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Mon bloc perso.
TRAJECTOIRE DE MAURO VALENTE

Je suis né à l’année de 1967, à la ville de Rio de Janeiro, quand j’ai reçu le nom de Mauro Brito da Silva.
En 1991, j’ai reçu le diplôme de la Faculdade de Letras da UFRJ, référent au cours de Portugais-Litté ratures.
Je m’exprime à travers de plusieurs arts: Littérature, Arts Plastiques, Danse e Thêatre. J’utilize tout le pouvoir des symboles et des mythes pour intégrer, dans mes oeuvres, les divers aspects de l’être humain et aussi les arts les uns avec les autres.
J’ai commencé à écrire poésies à cause d’ inspirations subites. Aux cours d’oficine littéraire, j’ai appris à mieux contrôler le processus criatif. Mes poèmes ont été déjà exposés et publiés, à cause de recompenses que j’ai reçu et de ma propre initiave.
J’ai presenté mes essais littéraires deux fois, pour être invité. Une fois pendant un congrès organisé par la Faculté de Lettres de la UFRJ.
J’ai appris à faire collages en 1982, au Colégio de Aplicação da UFRJ. En 1992, j’ai suivi un cours de collage, quand j’ai été éleve de Monica Barki. Dès 1991 jusqu’aujourd’h ui, à propos de cet art , j’ai dejà réalisé six expositions individuelles et trois collectives . J’ai exposé deux fois aux galeries du SESC, à Friburgo et à Tijuca.
Origam i j’appris à faire avec les programmes enfantins, que j’ai assiste à la télévision. J’ai amélioré ma technique comme autodidacte et au cours que j’ai suivi au Centre d’Artes Calouste Gulbenkian, em 1999, dont le professeur a été Mirian Nigri, membre du grupe Origami Rio. À ce même année, j’ai participé d’une exposition collective, où j’ai exposé mes origamis.
Le Tablado m’a enseigné à ëtre acteur, grâce aux trois cours que j’ai suivi dans cette institution, em 1985 et 1986: improvisation, interprétation et expression corporellle. Le professeur d’improvisation à été Ricardo Kosowski. À l’année de 1995, j’ai été membre du grupo Fazendo Arte, travaillant comme chanteur au choral et avec le théâtre enfantin, comme acteur et faisant les scénarios.
L’o bjectif de mon projet d’enquête a été démontrer les différentes relations entre les fous et les mythes, dans la fiction brésilienne. Je l’ai realisé entre 1990 et 1991. Je suis financé par le CNPq et orienté par le professeur-doct eur Wellington de Almeida Santos.
Intégr ant les arts, les uns aux autres, j’ai déjà realisé: deux expositions de poèmes et collages; une oficine par suggérer aux professeurs técniques d’interaction entre Litterature et Arts Plastiques.; huit performances, alliant Poésie, Théâtre et Arts Plastiques, une d’entre elles au théâtre Vila Lobos.
Em octobre 2000 j’a participé de la pièce “Os Gregos”, crée par la Companhia de Teatro Medieval. J’ai actué improvisant avec l’actrice Márcia Frederico, par qui j’ai été choisi pour avoir répondu correctement ses demandes sur les mythes grecs.
En 1995 j’ai lu le livre “Tarô Mitológico”, que m’a aidé à commencer ma carrière de tarologue. Dès le commencement, j’ai fait un grand succse, parce que je me suis revélé très habile en donner des conseiiles pratiques, utiles a résoudre les problèmes de mes clients et en faire prévisitions, qui ont été vraiment realisées.
À l’année 2000 j’ai realisé deux songes, que j’ai déjà eu longtemps. Le premier a été le lancement de “Coração Coringa”, mon premier livre de poésies, où les phases de la lune symbolisent beaucoup d’étapes et plusieurs types de relations amoureuses. À ce livre, je m’ai dédié pendant dix ans, m’ocupant de tous les détails: écrire les poèmes, créer les illustrations, faire la révision, le relier, le vendre. Ce livre a été mon second grand succès, comprové par la vente de beaucoup d’exemplaires.

