O Sol, um Pavão
O Céu, um Árco-Íris
A Cauda do Pavão
Olhos cintilam
Vejo-o em mim
Gira e brilha
Em sete Cores
Giro e brilho
E existo assim
2) BRISAS INTRUSAS (30/12/1987)
São intrusas.
São brisas noturnas.
São as aladas
aliadas da Insônia.
São invasões.
São invisíveis visões.
São as versões
vernáculas dos Íncubos.
São inversões.
São éteres que enterram.
São terras que eternizam.
São diabos que elevam.
São anjos que infernizam.
São incômodas.
São inocentes nocivas.
São os venenos
venéreos dos conventos.
3) BUGRE (06/08/1999)
Bugre ?
Você não vai
alugar nenhum ?
Então você não vai
a lugar nenhum.
4) CÁLICE GRAÁLICO (18/06/1989)
Este é um poema-cálice,
para se derramar nele
toda a polpa cálida
das lágrimas,
sumo dos olhos.
Este é um poema-lápide,
para se escrever nele
todo o alucinado álibi
dos assassinos,
sumo do ópio.
Este é um poema-índice,
para se indicar nele
todo o outro poema
a ser escrito,
sumo da Magia.
5) CAMINHO SOZINHO 01/08/2001
Vejo em mim um caminho,
caminhando sozinho
nesta seca sem fim.
Sinto as rugas desta estrada.
Sou a árvore rasgada
neste céu de carmim.
A semente é meu problema.
A solidão é meu lema.
O sol é meu dilema.
A saudade é meu cinema.
Eu te rogo, ó Poema,
nesta chuva ausente
dissolva meus temas.
6) CANTIGA DAS AMIGAS 07/01/1988
Canto-as sem descanso
Cansaço não me vence
E quanto mais as canto
Mais meu canto se engrandece
Filtro litros de lírios
Líquidos lírios silvestres
Com brandos mantos líricos
Minhas amigas se vestem
Canto-as sem escândalo
Escândalo não me apraz
Quando as canto
Afasto o pântano
O negro pântano da Iara
Lhes dou lindos livros
Não livros ímpios
Somente livros límpidos
São dignos de ser lidos
Por minhas lívidas amigas
Canto-as sem sons
Sons são sonsos
Sons são insossos
Ne servent pas de mots
Pour chanter mes amies
Comme il faut
7) CAOS CONCRETO (06/08/1999)
Transito na esfera do caótico.
É lógico que o caos
é concreto.
É a base
do meu pensamento.
8) CAPRICHOSO (18/07/1988)
Teu coração,
não sei por quê,
chora de rir
quando me vê.
E os teus olhos
ficam sorrindo.
E pelas ruas
vão me seguindo.
Mas mesmo assim,
fujo de ti.
Ah !
Seu eu não escondesse
como eu sou tão engraçado,
até mais que o Grande Otelo,
e como é sincero o meu humor,
eu sei que eu não fugiria mais de ti.
Vou, vou, vou, vou ,vou,
voooooouuuuuu....
Vou te enlouquecer
com as gafes minhas,
a toda hora do dia.
Vou conquistar teu coração
com a força da diversão.
E nós assim, então,
Seremos felizes, bem felizes.
Nosso coraçãããããoooooo......
9) CARA MUSA
Se acaso me quiseres,
amo-te somente
quando eu quiser.
Sou mulher da vida,
meu sonho é ser Vampira.
O Dinheiro é minha Lei.
Se me amares
e se bem me pagares,
levarei-te ao Inferno.
Se acaso procuras
tua Musa Infernal,
inspiro-te Versos poderosos.
Mas aviso-te,
cobro adiantado
pelo direito autoral.
Eu não nego fogo,
nem fama.
Com boa grana,
cumpro o meu papel.
Meu Destino é o Inferno.
O Inferno é a minha cama .
Sou Diaba de Aluguel.
10) CARPE DIEM
Os corpos cumprem
o carpe diem.
Corpos livres levitam,
excitam lentes
e olhos.
As lentes aumentam
o calor dos corpos.
As fotos crepitam
ao crepúsculo,
sem escrúpulo.
Corpos ágeis,
frágeis, óbvios.
Dança sensual,
mandala, ópio.
Caleidoscópio
de Corpos.
11) CARRO (30/05/2000)
Por uma modesta campina
caminha solitário
um rapaz
em seu Carro de boi.
Aonde o Carro vai,
o boi vai atrás,
a guiá-lo
com seus
conselhos sábios
sobre os meios
práticos
para o rapaz
ser capaz
de pular
os obstáculos diários
de sua Vida
e
E...e....e...
Ih......
Se a Vida
desse rapaz
fosse baseada
em fatos reais,
vocês acham
que seu Carro
ele iria por
na frente de bois ?
É claro que não.
O nome
desse rapaz ?
Não sei com certeza.
Só sei que pensa
com clareza.
E seu nome,
é claro,
não é Otário.
12) CASAMENTO COM CIMENTO (29/01/1985)
Casamento
é coisa de momento.
O nosso precisa de cimento
pra ganhar um aumento.
De emoção e sentimento
é feito nosso relacionamento.
Nosso envolvimento
é um grande acontecimento.
Devemos morar em apartamento.
Este é um mero apertamento.
Iremos para Sacramento.
Lá não há aborrecimento.
Lá estaremos longe do movimento.
