Farei desta chuva
a via perfeita
para a minha ascensão.
Deixarei
o fluxo luminoso
colorir meus cabelos
com as cores dos cometas.
Atrairei raios
com minhas mãos,
antenas atentas
às cósmicas
vibrações.
2) CINCO QUESTOES ACERCA DO SOL
O Sol...
O que é o Sol?
É um nome
arde com arte
em taças enormes.
O Sol...
Quem é o Sol ?
É um pássaro
seu canto é víbora
vibra as pérolas dos astros.
O Sol...
Como é o Sol?
Ë em espiral
gira etéreo
no teto dos poetas.
O Sol...
Qual é a cor do Sol ?
Verde-vida
silva e explode
em pó de lira.
O Sol...
Por que é o Sol?
Porque só o Sol
consolida
sólidas soluções
consola
insólitas solidões.
3) CIRANDA DA POESIA
As rimas
desta Poesia
Cirandam
em teu espírito,
como Rosas cristalinas.
As Rosas sopram
sua brisa,
o Amor,
Energizam
tuas veias...
As rosas brilham
e irradiam
estrelas...
Abrem olhos
em tua
alma de rocha...
Convertem a pedra
em Harmonia
e Amor...4) CLEÓPATRA (09/12/1985)
Cleópatra eterna, divina,
soberana insofismável, beleza
sobre-humana, prescinde da vileza
para ser da História a Rainha.
Assaz excêntrica, mística, deusa.
Exuberantes formas, sedas finas.
Já verídicos exegetas diziam
quão bem regia os amantes seus.
Decantada já era em versos
por todas as línguas da Terra.
E sua fama ainda mais cresceu
durante seu banquete de casamento,
quando dissolveu dez pérolas
e as bebeu com vinho plebeu.
5) CONDE CONDENSADO 27/10/1994
O ex-Conde
se esconde
se condensa
se condena
se contempla
se consome
e some
dentro
da foto
da Condessa
morta.
6) CONSCIÊNCIA
Na rede eu estava.
A luz do Sol machucando
a luz da minha garganta.
Toda a água evaporando.
Chamei minha escrava.
Ela estava escavando
o pulso com uma adaga.
De gota em gota se formando
um poça de sangue
no assoalho da sala.
Tal cena me constrange
meus olhos arregala
para a ca(u)sa grande
do penar da senzala.
Sua chaga é retrato
da constante violência,
da massacrante eloquência
com que a destrato.
Mulher negra, pomba branca,
do meu coração arranca
a piedade sufocada
pela ambição desmesurada,
de que sou escravo.
Liberto todos meus vassalos.
Mas para eles não basta.
Estes animais vingativos
atam-me ao tronco vivo,
matam-me com a chibata.
7) CONVITE SEM LIMITE
Se querem amar,
façam o que digo:
Mergulhem em meus Poemas,
opacos espíritos...
Abrir-se-ão suas nuvens
em Esmeraldas Vivas...
Seus corações de pedra,
sementes adormecidas,
abrir-se-ão em Estrelas
com brilho de Meio-Dia...
Arranquem
de seus próprios olhos
o lodo apodrecido...
Verão como se abrem
dois Cristalinos Lírios...
Quebrem suas algemas...
Quebrem seus vícios...
Abrir-se-ão suas vidas
em Estrelas...Poesias...
Se lhes assombra,
opacos espíritos,
de meus Poemas
seu poder de Míssil...
Fujam de minhas
rimas místicas...
Pois o último estágio
desta Aventura linda...
Preparem-se...
Sou nau frágil...
Nem eu conheço ainda...
8) CORA DESCORADA (15/07/1986)
Meu nome é Cora.
Espero a toda hora
que o Príncipe da Aurora
me leve embora
desse lugar.
Mas o Destino,
que é tão mesquinho,
não colabora.
Aí bate o sono.
E eu sonho
com meu cavaleiro de esporas.
Nós cavalgando pelas pradarias,
que nem nas histórias
de Fadas.
Mas fica só no sonho.
Eu estou fadada
a apodrecer nesta cidade,
que calamidade.
Meu coração chora.
Rezo tanto a Nossa Senhora,
pra ela me livrar da escória
e me dar a glória
a que tenho direito.
Mas ela não me dá ouvidos.
É bem feito,
quem sabe um dia
eu aprendo
que, quem nasceu pra metade.
nunca chega a um cento.
Mas não tem jeito,
passo da Santa
pra Fada Madrinha
e depois pro Mágico,
de cuja cartola
espero que saia
o meu amado.
Mas nenhum dois
me dá bola.
E depois
de tanto esforço inútil,
volto à vida fútil.
Esperando que, um dia,
alguém me livre
de ficar para a titia.
9) COROAÇÃO 25/01/1988
Nas esfera de éter
Dos teus olhos
Cabem sete abismos
Fina membrana diamantina
Realça ainda mais
Teus olhos abissais
Entre estrelas marítimas
Germina mínima semente
Acima sete metros de éter
Flutuantes olhos
Fazem fotos
No foco
A Flor de Lótus
Com seu Logos
Sete Luas depois
Nasce a Rainha do Lodo
Coroada no Ritual
Com a Chama de Cristal
Sete séculos
Dura o império sem ossos
Da Rainha
Nas esferas etéreas
Dos teus olhos
10) COROA-TE UMA CATEDRAL 08/09/1989
Coroa-te uma Catedral
Batalhas com uma Cruz
Batizas numa Coroa
Rezas ajoelhado
Ao pé de uma Espada.11) DE QUE ADIANTA ? (19/09/1999)
De que adianta
ter o Mundo
em minhas mãos,
se estou inteiro
em tuas mãos ?
