abandonar. Vai te aquecer meu fantasma. Vão sumir de prazer teus traumas. Vou brilhar de rir por brincar com teu astral. Estavas em caos, pareces em paz.
15) SONETO À LA OLAVO BILAC (19/02/1986)
Do verde mar ando sedento. Tamanha sede...acabo cedendo e minha rede acabo concedendo ao teu doce alento. Com tua voz branca,
tu me elevas e tudo me levas e tudo me arrancas. Teu olhar azul,
ateu lar, lá me perdi. Nada mais ao céu pedi. Penada alma, ao extremo sul !
Negra ! Tu me aviaste ! Cega! Não me aliviaste !
16) SONETO BARROCO
Uma desilusão sofrer. Um coração machucar. Na solidão morrer. Uma paixão matar. Num alçapão desaparecer.
Em vão lutar. De emoção viver. Num clarão brilhar. Na escuridão se perder.
Na ilusão se encontrar. A questão é ser ou não ser. A solução é se entregar.
Em comunhão viver. Uma boa ação praticar.
17) SONETO DA INFELICIDADE (19/11/1989) A Vinícius de Moraes Em tudo nesta vida serei econômico.
Antes, e com tal zelo, e sempre e tanto, que mesmo em face do maior encanto. Das mercadorias, não irei ao encontro. Quero estar alerta a todo momento,
para jamais ser roubado. Nem pelos decretos do Planalto, nem pelos canivetes do pavimento. E quando talvez mais tarde me procure,
quem sabe a aposentadoria, angústia de quem vive, quem sabe a miséria, fim de quem trabalha, eu possa me dizer do salário (se tive),
que não seja eterno, embora seja lenda, mas que suficiente enquanto dure.
18) SONETO DAS ESTAÇÕES (19-09-1999)
PRImordial forma de Existência. MAnifestação viva e Sideral. VEr-te é retornar ao Éden. RAdiante Energia radial. OUro folheia as árvores.
TOdos os ramos rezam terços. Nas ruas todos se comovem. c Om suas divinas preces. INvertida imagem Solar.
VER tuas mandálicas formações. NOstalgia do nosso Lar. VEloz rubor voraz.
Recobre os corpos jovens. s ÃO deuses só nos cartazes.
19) SONETO DE ANIVERSÁRIO (09/12/1984)
À minha tia que enxerga com o coração, desejo que este dia seja repleto de emoção. Desejo muita energia
e muita descontração, para viver o dia-a-dia sempre com disposição. Desejo que cada hora do dia
seja o verso de uma canção cheia de poesia. Para finalizar, um abração
do seu sobrinho que todo dia dedica-lhe uma oração.
20) SONETO DE METAMORFOSE (20/06/1986)
De repente do polêmico visitante, fez-se o gênio de Aladim. Dos sonhos mais extravagantes far-se-ia a realidade, enfim. De repente de Tubiacanga,
far-se-ia Potossi. Tudo porque de Iago fez-se o Midas daqui. De repente, não mais que de repente,
dos horríveis ossos repelentes fez-se o metal mais atraente. Da Tubiacanga incipiente,
fez-se um cemitério gigante, de repente, não mais que de repente.
21) SONETO DE NATAL
Das trevas renasce a luz. A alegria é natural. Hoje renasce Jesus, hoje é dia de Natal. Em cada coração renova-se a esperança
de um amanhã sem tristeza e sem dor. Quando existirá em abundância. Em cada um existe a certeza
de que o mundo um dia vai mudar. Basta que fazer sua parcela para ver que em todo em qualquer lugar
o Natal está repleto de beleza, e o Amor em todo mundo possa estar.
22) SONETO DO MESTRE (15/10/1984)
A você que transmite a tantos o seu saber. Mesmo por pouco salário receber, nada impede que eu credite todo o imenso valor
do que você faz. Que tanto lhe apraz. Você transmite tanto amor. Ultrapassa todos os limites,
quebra todas as barreiras e segue sempre em frente, levando a todos seu bem querer
de todas as maneiras que se pode conceber.