Le second rêve que j’ai realisé, l’anné 2000, a été la création de “Poesia Energética” mon premier site pour l’internet . Dans ce site, je presente la proposition de la totalité de mon oeuvre poétique, qui est la d’englober tous les aspects de la conduite humaine. Les poèmes sont classifiés par catégories, symbolisées par les quatre éléments et illustrés para mes collages, inspirés sur le Taro.
Depuis 1999, quand je m’ai decidé concentrer toutes mes énergies et tous mes talents dans une seule série de libres, je me lui dédie. Mon objectif est prouver à tous que, dans chaque personne, existent les moyens pour réussir à améliorer la qualité de vie. Et ce sont faciles à découvrir, à partir d’un chose simple et accessible à tous: les proverbes brésiliens. Ça est possible parce que ces proverbes possèdent les mêmes symboles que le taro, par exemple: la Voiture, la Lune et le Monde. À la version en français de ce série, que je suis en train de traduir du portugais, j’ai donné le titre de “Taro Brésil.
J’ai choisi Mauro Valente pour être mon nom artistique, parce que c’est le que mieux me caractérise, dans trajectoire de vie. Dans ma constante lute pour exercer mes droits, comme citoyen; pour réaliser me rêves, comme artiste; pour superer mes limites, comme être humain.
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Publié le 21/05/2008
Par Mauro Valente
1) DESTINO DIVINO (14/05/1989)

A Lima Barreto e Fernando Pessoa


Deus quer, o homem sonha, o País nasce.

Deus quis que a Pátria fosse excelsa,

Que ao ápice se alçasse.

Sagrou-te, e foste estudando a terra.

E, cavaleiro estudante, foste escudo

Das nuvens, dos índios, de tudo.

Mas viste teu Sonho, de repente,

Sumir tragado pelo Gigante.

Quem te sagrou, fez-te Brasileiro.

Da Pátria nos deu sinal em ti.

Cumpriu-se o Mal, o sonho se desfez.

Senhor, falta cumprir-se o Brasil.

2) DEZ ANOS   


Nos amamos durante dez anos.

Dez iguais à eternidade.

Eternidade feita de desenganos.

Desenganos que destruíram a vaidade.

Vaidade, obstáculo aos nossos planos.

Planos de uma perfeita felicidade.

Felicidade de nos amarmos durante dez anos.

3) DEZ POMBOS (14/06/1987)
 

Dez pombos

de ouro

em vôo redondo.

Adorno

de cabeça

da Madona.

Anjos

nos quatro cantos,

em tom de encanto,

entoam cânticos

em seu louvor.

Dentro

de seu fértil ventre,

uma rosa branca reluz.

Seus dois seios de luar plenos.

O sinistro no plenilúnio.

O destro no nulilúnio.

4) DIA DE ORGIA    08/11/1987


Foi numa orgia

de velórios múltiplos

que nossas energias

se conheceram

num segundo fúlgido.

Nossos caixões tremeram

de pavor e prazer.

Vimos Adão e Eva

nas alturas do Inferno.

Vimos Lúcifer nas baixarias

do Paraíso.

Cérbero latiu

abriu os portões

do Éden.

São Pedro cantou

fechou os portões do Hades.

No Inferno Satanás se ajoelhou.

Na testa de Deus

dois chifres surgiram.

E fizemos amor

sobre os epitáfios.

E o Céu foi exorcizado

de todos os anjos.

E o Inferno foi limpo

de todos os Demônios.

E o Universo inteiro

será o Nosso Reino.

5) DIABO (14/12/2000)


Sigam a linha

do meu raciocínio

através deste labirinto.

Os piores pecados

podem ser vistos

como nossos

melhores amigos.

A luxúria reanima

uma relação

com a chama da paixão.

A vaidade eleva

a auto-estima.

O egoísmo nos defende

de nossos falsos amigos.

A preguiça é necessária

para recarregar

nossas energias.

A inveja, quando é boa,

reconhece o valor

das outras pessoas.

A gula, numa festa,

só nos dá prazer.

A ira energiza

e bem conduzida

elimina nossa inércia,

nos afasta da rotina

e nos leva a vencer.

Tudo na Vida

é relativo...

O Diabo é pintado

como o maioral,

o pior inimigo,

o maior mal,

o criador

de todos os pecados.

Os piores pecados

podem ser vistos

como nossos

melhores amigos.

Por isso diz

a popular sabedoria:

“há males

que vêm

para o bem” .

e “o Diabo

não é tão feio

como se pinta”.

