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TRAJECTOIRE DE MAURO VALENTE
Je suis né à l’année de 1967, à la ville de Rio de Janeiro, quand j’ai reçu le nom de Mauro Brito da Silva.
En 1991, j’ai reçu le diplôme de la Faculdade de Letras da UFRJ, référent au cours de Portugais-Litté ratures.
Je m’exprime à travers de plusieurs arts: Littérature, Arts Plastiques, Danse e Thêatre. J’utilize tout le pouvoir des symboles et des mythes pour intégrer, dans mes oeuvres, les divers aspects de l’être humain et aussi les arts les uns avec les autres.
J’ai commencé à écrire poésies à cause d’ inspirations subites. Aux cours d’oficine littéraire, j’ai appris à mieux contrôler le processus criatif. Mes poèmes ont été déjà exposés et publiés, à cause de recompenses que j’ai reçu et de ma propre initiave.
J’ai presenté mes essais littéraires deux fois, pour être invité. Une fois pendant un congrès organisé par la Faculté de Lettres de la UFRJ.
J’ai appris à faire collages en 1982, au Colégio de Aplicação da UFRJ. En 1992, j’ai suivi un cours de collage, quand j’ai été éleve de Monica Barki. Dès 1991 jusqu’aujourd’h ui, à propos de cet art , j’ai dejà réalisé six expositions individuelles et trois collectives . J’ai exposé deux fois aux galeries du SESC, à Friburgo et à Tijuca.
Origam i j’appris à faire avec les programmes enfantins, que j’ai assiste à la télévision. J’ai amélioré ma technique comme autodidacte et au cours que j’ai suivi au Centre d’Artes Calouste Gulbenkian, em 1999, dont le professeur a été Mirian Nigri, membre du grupe Origami Rio. À ce même année, j’ai participé d’une exposition collective, où j’ai exposé mes origamis.
Le Tablado m’a enseigné à ëtre acteur, grâce aux trois cours que j’ai suivi dans cette institution, em 1985 et 1986: improvisation, interprétation et expression corporellle. Le professeur d’improvisation à été Ricardo Kosowski. À l’année de 1995, j’ai été membre du grupo Fazendo Arte, travaillant comme chanteur au choral et avec le théâtre enfantin, comme acteur et faisant les scénarios.
L’o bjectif de mon projet d’enquête a été démontrer les différentes relations entre les fous et les mythes, dans la fiction brésilienne. Je l’ai realisé entre 1990 et 1991. Je suis financé par le CNPq et orienté par le professeur-doct eur Wellington de Almeida Santos.
Intégr ant les arts, les uns aux autres, j’ai déjà realisé: deux expositions de poèmes et collages; une oficine par suggérer aux professeurs técniques d’interaction entre Litterature et Arts Plastiques.; huit performances, alliant Poésie, Théâtre et Arts Plastiques, une d’entre elles au théâtre Vila Lobos.
Em octobre 2000 j’a participé de la pièce “Os Gregos”, crée par la Companhia de Teatro Medieval. J’ai actué improvisant avec l’actrice Márcia Frederico, par qui j’ai été choisi pour avoir répondu correctement ses demandes sur les mythes grecs.
En 1995 j’ai lu le livre “Tarô Mitológico”, que m’a aidé à commencer ma carrière de tarologue. Dès le commencement, j’ai fait un grand succse, parce que je me suis revélé très habile en donner des conseiiles pratiques, utiles a résoudre les problèmes de mes clients et en faire prévisitions, qui ont été vraiment realisées.
À l’année 2000 j’ai realisé deux songes, que j’ai déjà eu longtemps. Le premier a été le lancement de “Coração Coringa”, mon premier livre de poésies, où les phases de la lune symbolisent beaucoup d’étapes et plusieurs types de relations amoureuses. À ce livre, je m’ai dédié pendant dix ans, m’ocupant de tous les détails: écrire les poèmes, créer les illustrations, faire la révision, le relier, le vendre. Ce livre a été mon second grand succès, comprové par la vente de beaucoup d’exemplaires.
Le second rêve que j’ai realisé, l’anné 2000, a été la création de “Poesia Energética” mon premier site pour l’internet . Dans ce site, je presente la proposition de la totalité de mon oeuvre poétique, qui est la d’englober tous les aspects de la conduite humaine. Les poèmes sont classifiés par catégories, symbolisées par les quatre éléments et illustrés para mes collages, inspirés sur le Taro.
Depuis 1999, quand je m’ai decidé concentrer toutes mes énergies et tous mes talents dans une seule série de libres, je me lui dédie. Mon objectif est prouver à tous que, dans chaque personne, existent les moyens pour réussir à améliorer la qualité de vie. Et ce sont faciles à découvrir, à partir d’un chose simple et accessible à tous: les proverbes brésiliens. Ça est possible parce que ces proverbes possèdent les mêmes symboles que le taro, par exemple: la Voiture, la Lune et le Monde. À la version en français de ce série, que je suis en train de traduir du portugais, j’ai donné le titre de “Taro Brésil.
J’ai choisi Mauro Valente pour être mon nom artistique, parce que c’est le que mieux me caractérise, dans trajectoire de vie. Dans ma constante lute pour exercer mes droits, comme citoyen; pour réaliser me rêves, comme artiste; pour superer mes limites, comme être humain.
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Publié le 12/06/2008 à 2:18:02 AM
Par Mauro Valente
1) A FÁBRICA DE FABRÍCIO (28/07/1986)
Sou Fabrício dos mortos e das flores, Das sepulturas, dos jazigos, Dos sepulcros, das criptas, Da grama, da semente, Do jardim, das árvores, Das plantas. Sou Fabrico das Cruzes. Elas são meu emprego. Sou Fabrício, Sem vícios, sem chouriço, sem feitiço, Para todo serviço. Para todo emprego. Sou Fabrício do Santo Sossego. Comecei meu ofício Ainda na tenra idade, Com as bênçãos De Padre Cícero. Enterrei meus pais adotivos, No meio do jardim da cidade. Sou Fabrico do Santo Ofício. Fui feito pra isso. Não nego fogo, Não aturo rebuliço. Quero ver os mortos Descansando felizes. Faço a mudança De todo os ossos Para o Santo Sossego. Sou Fabrício Das covas rasas, Das raízes profundas, Das Sempre-Vivas Das Quase-Moribundas, Sou Fabrício do Santo Sossego. Dizem que sou louco, Por eu ter um gosto assim: Gostar mais dos mortos Que de mim. Sou Fabrico do Cemitério. Sou pedreiro nas horas vagas. Com as mãos, nas pedras, Deixo meu coração gravado. Sou um valente negro. Sou Fabrício Do enterro, do carneiro, Das rosas, dos ossos. Sou Fabrício do Santo Sossego.
2) A LEI DE LEILA (26/04/1994)
Leila respeita as Leis da Melodia. Leila ergue com seus versos a ponte a pauta da Fantasia. Leila mistura lágrimas com nuvens e refloresta o deserto com as pétalas de sua Poesia.
3) APUROS DE APOLO (21/04/1987)
Faleci em teus braços meu amor. Subi até os Astros do Senhor. Adormecido, igual Jacinto, nos braços de Apolo protegido ainda me sinto por teus olhos.
4) AURORA INFINITA
Aurora, o sol desponta no céu. Agora, teu beijo tem sabor de mel. Lá fora, o tempo passa e eu não sinto. E eu flutuo infinito. Aurora, teu beijo desponta no céu. Agora, o sol tem sabor de mel. Lá fora, eu flutuo e não sinto. E o tempo passa no infinito. Aurora, eu desponto no céu. Agora, o tempo tem sabor de mel. Lá fora, teu beijo aflora como absinto. E o sol flutua no infinito. Aurora, o sol flutua e é absinto. Agora, teu beijo tem o sabor de como eu me sinto. Lá fora, o tempo passa céu no mel. E eu flutuo no teu abismo. Aurora, o sol desponta no mel. Agora, o tempo tenta parar e eu evito. Lá fora eu flutuo, ao sabor de infinito Do teu beijo, ávido labirinto.
5) CASAL DE ANJOS (02/10/1987)
Casal de Anjos
Passeia pelo Céu. Em meio a seus passos. o Verbo floresceu.
6) DESESPERENÇA (30/04/1987)
Sei que não chegarei
Á luz no fim do túnel. Sei que morrerei No meio do caminho. Então por que insistir ? Que energia Me obriga a prosseguir ? Talvez a esperança De que a luz Se compadeça de mim Se eu morrer Antes de alcançá-la. Esperança estúpida, Luz não sente nada.
7) ENIGMA (01/06/1989)
No centro
de uma floresta encantada habita um ser iluminado. O caro Leitor por acaso adivinha qual é a luz nítida que ao ser ilumina ? Será a luz infantil das entrelinhas? Será a luz madura da Lua ? Será a infernal Luz Solar ? Será o edênico Não-Luar ? Não, O Não-Luar, o Sol, a Lua e as entrelinhas não são a origem da luz que faz brilhar o ser que o centro da floresta plena de encantamentos habita. O Sol, as entrelinhas, a Lua e o Não-Luar brilham menos que o ser iluminado que habita no centro da floresta encantada. Caro Leitor, Já te disse muito, Porém não Te disse Tudo. Direi então: A floresta encantada É o meu coração. O que não disse, Direi agora: O ser que ilumina e anima a floresta encantada com cristais mágicos no centro de sua alma, tem mais luz que a Lua, o Sol, o Não-Luar e as entrelinhas todos juntos, é um bruxo lindo. Qual é o seu nome ? Eu ainda não disse ? O nome dele é .... DIONÍSIO.