23) SONETO DO OPRIMIDO (01/10/1984)
Os dias passam. Passam também as noites. Noites e Dias de mil açoites. Açoites que dilaceram. Dilaceram-me corpo e alma
alma que se desespera. Desespera pois o mal impera. Impera , açoita, alarma. Alarma os que se matam,
se matam para evitar os chicotes chicotes me afastam... Me afastam de meu Karma.
Karma longe, sou fantasma, fantasma sem paz e sem morte.
24) SONETO MACABRO (21/07/1986)
Praia do Cemitério... Espraiada de mistérios... Mortos-Vivos ao luar... Íncubos e Súcubos a namorar... Zumbis zumbindo pro Mar...
Caveiras comendo caviar... Bruxas bruxuleando etéreas... Ao som da marcha funérea... Duentes doentes... Mordidos pela Quimera
e suas cantáridas decadentes.... São as donas da Festa a Morte e a Guerra,
a Fome e a Peste...
25) MESTRE SONETO
Gostaria de ser mestre para te servir de assunto. Gostaria de ser agudo para te servir de acento. Gostaria de te ensinar
a sabedoria das estrelas, assim saberias brilhar com toda a simpleza. Gostaria de seres fosca,
para em tua testa bruta, rude, tosca, com lápis lapidar
o sinal que atesta a Santidade Lunar. 26) SONETO PARA UM ANJO
Meu anjo de luz Cintilas perfumes sutis Bandos de colibris Perseguem-te pelos azuis Meu anjo de luz
Minha flor de lis Teu canto me diz Segredos de manitus Meus sonhos são lindos
E sem neblina Se brilhas límpido Meus versos são belos
Se teço rimas Com teus cabelos.
27) SONETO VINGATIVO (09/01/1985)
Aquele cachorro caolho roubou Rosalina de mim. Mas isso não fica assim. Meu poder está no olho, porque não posso falar.
Juca seduziu Rosalina. Ela é uma pobre menina, que não sabe o que faz. E como se não bastasse,
a levou pro mau caminho. Farei com que ele se acabe . Mandarei para o céu mais um anjinho.
Rosalina com o Cão jamais irá casar-se. Vou exorcisá-la de Juca Passarinho !
28) SONETOS SIAMESES A FERNANDO PESSOA 26/06/1988
1 Trago em mim uma Certeza Com raízes tão íntimas, Que a própria vida se despreza, Que a própria vida se amesquinha. Certeza sólida, construída
Por milênios de labuta. Impera sobre a vida Soberana, absoluta. É uma Certeza cristalina,
Não pode ser poluída Pelas humanas tempestades. É a Verdadeira Vida.
A falsa, de tão mesquinha, Recolheu-se ao seu hades 2
De enchentes, de incêndios, De terremotos, de ciclones. Tantos...nos compêndios Por mais exaustivos,
Não cabem tantos nomes De desgraças, de conflitos. Acima até da inexorável
Roda Maldita da Fortuna, Paira soberana, insuperável, A Certeza Suma. E uma Certeza assim tão pedra
Não se altera, não se esvazia. Serei enquanto eterna For a minha Poesia.
29) SONETOS VOADORES
1 Adoro entrar num balão, soltar as amarras e voar por aí ao sabor do vento... Voltar a ser Adão,
ouvir cantar a Uiara, ser mágico como Saci, sentir das nuvens o alento. Ser igual a Pégasus
desvirginando o céu com minhas patas de condão. E me vestir de azul
e me libertar do carrocéu da constelação. 2 Porém vem a tempestade,
para me acordar e me transportar de volta à realidade. Aumenta a escuridão.
Devo tomar cuidado, senão serei fulminado e despencar da ilusão. Quero acordar. Rever meus amigos,
neles encontrar abrigo e matar a saudade de ser mero mortal
e não mais sonhar. E pensar: quanta falsidade...