6) DILÚVIO PELO TELEFONE 06/01/1988   


Suas sílabas pingavam

Pelos furos do telefone,

Bebi o sal amargo

Que a fiação me trouxe.

Era uma garoa fina

Parecia não ter fim.

Tuas sílabas diziam:

Como sofro, ai de mim.

O prato contagiante

Apossou-se de meu ser.

Encharquei meu lenço amigo,

Não sabia o que fazer.

O lenço era de bolinhas,

Hoje todo branco está.

As bolinhas na torrente

Deixaram-se levar.

Era já uma tempestade,

Você de lá, eu de cá.

Nosso choro dava inveja

Ao Carinhoso.

Tempestade é pouco,

Era um dilúvio mesmo.

Tirei meu bote do bolso

E pela janela do calabouço

Saí remando a esmo.

Encontrei-te numa esquina.

Remavas tua jangada.

A jangada era pequena

Para caber tanta beleza,

Beleza em prantos banhada.

Nossas mãos se uniram.

O enlace foi fatal.

As embarcações viraram,

Os chorões se derramaram

No imenso mar de sal.

Nossos corpos enlaçados

Na praça foram atracar.

Nos amorosos braços

Da Pietá.

7) DISCO VOADOR   


Balançando-me na rede.

O sol irrompe

dentro das nuvens.

Ouvi pássaros cantando.

Vi pessoas correndo

sem se preocupar

com o que poderia acontecer.

Quando, de repente,

aconteceu.

Um luz no céu apareceu.

Olhamos todos, surpresos,

para aquela luz imensa, intensa.

Era apenas um disco voador.

Todos se dispersaram

Ele sumiu,

no céu azul de anil.

E então acordei.

Pensei :

pesadelo !

Ninguém reconhecia

minha nave

ninguém se lembrava

de meus famosos filmes .

Não sou

um astro decadente.

Foi apenas um pesadelo.

8) DO FUNDO DO POÇO (27/03/1988)
 

Do fundo do poço

surgiu um novo povo

e marchou

e cresceu e se multiplicou

geometricamente.

Alguém escreveu e assinou

algo sobre este povo.

9) DÓI-ME AINDA A LEMBRANÇA 23/06/1988
 
  

Dói-me ainda a lembrança

Da paterna indulgência.

Eu, quando criança,

nunca paguei penitências.

A mais dolorosa

Foi quando à Rosa,

Filha do pipoqueiro,

Escrevi versos proibidos

E ele, ensandecido,

Quis assar-me no braseiro.

Minha mãe mal continha

Os ímpetos de expiação

Que me impeliam

Ao braseiro do exorcista.

Na sala de jantar

Meu pai convencia

Ao inimigo de Satanás.

- A inocência

e a pouca idade

De meu filho

Nunca o permitiriam

Escrever tais indecências

Em tal estilo.

Satisfeito, o pipoqueiro

Foi-se tranqüilo.

O único insatisfeito

Com tudo aquilo

Sou eu. Sem castigo

Cresci afeito às satanices.

Só nas crises

Me satisfiz.

Lá se vai o meu passado

Abismo abaixo...

A ele atado

Ainda me acho.

Meus pais... tão relapsos...

Meus carrascos imaginários...

Lá vou

Atrás do meu passado...

Meu hoje pagando

Tudo quanto

Meu ontem cometeu.

10) DUELO POÉTICO   


1: - A calma incontável

Dos pirilampos

Pelos campos amplos

Dos meus sonhos calcificados

2: - Sonhos calcificados ?

Idéia mais esdrúxula.

Não poderias arranjar

Uma idéia menos fluxa ?

1: - Afasta tua voz de mim.

Não vês ? estou meditando.

Só a estrela saberá

Do sangue das montanhas.

2: - Montanhas não sangram,

Não aprendes nunca?

Corujas sangram,

Montanhas coruscam.

1: - "Corujas sangram" é muito banal.

Quero um verso original,

Sobre fontes de cristal

Jorrando estrelas de sal.

2: - Rimas em "al"

São teu forte,

Bem se vê.

Quero ver-te rimar

Ácidos com astros.

1: - Má não o é.

Contudo, excelente seria

Não viesse de ti a idéia.

2: - Não me confundes

Com tuas inversões.

Basta eu achar minha gramática,

Para dar-te uma resposta

À altura da tua afronta.

(2 sai do poema)

1: - A Paz etérea e soberana,

Somente na solidão

A encontrarei.