8) FÁBRICA FÁLICA (04/05/1990)
Na fábrica Os operários fabricam - produção em série – televisões com controle remoto. Na loja Os operários são fabricados - produção em série – pelo controle remoto das televisões.
9) LAMENTO DE FÊMEA (19/06/1985)
Estou condenada A viver de restos Pelo resto da vida. Sou um mero brinquedo. Um objeto Nas mãos abjetas Do Rei dos animais. Tenho que Me contentar Com seus Fugazes carinhos Que ele Só me faz Quando Eu não quero.
10) LEILA LILÁS (15/06/1994)
Leila Lilás... Dedilhas Cachoeiras siderais... Inspiras Incensos ao Pai de Todas as Galáxias... Leila, leiga ? Não... Ensinas Com a maestria A vivenciar A essência Dos cristais. Leila, és de Lei. Lei do Amor, Lei da Paz. Fazes da vida Constelação De Poesia, Para todos Poderem lê-la E vivê-la Com o brilho Das Estrelas.
11) LIÇÃO DE MÃE
Ser Mãe Não é arrancar As asas De seus filhos. Ser Mãe É podá-las Com Amor Para poderem, Livres dos excessos, Voar mais longe E com mais segurança Rumo ao Sucesso.
12) LOUCA VERDE AZULADA
A Louca Verde Azulada Não a quero estátua Em foto amarelada. A quero Em seu habitat, Viajando plácida Em sua barca transparente Entre Céu e Terra Em eterna Primavera. E quando Chegar á noite Quero ver a Lua Embalá-lo na barcaça De seu regaço. Quero ver A Louca Virar Pomba, Lançar as sementes Da árvore sagrada. A Louca Enluarada, Não quero comportada Pelos diques Da lucidez. Não a quero dissecada Pelo bisturi Da realidade. A quero transbordando, transportando todo o Mundo para a Terra da Felicidade.
13) LOUCO (PRIMEIRO) Sou um louco admirável.
Acredito em tudo que digo, Mesmo que seja verdade.
14) LÚDICA DÚVIDA (21/07/1985)
Não sei se é sonho
Ou se é piração. Baixou a prestação Do quilo dói riso, No País da Inflação. E no fundo do mar Tem árvore de camarão, Ou pé de lagosta, Ou ostra de montão. Quem quiser, O só mergulhar E colher. Ainda é grátis, (até quando ?) Nesta terra Onde Capital É Deus É Patrão.
15) MANIFESTO DA SUCATÉARTE
Quem cata Sucata Se cata. Se cura Com cultura. Abandona A absurda luta Contra Os fantasmas Do passado E as fantasias Do futuro. Quem faz Da sucata Arte, Se ata. Convida A dissolver As correntes Do ódio E se libertar Na aliança Da comunhão. Porém Não se atreva O artista da sucata A crer-se estrela, Estátua com status De divina perfeição. Faça, Com humildade Da sua arte Exemplo Para toda A humanidade. Para as pessoas Não se permitirem Virar robôs de latão Nas podres mãos do poder. Para fazerem A grande magia A Alquimia Interior. Transformarem O ódio Sua ínfima sucata íntima No ouro De mais puro kilate na mais sublime de todas Artes: AMOR
16) MADRE AUGUSTA (27/02/1985)
Um ano mais jovem Porém, um ano Mais experiente. O tempo segue Sempre em frente Imponente, Na suas Eternas rondas. E hoje Para Maria Se inicia Mais uma Primavera. Ela que tem A energia Das crianças, A responsabilidade Dos adultos E a sabedoria Dos idosos. Àquela que me aturou Por toda a eternidade, Desejo um passeio Pelo jardins Mais que formosos Da Felicidade.
17) MARINHOS FELINOS (04/06/1994)
Mar ronronando... Rondando... Marinhos felinos... Cupidos Vampiros... Capa de Luz... Capuz capaz de seduzir A virgem Amélia... A fim de espalhar Sangue e ambrosia Pela pele marinha... Amélia semeia Vermelhas colméias, Espelhos dela... Colméias rainhas, Linhas de Poesia Nas páginas marinhas... Os pescadores Pensam seres Sereias... Unem-se à teias... Não se perdem... Os machos Se acham... Se desmancham Para integrar A Alquimia Da Felina Poesia Marinha...
18) MONSTROS ELETRÔNICOS (08/02/1987)
Os monstros Com seus Olhos eletrônicos Vasculham As cavernas Atrás Do meu cadáver. Jamais Irão achá-lo. Sou o Líder deles. Se depender De mim, Minha carne divina Será semente Para fazer Brotar A sublime Àrvore da Profecia.
19) NARCISA (02/06/1985)
País lendário Sem tempo, sem calendário. Habita a bela Narcisa, Filha de Mar e Lua Seu castelo de nuvens Áureas e rubras. Paira sobre as humanas lutas e as humanas paixões. Quanto mais De outro alguém Precisa Tanto mais De outro alguém Prescinde. Dragões ecoam raios. Seus fiéis lacraios Afastam os deuses E os príncipes encantados E os piratas, todos Os que ousarem Sonhar em aproximar-se Da fortaleza. Contempla Sua rara beleza Nos cristalinos espelhos Espalhados pelo Seu império Inteiro. Seus puros, seus raros Traços cristalinos Conhecem a seda Apenas de suas Sedentas mãos Céu e Terra Tudo se transfigura. Porém eterna É a corpórea alvura É a anímica bravura De Narcisa. Oferece seus encantos A si mesma. Em seus rituais De prazer infinito. Deita-se sobre Sua nuvem de seda, Espalha Aroma de lírios Em seus alvíssimos Altivos seios Alisa-os Da base Ao ápice. Seus dedos Ágeis gazelas Deslizam sobre Seu ventre Até as negras Pétalas de Seu sexo. Carícias dedilham As pétalas Animam a ária Das delícias. Narcisa É envolvida Em divina Aura de luz. Aves cantam Acompanham A cadência. As flores Explodem Suas irisadas Essências. Deslumbram-se Homens E deuses Com os argênteos orgasmos De Narcisa, Solitária Sublime Ninfa.
20) MEUS DIAS DE FELICIDADE (05/06/1987)
Nos meus
dias de felicidade, as Luzes auxiliavam-me sempre que as Trevas ameaçavam invadir a minha vida. Hoje as Trevas São minhas aliadas E as Luzes São minhas inimigas. Nos meus dias de felicidade, As serpentes Ensinaram-se em sonhos. A plantar diamantes. A Lua os regava Com seus raios. Nasciam pomares De Lótus. Nos meus dias de felicidade, Cantar era fazer oferendas No Templo da Poesia, Para agradecer A ausência de doenças Em meu corpo E em minh’alma. Viver era um simples poema, nos meus dias de felicidade.
21) O CAMINHO DA POESIA (27/11/1987)
É estranho O caminho Para a Poesia. Os atalhos atrasam, Afastam-me Do alvo. Meus versos, Há anos, São flechas Sem arcos.
22) O CORAL DE CAROLINA O coral de Carolina
Apavora A cor da Alegria. Seu cantochão cinza Corrói, no carnaval, As colunas da Euforia. É o Rei Momo, Vendo Esvaírem-se As calorias Da sua Coroa Em eterna Quarta-feira De cinzas, Amordaça, Amaldiçoa O Coral Das Coroas Carolíngeas.
23) OPÇÃO (08/10/1994) Não o corpo dócil,
Fóssil cravado na Cruz. Sim os corpos unidos, Ungidos pelo suor. Não a Coroa De espinhos Espremendo a mente, Destruindo a semente Do ente: Mártir inútil. Sim o encontro Ardente das vísceras, Libertas pela Corrente Da Vida. Regando todos Os recantos De dois seres. Celebrando A comunhão do Amor, Exemplo de Vida. 24) OSMAR (04/06/1987)
Maravilhoso Mar
Só vós podeis aproximar Só vós podeis amarrar Meu corpo Meu espírito E minha alma. Os estilhaços De mim Que o tempo Fez explodir E espalhar Pela face Da Terra. Abominável Mar, Só vós podeis matar Minha ânsia De me diluir No amargo Lago lunar Da minha Paixão Por minha. Infinito Mar Fazei-me, enfim, Habitar o plácido Palácio de Marfim Que ocultas Dentro De mim. Amarelo Mar Mãe insuportável. A Lua vira Medalha enferrujada Amarrada e arrastada Pelo Cometa Infernal Quando inaugurais Na face da Terra, Com vossa Água-corrente Vosso Amarelo Império.
25) PLÊIADE (14/11/1985)
Navega mares lunares, Vago Comandante em voga. Vai perscrutando os lares Aonde sua onda logra. Catoptromante bruxa, Personagem popular. Mostra as máculas ocultas Na alma polida do lar. Vela pelas veleidades, Volúvel ser no poder. Saranda sem ter vaidade, Mas com todo prazer.