30) SONHADOR ÓBVIO (19/07/2000)
Sonho sonhos irreais, iguais à realidade. Sonhos assim ninguém vive mais desde a mais remota antiguidade. Tenho sonhos desiguais. Divina variedade.... Tenho sonhos demais... Sonhos para vender... Sonhos eróticos, milagrosos.... Cristais fatais para quem prometeu não sonhar nunca mais.
31) SONHETO (10/01/1985)
Quero lembrar de um sonho que já tive algum dia, em algum lugar. A maior alegria de quem vive, é poder toda noite sonhar. Em sonho posso escalar montanhas,
ir além da mais alta nuvem. No topo achar a Aranha, mãe dos sonhos que vivem nas asas da poesia.
Posso cair na folia na casa do Crepúsculo. Posso acordar risonho
por saber que tive Sonhos. Sonhos com S maiúsculo.
32) SONHO FELIZ
Sentado em cima do mundo Sem ter por um segundo Nada pra pensar Sem nada nem dor nem desgosto Nem medo no rosto Pra me preocupar Com vento caminho ao relento Desperto e atento olhando pro mar Vejo surgiu de repente Muito calmamente A luz do luar Vem vindo e me alegrando E eu rindo e chorando Me ponho a cantar Logo chegam as estrelas Tão lindas tão belas A me iluminar E eu no esplendor desse dia Espero que essa alegria Nunca vá terminar Mas depois desse instante Sereno brilhante Eu vou despertar Desculpe meu caro ouvinte No instante seguinte Não vou mais sonhar Já vou m’embora Já está na hora de acordar. Não fica triste não chora A qualquer hora Eu volto a sonhar.
33) SONHO MENINO
Quem quer comprar o meu sonho ? Um sonho tristonho. Um sonho vazio. Um sonho risonho. Um sonho pequenino. Um sonho menino amigo do menino Luar. Um sonho que todo dia vou sonhar, mesmo depois que alguém o comprar.
Publié le 24/05/2008 à 4:41:02 AM
Par Mauro Valente
1) TEU CARINHO ME FERIU DE MORTE
Teu carinho me feriu de morte Foi profundo corte E saí por aí sangrando vida Carícia em nosso ser epiceno Que tem orgulho de ser obsceno Escorrendo por cada ferida Cada um tem o amor que merece Isso a gente não esquece Mesmo nessa louca corrida Quando você tirou o disfarce Dei-te a outra face Que você escarrou logo em seguida. 2) TIA PREFERIDA
Queres saber quem é minha tia preferida ? Não te direi o nome. Nome é palavra. Vento a leva. Fogo a consome. Água a apaga. Terra a engole. Só digo, então, que não vê com olhos vê apenas com o coração .
3) TORRE (24/02/2000)
Ergui minha Torre sobre as cabeças de meus melhores amigos. Eles juraram que servir a mim era seu Destino. Mas mentiram. Seguiram seus próprios caminhos e fizeram ruir meus sonhos de ser divino. Prenderam-me em minha Coroa como se eu fosse um bandido, só porque me esqueci de recompensá-los por terem sacrificado a mim os mais preciosos anos de suas Vidas. Que absurdo. Aqueles malditos destroem minha Torre, proíbem-me de erguer outra, jogam-me na sarjeta da Rua da Amargura e, ainda por cima, querem me ensinar a viver. Pensam que sou idiota, aqueles mentirosos. Querem que eu acredite que, quando alguém sobe na Vida pisando em outras Vidas, não fica no topo. Mal chega, logo cai em si, logo despenca. E quanto mais alto sobe, maior é o tombo.
4) TRANS-TORNADO (17/09/1989)
O Furacão passou, passou o ser abissal. De tudo, nada restou. Salvou-se o pássaro Quetzal. Quetzal cantou. Sua voz divina de milho encantou minh’alma de marfim. Nasceu uma flor em meus olhos desertos. Nesta Lótus, Quetzal se aninhou, fez seu lar eterno. Minha pluma verde era muito frágil. Se eu a perdesse, seria trágico. A Brisa passou, passou o ser iluminado. Minha pluma se transformou em brilhante esmeralda. A pluma estava salva. O Furacão não pode carregar uma esmeralda. O coração é belo cofre, símbolo da Perfeição. Mas Ísis, a suprema deusa egípcia, ensinou-me que deveria guardá-la embaixo da língua. Aguardar o momento certo. Ela se transformará num verde escaravelho. Estava escrito, no Livro do Destino, que eu seria escolhido para ser o Boi Ápis. O Boi-Poeta, O Ápice de Osíris. Após a morte de Hórus, casar-me-ei com Ísis.