(2 entra no poema)

2: - Falaste mal da idéia por inveja.

Só sabes falar de "fontes de cristal",

De "sonhos calcificados"

E do "sangue das montanhas".

1: - E da "Paz etérea e soberana."

2: - De onde tiraste esta ?

1: - Me abstenho de responder-te.

Esta pergunta me assola,

Não deve ter resposta.

2: - Não respondas, se não quiseres.

Mudando o rumo...

As lânguidas acácias me disseram

Do teu imenso amor por ti.

1: - E de me amar assim muito amiúde,

É que um dia em meu corpo ,de repente,

Hei de morrer, de amar mais do que pude

2: - Oh ! Narciso dos narcisos !

Tua idolatria por ti

Me enoja e me fascina.

É asquerosa e é divina.

1: - Enfim uma melodia

Sai da tua boca.

Há anos espero este dia.

2: - Chamas palavras ocas,

Ditas sem refletir

De "melodia"?

1: - Sim, só há melodia

Nas palavras ocas

E na ausência de reflexão.

O pensamento e o recheio

São inimigos da música,

Da verdadeira Música !

2: - És filósofo ! Este dote

Me era desconhecido.

Diga, tens mais algum,

Em algum lugar escondido ?

1: - Se tenho, não o sei.

Se soubesse, não te diria.

Se dissesse, não acreditarias.

Se acreditasses, eu desmentiria.

2: - Bela prova de virtuosismo.

Proponho-te um duelo.

Um duelo com palavras.

Se venceres, te deixo em paz.

1: - E se eu perder?

2: - Serei teu calo,

Tua unha encravada,

Tua cruz sobre os ombros,

Por toda a eternidade.

(2: - Se perderes, ganhas

O imenso prazer

De ouvir o som

De minhas sábias rimas

Por toda a eternidade.)

1: - Aceito,

Podes começar.

2: - Gosto das mórbidas.

Adoro o sabor de sangue

Das suas línguas.

Minhas amadas vampiras,

Minha Poesia se curva

À simples visão

de vossos vultos.

Sois a própria Volúpia

Encarnada em criaturas

De rara luxúria.

1: - Minhas amadas são puras

E de lírica leveza.

Sua fala é simples,

Mas suas palavras

Bem valem o ouro

De mil princesas.

As canto sem descanso,

Cansaço não me vence.

E quanto mais as canto,

Mais meu Canto se engrandece.

2: - Meus Versos

Me abrem pórticos

Direto ao Inferno,

Direto ao Império

Do meu Mestre.

Ele ensinou-me a adorá-lo.

Seu halo me oprime,

Meus crimes são Dele.

Minha Lírica sinistra,

Ele a escreveu.

Minha Vida,

Do enxofre foi extraída.

Graças a um espirro Seu.

1: - Meus Versos

São de luz fresca.

Mesmo um cego os lê.

Olhos sãos não cegam,

Ensinam a ver.

Com a Vida aprendi muito.

E o principal:

Não se pode saber tudo,

Mas nosso dever neste Mundo

É a tudo e a todos amar.

2: - Me dou por vencido.

Teu estilo é singelo,

Mas teus versos

São versos de Sábio.

Eu te felicito,

És o vencedor.

1: - Desistes muito fácil.

Teus versos podem ser

Muito superiores aos meus.

2: - Superiores, sim.

Mas na forma.

No mais importante,

És insuperável.

Não mais me verás

Pelo resto da tua existência.

E, vitória maior,

Me ensinaste a Visão.

Eu era cego

E meu olhar

Se julgava são.

1: - Se assim o julgas,

Não te contrario.

Mas te suplico, não vás,

Não me deixe sozinho.

Como posso viver

Sem teu eterno falar?

Eu te suplico, não vás.

Sozinho, será um tédio

Escrever, viver e até pensar.

2: - Está certo, eu fico.

Mas não como cruz,

Nem como unha,

Nem como calo.

Fico somente como amigo.

Um amigo sincero e leal.

1: - Sincero, leal e chato.

2: - Me deixas estupefato.

Mas assim será,

Se assim quiseres.

1: - Assim o quero.

As borboletas meigas

Serão aceitas.

2: - "Borboletas meigas"?

Por demais açucarado.

Escolha algo...

algo mais sanguinário !

1: - Maldito sejas !