26) PREÇO DA PAZ
Se a Paz Te apraz, Por que compras A Paz Com aliança de papel ? Se à Paz És Fiel, por que te lanças, em missões e mísseis, para converter outra nação à tua pacífica religião ? Se é um Ser Feito de Paz, Por que fazes, Então ? Do Holocausto O Espetáculo Da tua Redenção ? 27) PROTESTO
Não me apraz Ver meus Versos decifrados Por olhos fechados, Incapazes de amar. Melhor seria Não tê-los escrito, a vê-los lidos por pessoas de pedra. Coração de pedra, Alma tão dura.
Publié le 12/06/2008 à 4:02:27 AM
Par Mauro Valente
1) RUÍNA NACIONAL (04/12/1988)
Ouviram do Ipiranga As margens flácidas, De um povo irado O brado retumbante, Pois do céu Da idolatrada pátria Foi roubado O sol da liberdade Neste instante. Porém o pendão da desigualdade Conseguiram em nós plantar Com braço forte Em nosso peito, ó liberdade. Contra o fado cruel Ninguém mais pode. À Pátria amada, Espoliada, Salvem, salvem. Brasil, país imenso, solo riquíssimo. Na miséria o povo ainda padece. E o brasileiro ouro, risonho e límpido, Em estrangeiros cofres resplandece. Gigante, onde está a tua grandeza ? Onde o sol do nossos povo ? Quando poderemos cantar-te Erguida a cabeça, O Hino Nacional de novo ? Terra roubada Por outras mil És tu, Brasil, O Pátria desarmada. Se o pendão da escravidão, Conseguiram em nós plantar Com braço forte. Em teu seio, ó ser vil, Renascerá a liberdade Mesmo adubada Pelo sangue da ignorância.
2) SER MÃE (1ª VERSÃO)
Ser Mãe É ter a sutileza Das asas do Sonho. Ser Mãe É ter o aroma ambíguo Da Poesia em Flor. Ser Mãe É ter a firmeza Das pedras do Amor. Ser Mãe É ter o ritmo O pêndulo íntimo Das ondas da Vida. Ser Mãe É saber não afogar Seus filhos Com afagos Mesmo sendo Mar do Amor. Ser Mãe É ser acima de tudo Mulher. 3) SONHO VIAJANTE
Por onde andou meu sonho, A memória me foge. Terras estranhas por certo viu. Onde coisas fantásticas acontecem. Como estrelas que estremecem Só de ver o fausto Com que a Lua se veste. Onde serpentes se arrependem Das mortes que causaram. Onde Amazonas se casaram Com Faunos Que há anos persegues. Onde não podem morar Máscaras de nenhuma espécie. Onde cada um aparece Como realmente é. Onde as auroras são claras. O caminho de volta Quase de mim se esquece, Ao ver como fosforece A Rainha Profana, A mulher sagrada Chamada Cleópatra. Finda a aventura, Ao lar que vazio Viu ficar. Meu sonho retorna. Ao retornar, Acrescenta ao que havia Mais do que poderiam Juntas criar Loucura e Magia.
4) SUBVERSÃO (24/10/1999)
Em meio à via Havia uma lápide A se depilar. Uma lápide A se depilar Em meio à via Havia. Este evento É vento, As Retinas Retintas De rotina Altera, Alerta. Jamais Me olvidarei Deste vento, Evento singular. Perante A lápide A se depilar, Em meio à via Havia eu. Eu a via. Eu, A via. 5) TUPÃ (05/05/1990)
Tupã,
Meu bem-amado, Tua flecha incandescente Fecunda minhas palavras. Áridas escravas Dos dicionários Tornam-se mágicas, Grávidas de Poesia.
6) À BEIRA DO VAZIO (08/12/1987)
À beira do vazio Um casal conversa. Vazia conversa Numa tarde toda tecida Com macios fios de nada. 7) A BRUXA FADA (04/04/1988)
Minha bruxa encantada
Por ti fui encontrado No meio da selva de pedra. Minha bruxa-fada Anula minhas perdas. Me livra da farda Anula meu fardo. Arranca minhas pedras. Minha bruxa encantada, Os gnomos, os duendes, As salamandras, as serpentes, Te acompanham. Me deixa beber Do elixir Da tua alegria, Para existir Na minha vida A magia De ser feliz. Me deixa habitar Os teus sonhos, Para visitar Os recantos Encantados Dos contos De fadas. Minha bruxa enluarada, A Mãe Terra, A Mãe d’Água Te geraram. Meus segredos, meus mistérios, Tu desvendas Com um apenas De teus versos. Coloriste minha vida Com a brisa Dos teus olhos E o cinza E seu reinado Hoje hiberna Nas cavernas do passado. Mihha bruxa, Teu ar de fada Vem da Lua, Vem da tua Natureza De ser ente Que enxerga Nas serpentes A beleza Que há Nas sementes, Nas ervas. 8) A TORTURA DA POESIA (27/07/1988)
A Poesia me captura
Com seus vesgos Olhos de visgo. A Poesia me tortura, Torce minhas veias. Explora meus infernos. Vertido para o vértice, Ápice de dois desejos, Onde me vejo Múltiplo. Múltiplas fontes Para preencher O infinito-escasso. Espaço aveludado Da página.
9) ABRI MEU BAÚ (29/03/1987)
Abri meu baú Tirei coisa por coisa Que no fundo havia E dei à luz à luz do dia. Um livro de Cabala Com meu rosto Na capa Cabelos em ouro Olhos em estrela. Um par de chifres Feito em Pedra da Lua.
10) ABRISMO (18/07/1986)
À beira do abismo Me lembro Do bacilo do facismo Se alastrando Pelo mundo civilizado. O abismo E sua milenar Sombra oracular Miram-me pela Ocular bola De coral Da Cabala. O abismo Me convida A delsizar E escapar Com vida do labirinto de meus desejos insaciados. Do abismo. A garganta É arisca. Árdua a descida. Quem ousa E se arrisca Pode se considerar Herói consagrado E santo canonizado. O abismo É traiçoeiro. Enrola Em sua teia O mais experiente Alpioneiro. No abismo É certa a morte E sem ressurreição. Já foi usada Como mote Por poetas Ancestrais De nossos Ancestrais.
11) ALGOZ AUDAZ (18/05/1986)
Tudo que faço Te deixa com um pé atrás Me vences pelo cansaço. Me convences com tua fala falaz. Tu escolhes A quem devo amar. Você me encolhe. Isso não me apraz. Tudo bem, tanto faz. Mas deixa Minhas madeixas Em paz. Minha moda tu fazes. Me incomodas, me fazes mal. Tu me queres normal. Prendes meu navio no cais. Ès meu Rei e teu arauto. Queres me afogar com um rato. És meu algoz mais eficaz. Traças a linha E me ensinas A andar Apenas nela. Se te desafio Me defenestras. Isso não se faz. Tudo bem, tanto faz. Mas deixa Minhas madeixas Em paz.
12) AMOROSA ESTRELA (24/09/1984)
Uma mulher caminhando por um campo azul, encontra uma borboleta, toca nela e voa. Voa até bem alto e depois desce fazendo piruetas. Pousa, caminha entre as árvores, lentamente. Ouve trombetas. Muitas pessoas se aproximam. Por entre elas vem dançando príncipe. Eles se encontram e dançam felizes. De repente, o príncipe sai correndo, a mulher o persegue. Cada vez mais rápida é a perseguição. Eles param e se abraçam. Ele a leva pela mão. Chegam ao castelo do príncipe. A mulher deslumbra-se. Entram. O príncipe a apresenta a seus criados. Súbito, sai correndo. Nova perseguição. Mulher pergunta aos criados se o viram, eles mentem e negam tê-lo visto. Ela sai do castelo. Dança pelo bosque, de quando em quando pára e olha dentro dos arbustos e atrás das árvores. Se alegra, pensa que tudo não passa de uma brincadeira, para acender e ascender a sua paixão. Ouve trombetas. É o príncipe que se aproxima com seu séquito. Mulher sorri para ele. Este passa e aprece ignorar sua presença. Ela vai atrás. Embrenha-se, desesperada, pelo meio da floresta, cada mais depressa. Não descobre onde está o príncipe, porém descore-se vestida de princesa.Segue o séquito, ouve sinos. Pessoas passam vestidas de amarelo, dançando. Lentamente, o séquito a abandona e segue os sinos. Ela corre até ao castelo. Revira tudo, procurando por ele. O encontra em um dos mil quartos, estirado no chão. Atordoada, tenta reanimá-lo. Tenta ouvir o coração, porém este também não lhe diz nada. Percebe que está morto. Serena, vai até à janela. Colhe as borboletas que vicejam ao redor do castelo. Planta as borboletas no coração do príncipe. Deita-se ao seu lado, na cama, o envolve com seu corpo e beija sua boca. As almas de ambos saem, voando e dançando, pelo salão. As almas brilham cada vez até serem uma só estrela,. A Amorosa Estrela sai pela janela. A Amorosa Estrela dança eterna pelo infinito espaço-tempo.