5) TRÊS MARIAS
As três Marias todos os dias saem em romaria pelo sertão. Rezam por melhorias em suas moradias, sempre muito frias mesmo no verão. Maria José é a mais experiente, dona de mais idéias, mais cobiças, mais independente Maria da Dores é a mais obediente, a mais submissa, a mais penitente. Maria da Glória é a mais caliente, a mais atraente à feroz cobiça dos gordos tenentes. 6) TRÍPTICO POÉTICO
1º) MANDALA 2ª 24/04/1988
- Que mito se iguala
Ao Filho da Virgem ? - Tuas Íris que tingem De Verde minh’alma. - Que símbolo é igual Aos meus Verdes Olhos ? - O Ouroboros, a Lótus, O Santo Graal.
2º) PROFECIA 23/10/1987
Beberei os pingos da chuva pelos poros da pele em grandes goles. Acenderão Esmeraldas em Minh’Alma. Em pouco tempo o Corpo Vigoroso irromperá Esplêndido Pleno de Frutos. Estarei Oculto em cada Fruto. Somente se a Serpente sibilar um homem saberá o meu Segredo. Aquele que Me conhecer na Plenilúnio será SER
3º) FRUTOS DA MESMA ÁRVORE 05/05/1988
Sol Feminino
Lua Masculina Imagens Arcaicas E as Minhas Rimas 7) TROVAS ÓBVIAS
Não sei se fico. Não sei se vou. Eu não me explico. Não sei quem sou. Não derrames teu pranto
por quem não faz merecer. Cante o mais sublime canto que dele irás esquecer. Voa, voa, gaivota.
Voa sobre o mar revolto. Voando vai e não volta. Pois seu voar está solto. Olho com contentamento
o céu de estrelas brilhando, pois parece neste momento que a Lua o está bordando. Não fique assim triste.
Olhe a noite estrelada. A felicidade existe, nela está representada. Ondas de felicidade
enchem o meu coração. Fui tomado de verdade. Por esta intensa emoção. Lulu, você é papisa,
necessita da hóstia comer. Pois dela você precisa, para poder sobreviver. 8) TU VENS (23/12/1986)
Tu vens Cavalgando teu cometa Tens na mão direita O meu presente Meu coração já pressente É um cordão de estrelas Desmontas E demonstras O quanto me amas Só com um olhar Nem precisas falar Bem sabes que me inflamas Acendes uma centelha Em minh'alma Meus olhos baços Adquirem intensa chama Tu abres meus braços Me transformas numa estrela Para que eu faça parte Do teu Universo Sou uma obra de arte Tu és o meu criador Por ti meu corpo arde Até o fim dos tempos Por ti meu coração bate Em sua perfeição vermelha
9) TUBARÃO NA PISCINA (03/01/1987)
Há um tubarão na piscina. É preciso muita coragem para mergulhar atrás dele, abrir sua barriga com um punhal e resgatar a Princesa, pérola prisioneira nas entranhas do monstro. Peguei um fio de nylon, amarrei uma ponta em meu tornozelo esquerdo. Amarrei a outra ponta no trampolim, treze metros acima e fiquei dependurado, esperando o tubarão. No fundo eu esperava que o monstro não viesse. Mas veio, e engoliu meu punhal. Subi pelo fio de nylon até o trampolim. Soltei-me e desci pela escada, disposto a tentar de novo. Tentei fazer amor com minha mulher, em nossa cama. mas não consegui, estava impotente. Na noite seguinte, o tubarão dormia no fundo da piscina. Apanhei minha máquina subfotográfica. Queria aprisionar sua alma, queria escravizá-lo, para que satisfizesse os desejos de minha mulher. Consegui uma bela foto. Mas a câmera era Polaroid e tubarão era Narciso. Apaixonou-se pela sua própria foto. Roubou-me a máquina e foi fazer amor com ela no fundo da piscina. Para subir, tive que confiar no meu tato. Estava cego de ódio.