De olhos abertos
posso ver o futuro.
Qual o valor
deste poder,
se de olhos fechados
podes ler
todas as entrelinhas
do meu Ser ?
Como posso exercer
em paz
minha monarquia,
se tua carícia
mais suave
dissolve minha coroa ?
Faz meu brilhante poderio
amar a sinistra anarquia ?
12) DESEJO DE MORTE
Quisera morrer agora
estirado sobre a verde relva,
entre a água azul
e o asfalto negro.
Quisera fenecer como tantos,
de sarampo, no desamparo.
Quisera expirar
com minha coluna vertebral
em espiral
e com o ventríloquo esquerdo
de minha decoração calado.
Quisera falecer abraçado
com a sensualidade
(in livro)
que carrego
desde o berço.
13) DESERTO DA MÉTRICA (27/10/1990)
Lá vai o Leitor
em seu trono,
duras corcovas de tédio.
Atravessando
o Deserto da Métrica,
saqueado
pelos heróicos beduínos.
Alexandrinos, vassalos
da Lua Parnasiana.
Doce alívio...
o Leitor avista
o Oásis do Verso Livre.
Mergulha de cabeça !
Ao levantar-se
de sua boca,
sedenta de Liberdade,
escorre Métrica.
Deserto da Métrica,
sem sombra de Poesia.
Se tivesse asas,
seria inseto.
Se tivesse armas,
seria médico.
Se tivesse alças,
seria féretro.
Se tivesse roupa,
seria espião.
Se tivesse rosto,
seria mendigo.
Se tivesse alma,
seria burocracia.
Se possível fosse,
ao Leitor,
virar-se-ia pelo avesso,
viraria Poesia.
Faria o Deserto da Métrica
se transformar
na Branda Floresta
dos Versos Brancos.
14) DESFIEI A LUA CHEIA 03/04/1988
Desfiei a Lua Cheia
Roubei algumas Estrelas
Fiz minha Lira
Da Lua fiz as Cordas
Das Estrelas fiz a Forma
Na minha Ilha
Espalhei a Lira
Pela pele do Mar
Ao Meio-Dia
Mãos delicadíssimas
Vieram dedilhar
A Lua Cheia
Minha Lira foi desfeita
Mergulhei minhas Mãos no Mar
Escorreram mil Estrelas
Os cabelos prateados
Dos Cavalos Alados
Os olhos líricos
Das Nereidas
O Canto líquido
Das Sereias
15) DESILUSÃO (24/09/1985)
Eu pensei,
fui um pensamento
tolo o vão,
que um mero
documento,
assinado por uma princesa,
pudesse abolir
a escravidão.
Jamais imaginei
ser vital
multinacional exploração
do ouro
de nosso coração,
para garantir
a soberania da nação.
16) DESINTEGRAÇÃO E REINTEGRAÇÃO (05/02/1986)
Lua Minguante
Da noite é a foice
Teu beijo picante
Seria um coice
Se antes não fosse
Como a lua
Penetrante e cortante
Rasgando meus bits
Em pedaços pensantes
Quebrando o limite
Entre meu ego e meu id
Divide meu ser
E instiga a intriga
Entre meus dois Eus
Ciclópica briga
Os leva à fadiga
Assassina sina de fariseu
Escrita na face escura
Do livro da existência
Porém vem a iluminação
Da Lua Cheia de ciência
Restabelecer a integração
Eliminando a presença
Do teu beijo picante em mim17) DESMIOLADA E DESANTENADA (07/12/2000)
Aonde você vai parar,
com sua mania
de me evitar ?
Com seu jeito tolo
de flor sem miolo ?
Voando sem destino,
pelos ventos de outono
desse meu país ?
Eu vou já acabar
com essa sua festa.
Minha âncora vou lançar,
vou laçar teu caule.
Na minha jaula
vou te plantar.
Quando você vai parar
com sua mania
de sempre levitar ?
Com seu jeito estranho
de borboleta sem antena ?
Voando em desatino
pelas selvas de pedra
desse meu país ?
Eu vou já acabar
com a sua festa.
Vou arrancar
do meu relógio
um ponteiro certeiro
e vou prender você,
para sempre,
na minha coleção
de corações.18) ODE A CHIQUINHA GONZAGA (01/08/2008)
Brava gente, ô abre alas
Para o Coral Semeando
Hoje é dia de festa
Chiquinha Gonzaga
Estamos celebrando
Brava mestra e maestrina
Exemplo a todos
Nós, brasileiros
Chiquinha Gonzaga
Sempre nos ensina
A lutar por todos
Nossos direitos
Na idade e na raça
No amor e na arte
Poderosa e pioneira
Chiquinha Gonzaga
abriu tantas alas
Durante sua vida Inteira
Ô abre alas, pro Coral Semeando
Ô abre alas, pro Coral Semeando
Façamos festa
Vamos todos cantar
Chiquinha Gonzaga
Vamos celebrar