13) ANALORGIAS (29/06/1986)
Nossa cópula É uma peça Em três atos. Nosso diálogo É o roteiro De teatro-absurdo. Nosso caso É uma cena De cinema mudo. Os rótulos Jogamos pro alto Pelas rótulas Do auto. Nossa libido É nossa química Sublimação. Nosso olhar É o melhor Catalisador que há. Nosso orgasmo É um complexo Ativado. Você nada de créu, Eu nado de costas. Eu sou o Anjo Mau. Eu sou Gal Costa. Nossas carícias São pincéis de luz Pintando nossas imagens No infinito. Nosso calor É clorofila, Traduz em cósmica energia Nossos corpos materiais. Nosso humor É húmus. Nosso alimento Para o amor. Você me à vista. Eu te a prazo. Nossas canção É cadeira cativa Para a peleja: Bem X Mal. Nossa cor É um rock Rolando arte de cor. Nosso quarto É quartzo É quark É um foco De tetos-fátuos Buracos negros In lôco. Eu te conquisto, Você me com testa.
14) ÁRVORE VITAL E LETAL (23/02/1986)
Os rijos troncos rubros. È como se o sangue da Terra Jorrasse, transbordando Das veias E coagula-se em pleno ar. Nos ramos se entrelaçam Serpentes tecendo Teias verdes cobrindo o ar de paradisíaca renda. Entre as árvores de sangue Ainda pode-se ouvir O cantar das serpentes, Atraindo os artistas. São vampiras, inspiram Destilam rimas Para alimentar A Terra De Energia. Os ovos Das vampiras verdes São dourados, Esféricos e macios. São sóis Jogando no solo Para ferir A Terra E fazer nascer Novas serpentes.
15) AS FOLHAS (14/02/1987)
As folhas Dão sombra Pra rolha Na dobra Do galho Todo torto Pelos anos Ao sol O sol Se espalha Nas muralhas E só tão só tão fraco tão simples o nó da gravata na armada da fragata a naufragada se agarra ao tronco que ronco do mar pelo ar se vai o cais é mais que um soldado todo fardado dos pés à cabeça me esqueça fui !
16) BROTA DO CHÃO
Brota do chão
Do meu apartamento Fazendo um estrondo Tremendo, hediondo Uma montanha de gelo, Tendo por dentro Uma árvore de aroma E insenso perfume. Que emoção ! De mil em anos Meu admirador secreto Me envia um presente. Que surpresa ! É sempre o mesmo !
17) CARRO CARLOS (14/11/1997) Carlos,
carretel Acarreta Liberta as mentes Ao tecer Nas retinas A teia Da sabedoria Terna lanterna Ilumina Os íntimos tímidos Labirintos Da História. Sua magia De maestro Convida Ao passeio Pela melodia Da vida. Sintoniza Nossas energias De Noel, O Aquiles De Vila Isabel.
18) CAVERNAS DE GELO (21/02/1987) Cavernas de gelo
Casernas com trigo Artigos de inverno Cadernos vermelhos Jasmins no jazigo Espinhos em espelhos Cinco alegros Cachimbos pretos Alheios ao limbo Arreios ou estribos Acho a estribeira Almejo carinhos Encarno velhos marinhos Ali no fim da linha Sublima-se o linho. Em perfeito desalinho. Me desafio Me desfio.
19) CÉLULA = CIDADE (20/05/1985) Existem mais relações entre a vaidade celular e vida urbana do que pode supor nossa vã Biologia.
Membrana citoplasmática = Fronteiras entre cidades:
Limite entre a célula e o mundo exterior. Por vezes várias células estão tão unidas, que é impossível diferenciar as membranas umas das outras. Com as cidades acontece a mesma coisa. Núcleo celular = Centro da cidade.
Às vezes, os núcleos vão para a periferia. Acontece no corpo humano (megacélulas) e nos EUA (megalópoles). Em abos os casos não é muito recomendável passar pelo centro em nenhum hora do dia. Citoplasma = Perímetro urbano
Movimentos citoplasmáticos = Ônibus
Há muitas voltas desnecessárias. Nem Deus sabe quando chegarão ao seu destino. Retículos endoplasmáticos = Metrô
Transporte rápido, seguro e eficiente. Complexo de Golgi = Porto
As proteínas são devidamente empacotadas e embarcadas. Vão para outras células ou tecidos. Assim como dos portos as mercadorias vão para outras cidades, ou estados ou países. Mitocôndria = Usina Hidrelétrica.
20) CHUVA FAZ TROVA (07/08/1998)
A chuva enferruja O tráfego Encolhe Ruas E Pessoas.
21) CINE SAUDADE (23/07/1998)
Saudade faz Dos meus olhos Um cinema. Cada cena Se multiplica Nas telas Das lágrimas.
22) CINE SOLIDÃO És a estrela Dos filme que Nas telas Das lágrimas Do Cine Solidão.
23) COME(N)TA (11/01/1998)
a gente comenta a meta do cometa de mental metal.
24) CORAL DE PIANOS (25/05/1988)
Coral de pianos... Círios cândidos... Lírios-anjos.. Nasci... Gastei Meu dia Caçando pianos. Pianos não havia. Havia uma cigana A minha espera. Levou-me levitando Nos lírios do hábito Ao país sacrossanto Onde lei Dos Sábios Arcanos Impera.
25) DELÍRIOS POÉTICOS SEM MALDADE (30/09/1987)
Rever Walkiria
Euforia suprema Eterno dia Em meu ecossistema Walkirísima Bebida ilícita Inspira Iansã E ao águia igniza-se Rever Walkiria Nesta foto Kirlian Recria A Alquimia Wlakimística Cientista onírica Mefista Manifesta Walkiria Não gostarias De ser a minha Vampira ?
26) DISPERSÃO (20/02/1986) Afiada faca
Afaga formas perfeitas Fere fundo Efetua famosos feitos Defunteia facínoras Defende indefesas fadas Ceifa café Freqüenta festas famosas Fomenta hafalgesias Grinha falsos hierofantes Afidalga mafiosos Satisfaz famintos antropófagos Sacia vampiresca sede sangunária Faz cafrices Roufenhas barisferas afina Afia ninfas Linfas ofitas oficializa Azafama fatigados Transfigura feias faces Sacrifica feras Aflige janicéfalos falazes Favorece Morfeu Com os favos Que come De Orfeu
27) DOM QUEIXOTE (14/08/1997)
Por tanto amor, Tanta obsessão, Minha vida Fez-se em sina. Por fora Ou pelo avesso Já me desconheço Eu, caçador de moinho ? Preso a poemas, A eternas lendas Que não falam De mim. Dessa tal... Dulcinéia... E eu, Caçador de moinho ? Lá no fundo De mim Achei, enfim A Fada Sininho. Louco ? Jamais. Eu sou Galahad. Eu ? Caçador de moinho ?
28) DULCINÉIA PARANÓIA (22/11/1986)
Sou uma Dulcinéia
Em perigo Não há por acaso Nenhum Dom Quixote desocupado Para me salvar ? Ele tem chamas nos olhos Ele tem icebergs nas mãos Da sua boca Sai uma língua Fina e comprida Com duas agulhas Na ponta A cor dele É amarelo-visgo O corpo dele Só vai Até a cintura. Os seus olhos Fazem correr lava Pelas minhas veias. Suas mãos Ferem o chão. Uma espessa Camada de gelo Avança Em minha direção. Dou um doce A quem me socorrer Só sé for agora. É inútil Querer fugir. Virei iceberg. Agora Sua língua De cobra Aproxima-se De mim. Não posso desmaiar. Não há Entre os leitores Nenhum hipnotizador Para me manter Desperta ? Só me faltava Essa. Cada fagulha Se cravou Num seio meu Ele suga Todo meu leite É asqueroso eu achar tudo delicioso. A porta Do recinto Vem abaixo ! É o Quixote Dos meus sonhos ! Chegou atrasado, Meu amor... Meu coração Já pertence Ao meu ódio Ao Esfinge.
29) É DOLOROSA (17/04/1987)
É dolorosa
A nossa separação Mas sua duração Eu te juro Não há de ser eterna. A distância É só geográfica Nos Átomos do Cosmos Nossos Espíritos Estão unidos Com laços de ouro. A Mãe Terra Nos uniu para sempre Com fez Com as serpentes Do caduceu.
30) ERA DE NOITE E CHOVIA MUITO (16/02/1987) Era de noite e chovia muito
de vez em quando relampejava eu estava jantando sozinho Foi então que ouvi uma voz cantar A música não se parecia Com nenhuma de que me recordasse A língua não se parecia Com nenhuma língua humana E o mais estranho Era que quem cantava Era eu.
31) ERA TAL A SINTONIA ENTRE NÓS (16/02/1987)
Era tal a sintonia entre nós. Que nós não comunicávamos Através de palavras Os pensamentos Transitavam Em estado Bruto Entre Nossos cérebros Se os Escrevo aqui E para torná-los Um pouco Mais legíveis Ao meu Ego.
32) EXPERIÊNCIA (26/02/1986)
Quando me encontro
No deserto da solidão Cada grão de areia É uma desilusão Olhando em volta vejo Uma bela imagem, Ouço o canto das sereias Mas é uma miragem. Sigo minha viagem Rumo ao nada, Sei que é longa e feia esta estrada. Alguns urubus Voam em volta, Me querem como ceia. Me entrego sem revolta. Com suas bicadas vigorosas Tiram a parte podre Que me permeia, Deixando a mais saborosa. Depois de tal experiência, Saio do deserto da tristeza, Vi pro mar da existência. Vou pro mar do coração, Onde cada gota É pleno de beleza, É bela canção.