10) TUDO É VAGÃO (30/04/1987)
Tudo é tão vago, tão impreciso, que mal consigo manter os pés no chão . Dentro de mim um vazio, sou uma árvore sem seiva se estás distante. Tudo perde o contorno e me confundo com tudo . Tudo é tão absurdo. Sinto-me uma ilha sem mar em volta, só abismos me rodeiam. Estou suspenso Por um tênue fio. Que pode partir A qualquer momento E me levar a ser Menos Que o mais vil Pensamento. Sou papoula sem ópio. Sou vilão sem ódio. 11) ULISSES (19/09/1999)
Ulisses, fomigerado assassino. Filho da Fome e do Fumo. Facínora, fascina. Semeia, na Sereia, vazia menina, a Erva de Minerva. Amor fascina, vacina, vicia menina. Faz dela cafeína, cafetina. Sereia domina. Aranha lasciva, alicia a Polícia. Controla o tráfico, engarrafa Ulisses. Ulisses falece. Renasce feito Fênix, graças ao crack e à pinga. Ulisses se vinga. Atrai, seduz a Polícia com cocaína e propina. O esquadrão escala o barranco, invade o barraco da Sereia. Segura seu barco na crista da onda, para Ulisses poder abatê-la. Recheá-la com amargas balas de amor e lágrimas.
12) UM BANHO DE FLORES SILVESTRES 04/11/1987
Um banho de flores silvestres Um segundo banho com os Encantos de Afrodite Um vestido de sonho Uma rosa branca Entre mãos trêmulas E a jovem donzela Espera por seu amado Entre suspiros de dor
13) SOL, SOLENE ASSASSINO (1988)
Um sol solene me assassina. Desmente o labirinto. O Mistério ruiu sobre a minha alma. Meu sonho não voa mais. Num chão de chama espalho o meu delírio. Menina Azul, grávida de Lua, com as Estrelas luzindo nas tuas mãos o coração me acendes. Bebendo-te a Refulgência teu disco Argênteo n'alma imprimi. Cavalgo um cavalo com asas abertas de Grande Águia Quero um Tempo novo além do tempo. A Noite além da noite. O Lado além do Outro lado. A vida só é possível reinventada. 14) UTOPIA
Errando... pelo Pântano da Melancolia... Ansiando... raízes e carícias... Rasguei meu coração na fantasia... Mesmo assim anda ainda viva minha Utopia... Acredito, um dia existirá o Paraíso...