E nos uniremos eternamente com cimento.
13) CASCATAS DE LUZ
Cascatas de luz.
Pedaços de sonho
que se liquefazem
sob olhar atento
do deus Febo Apolo.
Ao tocar a face
da bendita Terra,
viram cambalhotas
em mil direções.
Tecem a poesia
que reveste a rocha
com o irisado véu
de que é feito o vaso
de onde se extrai,
do suco da vida,
Poção de Tupã.
14) CASO POR ACASO (16/02/1986)
Foi numa esquina, num bar
Que a tua sina
Encontrou a minha
Eu não deveria ali estar
Mas numa reunião
Foi do Destino a mão
que assim quis
E ela foi escolher
Justamente você
Para essa coincidência feliz
Nosso caso por causa do Acaso fluiu
E seu fim
Também foi assim
Em nossas vidas não influiu
15) CASSANDRA (06/01/1987)
Meu olhar o futuro obscuro devassa.
Só para mim abrem-se as cortinas
que ocultam as humanas sinas.
Só ele vê o que por lá se passa.
Mas de que valem as profecias,
se não acho ao meu lado ouvido
que ouça meus avisos aflitos,
sem achar que são meras hipocrisias ?
Apolo, perdoa a tua Cassandra !
Retira a maldição nefanda
que colocaste sobre mim !
Faça com que isso aconteça,
que eu te amo como uma deusa
e ergo para ti um templo de marfim !
16) CAVALO DE TRÓIA (06/12/1984)
Cavalo de Tróia,
presente de grego.
Guardo em segredo
a razão da vitória.
Cavalo sem medo,
entrou para a história
naquele dia de glória
de que nos fala Homero.
Cavalo de ferro,
Cavalo de sonho,
como eu te espero
de portões abertos.
Cavalo santo,
santo de pau oco.
Dentro estão,
sempre atentos,
bravos guerreiros.
Cavalo marinho,
grávido de poligêmeos.
Nascem todos
ao cair da noite.
Água-corrente,
enchente valente.
Trai e destrói Tróia.
Cavalo de Helena.
Helena de Tróia.
Tróia da guerra.
Guerra da história.
História de ferro.
Ferro sem medo.
Medo grávido.
Grávido de sonho.
Sonho de vitória.
Vitória do presente.
Presente de grego.
Cavalo de Tróia.
17) CAVALOS DE FOGO (25/08/1990)
Com quantas estrofes
escreve-se o galope
dos Cavalos de Fogo ?
Cada labareda
semeia e incendeia
toda a lavoura.
Brotam estátuas
e fogos-fátuos,
poemas jamais.
Com quantos incêndios
compreende-se
os Cavalos de Fogo ?
Inspiram Impérios,
onde só os Zeros
são coroados.
Acaso amam-se,
acaso acasalam-se
os Cavalos de Fogo ?
Ou são Narcisos ?
Nascem da cisão
de seus próprios
reflexos ?
18) CENTAURO URBANO (11/05/1990)
Atropelei um mendigo.
Os outros, apáticos,
sequer piscaram.
Passei a marcha-ré
e voltei ao passado.
Meu pai,
morto a facadas,
por um mendigo bêbado,
ao meio-dia.
Minha vítima
não morreu,
Arranquei-lhe
apenas uma perna.
Saí a cem por hora,
sem me vingar
como deveria.
Não deveria ter visto
aquele buraco no céu.
A Ausência de Lua.
A noite é indirigível
na Metrópole.
Meu carro parou,
minha vida acabou.
Acabou o combustível.
Sem mais
retratos de meu pai,
imagens de um homem feliz,
não posso me vingar.
Pára o motor
da minha vida
não havia mais
ódio canonizado
nos Alambiques
da Lua Sinistra.
Na lâmina deste punhal,
brilham os olhos
do Mendigo Assassino.
Ele ri, histérico,
pelo corte
aberto pelo punhal
em meu pescoço.
As gotas de sangue
revelam fotos
de meu pai
no azulejo da cozinha.
Imagens de um Deus irado.
19) CHIFRES PERFEITOS
Se o meu amor sai
e me diz que vai
para Tóquio
fechar os seus negócios...
Eu abro os meus negócios
para os seus clientes...
Ele, atrás da porta,
espera todos
irem embora.
depois me surpreende...
Faz-me virar gueixa.
Seduz-me
com sedas e odes...
mil odes e sedas
japonesas...
Seu beijo
cala-me a boca
se eu fico louca
para pedir perdão.
Esfrega-me
na cara
mil rimas
e jóias raras
e eu fico pirada
de paixão...
Eu sou sua Musa Medusa.
Ele é meu Poeta Lúcifer.
Seus chifres de diamante
são hipérboles brilhantes,
são brilhantes símbolos
do Bem que eu lhe faço.
20) CHUVA DE SOL
Hoje chove
uma chuva diferente.
Uma chuva de luz e calor
vinda diretamente
do Sol.
Inunda a cidade
como a felicidade.
Vai até à praia,
onde corpos morenos,
nus e serenos
esperam suas gotas
para se bronzear.
Chuva que vira cascata
sobre a mata
Escorre por entre
as árvores.
Chuva que lava
os corações
e faz brilhar emoções.
como a seta
do Cupido.
Que se espalha
pelo mundo.
Chuva que revela,
em todo mundo,
sua verdadeira cor.