33) FAÇO CÍRCULOS NA AREIA (29/01/1986)
Faço círculos Na areia No litoral Como parte do rio. São símbolos milenares Da sideral Ordem de Arantes. Disfarço vícios.
34) FOSTE FONTES (28/10/1985)
Foste proposta inconseqüente Resposta pronta e permanente Afronta assaz ardente Falaz paixão Foste imposto sobressalente Rosto fosco e contundente Tosco gesto indecente Presto arpão Foste póstuma parente Hóstia hostil e crisol previdente Borbulhante pulsação Foste encosto insistente Aposto artista ao concorrente
Sizígia bela e nitente Aquarela amarelo-limão Foste forca consistente Força motriz surpreendente Retriz vacilante ascendente Lancinante prisão Foste passeio fremente Asseio torto e consciente Mosto no mosteiro saliente Sorrateiro vilão. Foste mistério insolvente Minério lento poluente Lente radiante na corrente Verdejante visão Foste fonte forte Ponte para o porte Rara réstia de retórica Peste prestes à posse Seresta salmão
35) IMERSO NA INÉRCIA (15/01/1998)
E meus poemas Quantos assassinarei Por inércia Por inépcia ?
36) ME(E)DITO (11/12/1986) Quando medito
Me edito. Quando menstruo Me instruo.
37) O FILME DAS ESTRELAS As pétalas das estrelas Projetam filmes na Lua.
38) PARIS (10/07/1985)
Paris Pariste a Luz.
39) PASSAMORTE
A morte É meu passaporte Para o Inferno.
40) PEDRAS PERNICIOSAS Algemas de gemas Preciosas e perniciosas Em pernas ociosas.
41) SUA MÃO SINISTRA. (24/02/1987) Sua mão sinistra Ministra Com clamor Aos aflitos O filtro Do Amor.
42) SÃO FANTASMAS CONFUSOS (12/08/1987) São fantasmas confusos São espectros difusos São elétricos parafusos São vampiras Dominadas Pela lascívia
43) TENHO A ALMA SUBMERSA (14/06/1988) Tenho a alma submersa Nos grandes sonhos do passado Em carnais desejos de realização Minh’alma está ébria de mim.
Publié le 18/06/2008 à 12:34:05 AM
Par Mauro Valente
1) GENI, DE BONECA A MULHER (08/06/1986)
Era raspadinha e vibrante E com rabiola latejante, A mulher embonecada. Era tão perfeita aquela amante Que ele agarrou-a Num instante. Penetrou-lhe na privada. A boneca era Geni. Tão perfeita era Geni. É feita para estuprar. Não é feita parir. É boa de arrombar. Divina Geni. Mas um dia deu defeito. Exigiu seus direitos De assistente sexual. Exigiu seguro-insanidade, Carteira assinada E liberdade Irrestrita e total. Ta mudada essa Geni. Não é a merma Geni. Das estrofe anterior. Ta pensando Que é mulher. Ta agindo Igual mulher. É o fim Do nosso amor.
2) HEROÍNA (09/07/1986)
Do cigarro Sai a fumaça A fumaça se enrosca Na antena do carro Que passa Agora é bandeirola Trêmula inteira Incauta passageira Do auto O motorista Tenta arrancá-la A bandeira se esfuma E escorrega pro asfalto Pro alto do arranha-céu Agora é fino dossel Não passa muito tempo Sopra tremendo vento E lá se vai A fumaça Outra vez Entra pela janela Do apartamento Daquela que já casou Com mais de cem Mas essa fumaça Não respeita ninguém Entra nos sonhos Da bela adormecida E faz um carnaval Esse gás fugaz Lá já não está mais Pelas ondas Do rádio Amado amador Da donzela
3) MISCELÂNEA, A POESIA (05/11/1986)
Entre as grades do azul Prendi meu coração Mas terras da perdição Entre fileiras de bambus Cujas tulipas ébrias Enlaçadas com caracóis de Sol Humanizadas pela Senhora Das Mil Mãos Célticas Que seguravam as nuvens da chuva Enviada pelo Arcanjo Para libertar o Ano Das garras da negra viúva Ela abraça a amplitude Variante da simplicidade Com a divindade De sofrer por suas virtudes Estas vicejam à sorrelfa Sob as vistas dos profetas Sacrificando as festas De Tarzã com Eva Vampiros brindam com pus As chagas de cristo Confuso avestruz Na saia que visto Sobre os seios nus de Vênus Cujo crista Desperta desejos incontroláveis Nos homens de sexos maleáveis É um prazer mórbido Essa tal de prostituta Muito mais que sórdido E ainda se disputa E derreta o sólido Suspiro da cicuta Amarelecido pelo esquecimento Filho da feiras do convento Pinto caretas em nanquim Expressão do silvo Difamante do mocassim Que me dá alívio Sem exigir tamborim Que suporte o crivo Da ira dos frívolos Na fila dos frígidos Ao soar o telefone Corra e corte o fio Umbilical da fome Alucinada no cio Visite o lobisomem Tente dar um tiro Nas sífilis Que retiro Das Amarílis Anuncio os cliques Dos sorriso Karynos Pour cinq ou six briques Quero os óculos alcalinos Sobre o pavimento No decorrer dos hinos Crio compartimentos Para conter taras E demais condimentos Analiso facas raras Bem como torcicolos Adquiridos em mansardas Preparo pólipos Ao molho de chiliques Por preços mórbidos Foram feitas plásticas Nas suásticas Ficaram tão elásticas Que nem sequer sorriem Entregaram de bandeja Deliciosas cerejas Com quem solfeja No trono do harém Queimaram os queijos Dos azuis azulejos Foi a maldição Que rogaram os bruxos Em carrões de luxo Com sofisticações Feriu-se com ferro em brasa Em sua própria casa A Cabala E veio socorrê-la Com muito susto A Língua, a Fala E uma insolente abelha Que quase sorriu de susto Ao ver a égua Trepando com um muro Num quarto escuro A milhões de léguas Não exitou no delito Aquele cantor esquisito Com defeito no braço Presença sem brilho nem nos olhos nem nos lábios pendurada no tombadilho da nau de Logos sócio dos espíritos sensatos porém conscientes de que são dementes e míseros ratos não me falta inspiração para dar ração aos desfavorecidos também sou religioso e creio no Deus dos malditos Todo Poderoso Ele me deu A riqueza Para que a guardasse comigo E para que desse aos mendigos Toneladas de vileza Montado em seu cavalo-submarino Navega um grão-vizinho E seu amante Entre alentos e afagos No Morro dos Cataventos Sussurrantes Ao longe num gesto largo Uma foice de cimento Com sutis Acenos convida os dois Para morrerem depois Na ponta dos fuzis No fundo da algibeira Carrego rotineiras Massagens Enquanto medito Me perco no embalo Das mixagens Se encontro Carlitos Corro para alçá-lo Ao altar Que as Titãs Ergueram nas manhãs De Gibraltar
4) MONSTRUOSIDADES (03/05/1986)
Garbosos e bravios guerreiros Todos de bom tamanho Temiam os terríveis monstros Dos mares d’antanho Vírus, viris, virulentos Bem gordos Uns pacíficos outros violentos Menores apenas que os engodos Seus pais e parceiros Curioso é o encontro Ente eles e as naus No furioso Helesponto Não eram de alma maus Olhavam secamente Para os navegantes curiosos Raros e ofegantes Mas ficavam furiosos Se molestados Pelos petardos Das embarcações Alguns entoavam canções Como as sereias Outros entornavam vagalhões Como as baleias Menos horrendos Apenas que seus nomes Vivem morrendo De fome O monstro negro que carregava As selavas sem folhas nas costas Não era suficiente proteção Contra as investidas Do que moravam nas encostas Dos montes marinhos Nem dos monstros vizinhos Com os quais faziam apostas Para ver quem devorava Mais selvagens de uma só vez O monstro-bispo rezava uma oração Abençoando os oponentes Se aqui demonstro Exemplos de monstros Em tempos de curiosidade E templos de posições invertidas É porque os contemplo Em toda sua variedade no completo complexo de sua sociedade este texto é reflexo de anos de estudo intenso e perplexo eis tudo
5) NÃOFRAGAR
Farol na proa idade nau Nau cega, sem velas Luís, o Nevoeiro Onde o está o Sinal ? Luís, és Pioneiro. Nada efêmero Naufraga, Luís de Pinho... Deflagra teu Destino Naufragar é imperativo
6) NATURA (26/05/1986)
Flores nos ramos azuis Amores vibrantes de luz Aromas viajantes. Aves pelos ares... Mares da seiva... Salvam a selva Das trevas... Girafas gigantes Giram e geram Gerânios E girassóis... Estrelas de neve Argentina Nas nuvens de fina Renda voam... Pinheiros Pioneiros Prisioneiros Das sementes Das serpentes Fôrmas de vento Inventam Formosas glosas De perfeito feitio Nas rochas Lírios líricos, Empíricos no empíreo No delírio colérico. È de admirar A face louca da lua A se mirar No largo lago Do luar. Folhas de fibra Desfilam á desfiada Por desfiladeiros E nas folias florestais Desafiam formidáveis Formigas famintas.