15) VAMPIRÓDIAS
1 Eu me sinto tolo. Um vampiro tolo pela tua casa. Morcego sem asa. Conde da Covardia. E se guardo tanto meus caninos finos nesta água fria, é que arde o sol, onde a lua ardia. A estaca no peito rouba-me a vida que eu queria te ofertar de vez. Para ser teu, talvez Mas o Vampiro Conde é talvez covarde, para gritar que parte só pra Transilvânia. A paixão, vampira alucinada e nua, correndo pela cripta, ao ver-te calada, ao ver-te armada, com um raio de sol. Talvez experando deste Conde amante a paixão que ele espera também receber. E quebrar as cruzes com que ela insiste em se defender. 2
Oh ! Oh ! Vampiro, vê se deixa em paz. Meu pescoço não aguenta mais. Você não pode esquecer, sem sangue não posso viver. Ei, ei, é o fim. Adeus, Vampiro ! Pra longe de mim ! 3
Era um Vampiro muito engraçado. Tão tarado e tão enérgico. Coitado... a sangue era alérgico. 4
Quero sangue no almoço. Quero sangue jantar. Sangue tá virando mania alimentar. 5
Não quero sugar todo o seu sangue. Não quero você exangue e sem cor. Apenas quero que você se manque e me ame, por favor. Não quero quebrar todos os seus dentes. Não quero que você vire pó ao sol. Apenas quero que você seja decente e me deixe em paz, Vampiro-mor. 6
Diga : « Teu sangue não presta ». Negue que já me mordeu. E eu mostro o pescoço perfurado, mais que o metrô esburacado, pelos dentes seus. 7
Vampiro, Vampiro meu, existe pescoço mais delicioso do que o meu ? 8
Canino mole em carótida dura, tanto morde até que perfura 9
O menor caminho entre a vida e a morte é um canino. 10
Quem não gosta de sangue, bom Vampiro não é. Não nasceu para Conde, ou doente dos dentes é. 11
Chegou a Turma dos Vampiros. Todo mundo suga, mas ninguém exagera tanto. Há, Há, Há, Há, Há. Mas ninguém exagera tanto. Nós é que morremos, e eles é que ficam exangues. Eu mordo sem compromisso. É meu direito, ninguém tem nada a ver com isso. Enquanto houver carótida, enquanto houver luar, viva está a Turma dos Vampiros. Morô ? 16) VATÍCINIO DO VATICANO (15/07/1990)
O Vaticano está coberto de farrapos. Espelhos para captar as mensagens de Deus. O chapéu do Papa mendiga cruzes. Caminhos para melhor conhecer os humanos.
17) VEJO VARIAÇÕES DE VOCÊ (11-08-1987)
Às vezes não posso dizer que te conheço bem sem me surpreender, sem fazer loucuras mil, sem ser sentimental, sem padecer. Às vezes enxergo-te azul, suspensa em suspiros no ar de nosso lar. Como em visões de êxtase lunar. Tuas luzes inundam-me de paz. Às vezes não posso dizer que sei te amar. Às vezes tuas seduções não surtem efeitos por mais que eu queira. Às vezes danças alegre, vestida apenas com pétalas de rosa, espelhando teu agressivo aroma por toda a nossa redoma. Às vezes nos amamos por pura distração. Às vezes escrevo-te e responde-me só para tecer frases com frágeis fios corrosivos em teus ouvidos. Às vezes digo que te amo só para te irritar. Só para te ouvir sussurrar calúnias sensuais pelos cantos da casa. Às vezes marcamos encontros só para apostar. Ganha quem chegar mais atrasado. Às vezes o número treze me atrai. Aí tu me trais com treze homens ao mesmo tempo, só para me alegrar. Às vezes comemoro os aniversários de nosso amor sozinho, pois estás insuportável, estressada demais. Às vezes brincamos de arqueologia desenterramos emoções antigas. São beijos inativos, carícias extintas. Servem apenas para lembrar, sempre haverá esperança enquanto houver o que desenterrar.
18) VERDE (05/12/1987)
Como é verde A tua mão Só ela pode fazer A flor do Amor Florescer No meu coração Como são verdes Os teus olhos Meu amor Só eles podem conter Os adubos Que podem fazer Minha mente Novamente crescer E render novos frutos Como nos dias De maior esplendor Mas ainda Mais verde É esse teu ventre Onde jogo Minha negra semente E logo nasce O esplêndido ente Cujos fogos maravilhosos Incendeiam a humanidade Despertando de novo Nos peitos e nas mentes A chama divina Sagrada Imaculada Conhecida desde sempre Chamada corretamente Felicidade 19) VERSOS QUIMÉRICOS (05/11/1985)
Se queres ingressar no culto do onírico e do quimérico, decifra, leitor, o mistério oculto em meus esotéricos versos.
20) VIAGEM 15/07/1988
Sonhos ondulando... Poemas tremulando... Ao leve sopro do Luar... São velas brancas... Eu nelas navegando Para além deste lugar... Para além das linhas, Atravesso florestas coralíneas... Mistérios de mim... Sabendo ser tudo miragem, Mais real me é a viagem. Mais me é a viagem sem fim...
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