Tu e toda a tua geração !

Vá passear no bosque !

Vá colher algodão !

Vá contar estrelas !

Não me aborreças !

Não me perturbe

A meditação !

(2 sorri, como se Satã fosse.)

11) DURANTE O ESPETÁCULO   


Durante o espetáculo,

estrelas correm em círculo

pelo chão

como em meus tempos

de criança.

E depois no céu,

seu sustentáculo,

brincam de roda

na roda da vida

e jogam com

o nosso destino.

Os astros, as estrelas e os deuses

combinam as regras do jogo.

Por isso não ponho as mãos no fogo,

por causa do jogo deles.

E se a nossa vida

foi vivida em vão,

é melhor unirmos nossas mãos

e lutar por regras

mais justas.

Vamos virar a mesa.

Assim não dá para continuar.

Muito vai ter que mudar

e o perigo não nos assusta.

Muito pelo contrário, estimula.

Nós temos a certeza

de sermos mais fortes

que os deuses .

12) DÚVIDA CRUEL   


Quem sabe ?

Quem poderá dizer

de onde vem

a raça humana?

Se emana

do etéreo amor

do eterno Criador ?

Se surge de chofre

do enxofre

de Exu ?

Quem sabe ?

Quem poderá dizer

para onde

a morte nos leva,

terminada nossa tarefa

nesta Terra ?

Se nos leva

para uma selva

onde os rios

são feitos

de mel e leite ?

Se nos desterra

em imensa caldeira

cheia de fervente azeite?

Quem sabe ?

Quem poderá dizer ?

Quem teria o poder

de responder

a estas perguntas ?

Permanecerão

sem reposta?

Serão postas

as cartas na mesa ?

Quem sabe ?

Quem poderá dizer

com certeza ?

13) É PRECISO SONHAR   


Fogo alado.

Navio grande calado.

Sonho embalado

entre brumas de espuma.

Sonho vivente.

Centelha ardente.

Começo consciente.

Coração suficiente

para a escolha fugaz

de um destino sombrio.

Menino bravio.

Leitor de rio.

Leoa no cio.

Labirinto em desvario.

Inaufragável navio.

Aceso pavio

na escuma do gás.

Um sonho de paz,

entre pétalas de riso.

Cantar é preciso.

É preciso sonhar.

14) ECLIPSE (12/11/1985)


A pérola lunar de marfim,

esférico iceberg nadando

no negro firmamento

do mar sem fim.

O rubi solar rutilando

sobre a seda azul,

olho escarlate nefando.

A mancha eclipsática no paul

alastra-se carregando a síntese

da pérola e do rubi

num verso absoluto.

15) EGOÍSMO OU MANDALA ? 27/08/1989   


Se eu entrar no Simbolismo

e não sair de mim,

serei apenas um ismo

entre tantos

que há por aí.

Se eu entrar no Simbolismo

e não sair de mim,

serei apenas egoismo.

Serei apenas círculo

girando, girando,

em torno de mim.

Serei nunca Mandala

crescendo de Amor.

16) ELEGIA EM ELOGIO À MORTE (11/03/1985)  


Cheguei meu poeta !

Transformarei teu leito de morte

No teu leito nupcial !

Sou aquela que tu negaste

Durante toda a tua existência !

Agora sou tua amante !

Sou eu que te penetro pelos poros

E te levo ao êxtase do amor !

E faço brotar dentro de ti

Não a flor da vida

Mas a flor das trevas !

Venha minha amada !

Joga em meu coração tua semente !

Que ela vire uma flor carnívora !

Que me consome a carne e as vísceras !

Que me corrói os ossos !

Que me corrompe a alma !

E que a carrega rumo inferno

Onde eu viva em gozo eterno !

17) EM BUSCA DA PERDIÇÃO    07/09/1991


Tentei com afinco,

mas não consegui

perder-me nos estreitos

limites do teu desejo.

Nem minhas Fantasias

conseguiram erguer

com tão rala areia,

em meio palmo de criança,

uma parede mínima.

Como poderia desejar

perder-me em Labirintos ?

Nem a Batedeira

dos meus Sonhos

conseguiu produzir,

uma onda mínima

nessa poça ínfima .

Como poderia desejar

Naufragar em grande Estilo ?

Hoje estou viajando.

Hoje ando a procurar

um Desejo bem amplo

para me macular.  

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