7) NUNCA DANTES
Por cavernas Nunca dantes descobertas Por barracos Nunca dantes demolidos Por escravos Nunca dantes alforriados Por pedaços Nunca dantes confessados Por totens Nunca dantes adorados e erguidos Por empresários Nunca dantes falidos Por super-heróis Nunca dantes vencidos Por operários Nunca dantes construídos Por presidiários Nunca dantes atrevidos Por fatos Nunca dantes consumados Por Cristos Nunca dantes crucificados Por Demônios Nunca dantes exorcisados Por portais Nunca devassados Dantes
8) NUVEM DE ME(N)TAL (08/01/1997)
Acima Da minha cabeça Nuvem de metal Carregada De relatividade Entrega Um raio De revolução Para Obscena, A minha Musa.
9) O ANÃO AMPLIDÃO
Como humana ampulheta Passeia o anão atleta Pela areia da praia Na ampulheta A areia discreta Viaja através Do vértice Estreito Para marcar A passagem Do tempo Para a morte Quando o anão Se exercita Sem saber Incita a inveja Converte-se Em tema De todas As conversas Pergunta Que ronda Pela rodas Da inveja: Vejam Como pode caber Tanta energia Onde pouco osso Pouco músculo não caberia ? só pode ser um robô a inveja cega a razão ninguém percebe que, se fosse robô seria alto, bonito, mas sem espírito o anão tem pouco e corpo torto mas espírito enorme ereto quanto mais o tempo passa por seu corpo pequenino mais se expande seu espírito é por isso que o anão é ampulheta viva é vivo exemplo de ampulheta invertida
10) O ESPÍRITO ESPERTO (05/01/1998)
Mulher é superapaixonada pelo marido. Ambos são muito ricos. O marido de câncer. A mulher fica em estado de choque por algum tempo. Quando está restabelecendo, percebe que está se apaixonando pelo psicólogo que cuida dela. O tenta seduzi-la para botar a mão em sua fortuna. Ela não gosta do que está sentindo com relação ao psicólogo. Gasta parte de seu dinheiro e jóias para construir uma estátua de ouro do falecido. Faz um solene juramento para ele. Se for para a cama com outro homem, ante de ir derreterá a estátua e derramará o ouro no ma, pois não será mais digna de sua confiança e de seu amor. Um arqueólogo, amigo da família, decide entrar no corrida do ouro. Tenta convencer a viúva a doar a estátua para o museu que administra. O psicólogo sabe do juramento, mas o arqueólogo não. O arqueólogo conquista o amor da viúva, ao evitar que o psicólogo roube a estátua. A milionária tenta resistir, tenta saciar seus desejos com a estátua, mas não consegue. Na noite em que vai para a cama com o arqueólogo, ela revela o seu segredo.Começa o conflito interior: cumprir o juramento fazendo a estátua desaparecer, ou mantê-la intacta, cedendo à insistência do arqueólogo, que não se interessa pelo valor material, e sim pelo histórico. Mulher jura ao arqueólogo que vai fazer a doação, porém derrete a estátua. Ao acabar de jogar ouro no mar, o arqueólogo sai de seu esconderijo, irado, e a abandona. Mulher chora, pois perdeu os dois amores de sua vida e, também, parte de sua fortuna. Procura um médium espírita, para falar com seu marido. Quer saber se ele aceita que ela se case de novo. Médium, fingindo que o falecido fala através dele, diz a ela que só pode casar outra vez com um condição: vender a mansão e doar e doar todo o dinheiro para a ONG filantrópica do médium. Viúva acredita e segue fielmente as ordens do espírito de porco. O falecido passa a atormentar a o charlatão todas as noites, a noite inteira. Diz que só o deixará em paz se ele se casar com ela e, também, fizer um testamento para que ela herde todo o dinheiro que ele lhe roubou. Caso o espírita faça qualquer coisa, seja lá o que for, que a prejudique tal como matá-la ou alterar o testamento, o falecido voltará atacar. O médium diz a ela para dar a ela para dar mais dinheiro para a instituição, pois o falecido ainda não está convencido da sua sinceridade. Na mesma noite, o falecido, o falecido o visita e diz que esta é a sua última chance, ou o charlatão cumpre o que lhe foi ordenado, ou o falecido o fará se suicidar. O médium, julgando-se todo-poderoso, se recusa. O espírito hipnotiza o espúrio espírita hipócrita e o faz inalar uma overdose de incensos. O charlatão amanhece morto. Concentrando suas energias, o espírito de amor consegue encarnar no corpo do espírito de porco. Vai ver sua viúva. Ela: Meu amor, como eu gostaria de estar aí, no céu, você. Ele: Meu amor, vou fazer melhor. Vou renascer através de você. Espírito e sua esposa fazem amor, alucinadamente.
11) O LIVRO DA LIBIDO (1986)
Vem cá meu livrinho, Senta aqui comigo Me ensina me explica Como é que Eu fico rica Vem cá meu livrinho, Agora estamos sozinhos Me ensina os artifícios Os segredos as malícias Pra enriquecer sem esforço Me diz que eu te ouço Fala, mas baixo Fala assim só pra mim Me ensina os cambalachos Vem cá meu livrinho, Senta aqui comigo Me ensina me explica Como é que Eu fico rica Vem cá meu livrinho, Agora estamos sozinhos Me ensina o criem perfeito Eu aprendo eu faço direito Eu faço até faculdade Maior que as dificuldades É minha louca vontade De nadar na grana da cidade
12) O OVO DE OVÍDIO
O ovo de Ovídio Ouve o vídeo De Orfeu que sofreu Com os Elfos de Morfeu O ovo de Ovídio E Orfeu sofreu Ao ouvir o vídeo Com os Elfos de Morfeu. Ouve o vídeo Dos Elfos de Morfeu Orfeu e sofreu Com o ovo de Ovídio
13) O QUE É ISSO ? (04/11/1986)
Não é ave, não é avião. Não é o Super-Homem. Não é Confúcio, não é confissão. Não é hecatombe. Não é compra, não é compromisso. Não é a pena isso. Isso apenas é.
14) OSTRAS OUTRAS (16/02/1987)
Me vejo em meio A uma população De ostras humanas.
15) PÂNTANO DO ESPANTO (26/02/1988)
Nos espantamos Nossos pântanos São sombrios Sons e brilhos Forma banidos Pelos bandidos Decerto Do árido Deserto Os ávidos Vieram É facílimo Os fascínios Voaram Para longe Da mente Onde moram A salvo E alvos Para sempre
16) POEMA DESPREZADO
Minha donzela Por que rasgas Papel tão precioso ? Por que esmagas Com tanto asco e nojo, Poema de amor Tão belo ? Pois um amo um pintor Que me ama Numa aquarela. Que me afaga Com cores ardentes. Ele faz eu me ver Como uma Cinderela. Ele não rima Meu nome belo Com tagarela. Ele sai e o deixa Sozinho na sala. El faz sua mala, Troca seu amor Por ódio Vai até ela E lhe fala Vou matar-te Vou jogar-te Na vala Dos versos Brancos de Tão podres Ela gargalha Ele a pega Nos braços A joga Pela janela Pobre moça Tão bela... Ela voa Para longe Bem longe Livre, enfim, Dos versos Dele, cegos
17) POEMA DOS TRÊS PLANOS (05/01/1197)
1º PLANO: Roda gigante... Tábua oscilante... Plano inclinado escorregadio... Ponte de quadrados vazados... Cubos amontoados Para passar através... Estacas com teias De arame intercaladas... 2º PLANO:
Quase esqueço E não escrevo No quadro. Veia da terra Aberta na pedra Se perde no horizonte. Dois casebres De olhos azuis. Árvores de penas Vivem nas margens Dos riscos. 3º PLANO:
Três montanhas. Outra calva e brisa, Outra de perfil E bigode viril, Outra com peruca Louca de pirilampos.
18) POLIPOÉTICA (10/05/1986)
No porto navios de afastando versos brancos acenando no pescoço da Damas da Araras colar de rimas raras na guerra com a paz dos estóicos decassílabos heróicos na fila de espera do INAMPS, franzinos alexandrinos nos castelos assombrados aprendem a ser bruxa rimas esdrúxulas nos sobrados comem nas maiores vasilhas as menores redondilhas na porta da igreja imploram por poucos cobres rimas pobres no Palácio da Inveja não cessam intrigas entre rimas ricas a Bíblia já dizia: no Paraíso das Alturas só entram rima pura na praça vazia rimas femininas amam rimas masculinas na pele abrem feridas profundas rimas pontiagudas nas orelhas a comédia encontra entraves nas rimas graves ônibus parados fazem zorras infernais nas rimais finais em quartos apertados dormem apenas rimas internas nos planos projetados a armadura completa da poesia concreta
19) PRAZER DE MATAR (10/07/1985)
Toda a cidade corre perigo quando quem, acima de tudo, ama a vida, descobre o indescritível prazer de matar.
20) PROCESSO DE ELIMINAÇÃO DA TUA PRESENÇA EM MIM (27/01/1987) Durante a noite
Lentamente Tua carne e dissolve No ácido da amnésia. Entretanto Ainda te espero atento a teus passos De morta-viva. Introduzo um pinça Em ouvido E retiro O fino fio Da tu voz. O Grande Pássaro da Aurora Já espalha suas penas róseas Pela minha memória, Mas tua visão Já se apagou Dos meus olhos.
21) Quartetos
O Puma Pouco ocupa Da riqueza Móvel. O Puma Pouca ofusca A pobreza Imóvel.
22) QUERIA SER UM PERSONAGEM ÁRABE
Queria ser das mil e uma noites árabes Um personagem árabe Com todo seu esplendor e encanto Conhecer os quatros cantos Das mil e uma noites árabes Possuir o mais belo príncipe árabe Possuir a beleza e poesia Das mil e uma noites árabes Ao invés de ser Um mísero ingrediente árabe De um reles pão-árabe Cujo destino É o intestino De um clandestino Americano Numa história apócrifa Das mil e uma noites árabes
23) QUERO QUE MINHA ARTE Quero que minha arte seja bela o bastante, para todo o mundo amar. Mas, ao mesmo tempo, Quero que minha arte seja feia o bastante, para ninguém no mundo imitar.
24) RAPSÓDIA (04/11/1986) 1) ESCÂNDALO
Para os vândalos
O escândalo É uma forma de amor Nos seus ritos Cada canção é um grito De rubra cor 2) AMOR
A cor do amor é imprecisa
Sua mansão é uma canção rosada Sua forma segue normas inusitadas Seu grito gera conflitos em virgens narcisas Seu sândalo é o escândalo 3) CANÇÃO
Numa canção posso ser Deus
Posso fazer da Terra um Paraíso Posso pintar o Mundo da verde cor Posso habitar nos filhos meus Posso por um verde sorriso De fresco odor Em seus lábios e em seus dentes Posso por um verde grito Em suas gargantas Posso tirar de suas mentes E de seus corações os conflitos O verde Amor de agiganta Posso fazê-los habitar em vedes prados Posso fazê-los segundo minha perfeita forma E quando Deles estiver cansado À Terra devolver o que lhe pertence Minha prole, ao ver-se nua Se extermina em grande hecatombe De escândalo 4) COR
Se no meio da rua grito
Logos todos pra mim olhando estão Se o céu fito Logo todos pro firmamento Voltam sua atenção Se um quadro pinto Logos todos questionam A cor que vou usar Se uma pedra esculpo Logos todos perguntam Que forma vou lhe dar Se com alguém luto Logos todos apostam Que quem vai ganhar Se assobio uma canção Logos todos param Para escutar Se estendo a mão Logos todos nela Uma esmola Vão jogar Se considero A inflação Um escândalo Logos todos comigo Vão concordar Se de costas ando Logos todos No hospício Vão querer Me trancafiar Se faço amor Na meio da rua Logos todos Plenos de inveja Chamam a polícia Pra me delatar Porém se dou Dinheiro gordo Logos todos Ficam mudos Com ninguém Vão comentar Grana mole Em cabeça dura Tão tenta Que não restará Nem pensamento Só amnésia 5) GRITO
Amor-Escândalo
É a melhor forma De dar um grito É silenciosa canção É cor berrante e silente 6) FORMA
Forma, informa
Amor, clamor Grito, agito Canção, escanção Cor, calor Escândalo, cântaro
25) RELIGIÃO Conectar
Com néctar. Unir Não pela seita Sim pela ceia.
26) ROMPER O TÊNUE LIMITE (28/09/1986) Romper o tênue limite
Entre a pura Transcendência Do ser E a dura Decadência Do parecer Ferver todo esse acinte na confusa incandescência da indolente criatura de inocente figura e elevada estatura que é lavada no riacho de Hipólita e seu rancho de hipócritas com seu ranço do monólito fatídico de acre acrílico decifrar os insondáveis desígnios do coração para os inalienáveis e malignos mistérios da oração que preserva intactos seus ministérios cujo voto de Minerva enerva até os pactos dos cactos báquicos com as elásticas e lascivas fibras das cativas firmas fundadas pelas fricativas e fundas redondilhas de rodilhas morrer de mal súbito remar em dorsal decúbito num barco dourado de júbillo avariado em pleno púlpito avaliado com pesos múltiplos manuseados pelos mesmos pupilos acusados de serem túrgidos na presença dos raios fúlgidos fugidos dos hinos estúpidos dos lacaios úmidos lacrados em balaios lúbricos encarregados do logro lúdico, jogo do súdito do jogral lúcido sujo perante o público pela escolta da escolha do último dos mói-cana-da-índia que os barbitúricos bárbaros ceifaram de modo único sua rubra é rúbrica seu muso é músico seu tenor tem temor e teor telúrico e canta num canto o Mercúrio pudico enquanto este prossegue litúrgico com o processo do possesso cirúrgico confesso cupido túmido
27) ROSALINA Rosalina
Às vezes é delicada Como as flores De pano Que ela faz. Rosalina Às vezes Não é flor Que se cheire Nem que Se coloque Na lapela Na capela Rosalina É remorso E desengano É estátua Feita de espinhos Rosalina É rosa-overdose Viciou-se No viçoso aroma De si mesma
28) SEDOSA NEBLINA (20/01/1998) Neblina de seda
Bélica beleza Na cabeça De Ismênia Asas de noiva Fértil farsa Na casa Da ingênua Papoulas de sangue Austero caos No claustro Da sereia
29) SELVAGENS SENHORITAS Selvagens senhoritas
Fáceis conquistas Dóceis escravas Maliciosas senhoras Simples e discretas Sem horas sem idéias secretas Com concretas palavras
30) SONHO DOS MEUS VERSOS (27/02/1986) A Olavo Bilac O som das castanholas
São mil corações em fúria Ágeis em mão em espanholas Chamam-me para a luxúria São mil corações em fúria ainda ouço em meu peito Chamam-me para a luxúria Teus olhos negros e suspeitos Ainda ouço em meu peito Percorre todo o meu corpo Teus olhos negros e suspeitos Fazem o mesmo em tempo pouco Percorre todo o meu corpo O prazer que nele injetas Fazem o mesmo em tempo pouco O veneno de indígenas setas O prazer que nele injetas Meu ser envolve e entorpece O veneno de indígenas setas A mesma coisa acontece Meu ser envolve e entorpece E empalidece e revolve A mesma coisa acontece Com projétil de um revólver E empalidece e revolve E devolve à vida Com projétil de um revólver Não acontece coisa parecida E devolve à vida Mais forte e digno Não acontece coisa parecida Com pessoas de outros signos Mais forte e digno De te possuir Com pessoas de outros signos Não posso ir De te possuir É chegada a hora Não posso ir Antes do raiar da aurora É chegada a hora Com amor fazemos o truque perfeito Antes do raiar da aurora De dois corpos um só é feito Com amor fazemos o truque perfeito Estreito laço nos une De dois corpos um só é feito Alumiados pelo lunar lume Estreito laço nos une Laço estreito filigranado Alumiados pelo lunar lume Auxiliado por seres alados Laço estreito filigranado Lutando embora Auxiliado por seres alados Não escapa das garras da Aurora Lutando embora O laço é desatado Não escapa das garras da Aurora De fio em fio é desfiado Lutando embora O laço é desatado Não escapa das garras da Aurora De fio em fio é desfiado O laço é desatado Falece a força tão imune De fio em fio é desfiado O que nos une Falece a força tão imune Torna-se duo o antes uno O que nos une É destruído por Saturno Torna-se duo o antes uno Sem ti me despedaço É destruído por Saturno O sonho de nossos astros Sem ti me despedaço O som das castanholas O sonho de nossos astros É ágil em mãos espanholas 31) SURREAL (11/01/1998)
Computador fuma
E se esfuma É dono De um banco De dados viciados Seu operador Foi operado Com um dado No peito.
32) TE AFOGUEI EM MEUS DESEJOS (12/08/1987)
Te afoguei No Oceano Do meu Desejo Teu cadáver ainda quente Flutua entre geleiras Ouço tua voz Entre as Estrelas Desde o dia Em que te deixei Falando sozinho E fui fazer Meu mapa astral
Publié le 19/06/2008 à 7:09:05 AM
Par Mauro Valente
1) TESSELA
Era uma vez um tagarote Ele era tafulo De uma tágide Que lhe fazia tagatés Com um tagante União sem tálamo Moravam num taipal Quando se encontrava Numa tebaida Retirava o tafúlio E bebia De uma só talagada A tafiá Que comprara Com um tael Seu tesouro Era guardado Por um talambur Pregava O talante livre Não tolerava O tairocar Dos portugueses Residentes na cobertura Do edifício ao lado Ia pro trabalho De taioba Sempre que encontrava As tajãs Que tentavam Entrar-lhe na taipa Isto às vezes Lhe custava Algumas textilhas Com sua tágide todavia ele taimado como o Taneco sempre a convencia do contrário ele tomava tenência e ambos voltavam às boas afinal foram talhados um para o outro pelo Artesão Universal um de seus contribuintes era uma gitana tarimbada que jogava tato trambiqueira de mão lotada outro era um tarega que vendia tarecos a prestação cobrava taxas de juros altíssimas nosso protagonista era amigo de um Tebas este o iniciou na tavolagem comemoram da mesma tigela no mesmo tinel quando menores depois foram o tiloma um do outro O Tebas tornara-se Um tigre Contudo foi Só o tagarote Dar-lhe um talco Comprado com um til Pro litigante Se derreter todo E os dois saírem Por aí Dançando tango O centro de Nossas atenções Mesmo não sendo adepto Do tabagismo Sofria de tafofobia Que o torturou No tronco durante vinte anos para penetrar neste labirinto é preciso mais que o fio de Teseu para matar este Minotauro É necessário Mais que uma Afiada tabla Para curá-lo Numa teopia Surgiu para ele Uma Teoria Trajando uma tordesilha Bastou ter ela Tocado-lhe a testa Com uma tarja De tafetá Para ter ele Curado de todo Então Soaram trombetas Tonitroantes Querubins Tangiram cítaras Íris coroou Com seu arco Aquele torrão Assim termina Este ato-átomo Sobre o tablado Da existência Cerram-se as cortinas Cegam-se os holofotes Destrama-se A tessitura Do tagarete Desta tessela
2) TODO SONHO (12/08/1987)
O sonho De todo Vampiro É o sangue Cintilante das Estrelas Servido Em taças vívidas Talhadas Em seus brilhos Entrelaçadas Toda Estrela sonha Morar em Sólido Castelo No coração de fogo Do Sol
3) UNICORNÍVOROS (12/01/1997) Existia, há séculos atrás, a Ilha dos Unicórnios. Todo anos, época do acasalamento, fazia-se uma cerimônia ritual. Durante a mesma, os casais retiravam seus chifres. (O macho retirava da fêmea e vice-versa .) Para não se ferirem durante o ato sexual e, também, para que novos chifres crescessem, como aliança entre ambos. Após o ritual, o mar levava os chifres e os colocava no Recife dos Chifres. O Recife era antenas para contactar os ancestrais e divindades. Quando os seres humanos descobriram a Ilha, o Recife já era um perigo para as embarcações, que nele encalhavam. Os piratas usavam os chifres do Recife para fazer espadas. Com o passar do tempo, desapareceram os piratas e apareceram os caçadores de tesouros. Estes se interessavam pelos chifres, pois a matéria de que eram feitas era única no mundo. Os caçadores de tesouros sonhavam a Ilha dos Unicórnios para ficarem milionários. 4) VAMPIRÓDIAS (PRIMEIRA PARTE) (16/10/1987)
1
Ave Drácula Ao que vais morder Ser mordidas Te saúdam 2
Quem nasceu Pra mosquito Nunca chega A Vampiro 3
Vampiro Vampiro meu Existe pescoço Mais saboroso Que o meu ? 4
De gota em gota O vampiro engorda A vítima se esgota 5
Não deixe o sangue sumir Não deixe o secar Vampiro não vive sem sangue Em sangue pra ele sugar 6
Sangue tem gosto de festa É melhor e mal não faz Ontem, hoje. sempre Sangue, sangue, sangue O rubro que satisfaz 7
Meu corpo amanheceu Meio sem sangue Sangue, sangue Foi um vampiro Que cravou os dentes em mim E que me deixou assim 8
Yes nós tempo pescoço Pescoço pra dar e vender Pescoço vampiro Tem muito sangue E sangue é nutritivo Engorda e faz crescer 9
Sangue é bom no almoço Sangue é bom no jantar Sangue é bom no café Depois de deitar Sangue é bom demais E uma gotinha só já satisfaz 10
Eu sei que vou te sugar Até o fim da tua vida Eu te sugar Não vais socorrida Eu vou te sugar Desesperadamente E cada dente meu será Pra te morder Eu vou te sugar Até o fim da tua vida Eu te sugar Eu sei que vou morder Teu lindo pescoço Eu vou morder Sob a luz melíflua do luar Ao embalo dos teus gritos de horror eu sei que vais morrer mas a desventura efêmera vai ser pois eterna vais viver Vampira ao lado meu Após o fim da tua vida
5) GOTA SOLITÁRIA (08/01/1997) Cai de
Um olho solitário Uma lírica lágrima Talvez seja orvalho Talvez seja chuva A descer Pela pele Da viúva O sol evapora A lágrima solitária Que vir nuvem Talvez seja sonho Talvez seja miragem A aliviar O peso Do véu Da nuvem solitária Desce uma chuva Feito de uma única Gota. Talvez seja íntima Talvez seja vítima Do penar altivo Da cativa.
6) ISABEL Com o azo
De servir de chapéu, Um disco voador raso Pousa por acaso Na cabeça de Isabel E a faz sonhar com o Céu, Onde repousa seu amoroso caso. De nuvens é o tecido Do vestido e da donzela. Um anjo atrevido O deu a ela. Coisa que, Aos seus ouvidos Soou como Proposta concreta De união perpétua. Os lábios de Isabel Aceitou prontamente. Mas as mãos de Gabriel Tinham outras intenções Queriam percorrer As deliciosas regiões Daquele corpo, Sentir as ondulações, As sensuais vibrações, Os sutis sons Que emanam Do encontro Entre a virginal pele E o celestial tecido. As sapatilhas São um presente Do espírito De uma bailarina De nome Catarina. Amiga de Isabel Desde a infância Sua Mãe Astral. A distância entre elas Faz agora, de Isabel, Uma solitária órfã. Agora apenas seus pés Sentem na pele A lembrança Da presença De Catarina. Isabel tem Na mão esquerda Uma bela e dourada flor. O nome dela é Camélia. Foi ex-colhida Entre as da vereda Mais oculta Do vergel De Isabel. Eleita Para ser Confidente Fiel. Nossa amiga É feita da matéria Das quimeras De Camélia.
7) ME PERDOA POR TUDO Me perdoa
Por tudo O que eu disse Me perdoa Porque Eu disse tudo Sobre você. Se eu falei Tudo o que sabia Sobre o teu passado É porque Eu não sabia Que te perderia Só ter contado.
8) MEDO (09/10/1987) Meu medo
Não dorme. Nem me deixa Dormir. È só eu Fechar os olhos Para abrir-se A Porta de Marfim E milhões de Íncubos Invadem Minh’alma. Morro de fome Mas não como Tenho medo De que a morte Tenha se alojado Em meu prato.
9) MEDRUSA (11/08/1986) Meus pés sujos de lama e podridão
Mergulhados na imensidão De lagos pútridos e fétidos Da Transilvânia Minhas mãos imundas pegajosas e letais Revolvem as verves dos animais Cheios de artimanhas Meus olhos são pêndulos macabros Percorrendo os alfarrábios Acompanham meus lascivos lábios Atrás de antigas poções E de criações de leiximânias Minhas unhas são punhais Cujas lâminas se curvam para trás Provocando fortes emoções Nos meros mortais Meus cabelo de serpentes é feito produz um Medrusa efeito morde o pescoço das virgens que sentem vertigens e se entregam ao torto e ao direito meus pés são de cabra cujas pisadas macabras afugentam aldeias inteiras minhas costas são lisas e escorregadias as das rãs também são assim servem de aeroporto para traças cupins e pragas afins
10) METÁFORAS EUFÓRICAS (10/01/1987) Uma pessoa parindo em cada esquina,
São sementes explodindo em espetáculo divino. Uma luz sorrindo em cada pirilampo, São minúsculas esmeraldas voando pelo campo. Um casal brindando em cada bar. São sinetas vítreas repicando para celebrar, Uma flor branca abrindo em cada galho, São estrelas acordando graças ao orvalho. Um canário cantando em cada fio telefônico, São agulhas de tricô tecendo um mosaico sinfônico. Um radar de luz em cada girassol, São mandalas girando, seguindo o carro de Apolo. Uma festa de cor em cada borboleta, São caleidoscópios voando pelo planeta. Um orgasmo espocando em cada fogo de artifício, São gritos coloridos compondo murais de delírio. Uma espessa malha de espinhos Expandindo-se entre os espécimes Da árvore escarlate, São soldados soldados entre si, Defendo a floresta encantando Dos ataques. Uma aranha tecendo em cada senhora, São romances criadas por sábias escritoras. Uma linda paisagem em cada garoa, São quilômetros de querubins aspergindo com conta-gotas. Uma mescla de Deus e Demônio em cada um de nós. Somos a síntese de bem e mel, dentro e fora de nós.
11) MIL MENTIRAS (14/06/1988) Ela
mil vezes Por hora Eterno amor Me prometia. E eu Mil vezes Por dia Me iludia.
12) PEDRAS PERNICIOSAS Algemas de gemas Preciosas e perniciosas Em pernas ociosas. 13) PRINCESA ACESA (22/05/1986)
Mar de estrelas
Vermelhas No alto da cabeça Da Princesa Do Fogo Duas Verdes Luas No semblante Brilhante E macio Caixa de Músicas clássicas Completa de Maneira discreta O quadro Dona do jogo Dama do Malogro Idílio Do caudilho Habita o abismo Entre a mente E o evento Habilita facínoras ao fascínio Praticantes de assassínios Medéia Meduséia Atenas de antenas Pitonisa que sintoniza Oráculos miraculosos Em sua Cristalina pirâmide Seu mister É o mistério Do mistral Flor carnívora Fascinante facínora Mitomaníaca afrodisíaca Leva à loucura A quem vivem No Cine Solidão Sine cura
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