1) RUÍNA NACIONAL (04/12/1988)
Ouviram do Ipiranga
As margens flácidas,
De um povo irado
O brado retumbante,
Pois do céu
Da idolatrada pátria
Foi roubado
O sol da liberdade
Neste instante.
Porém o pendão da desigualdade
Conseguiram em nós plantar
Com braço forte
Em nosso peito,
ó liberdade.
Contra o fado cruel
Ninguém mais pode.
À Pátria amada,
Espoliada,
Salvem, salvem.
Brasil, país imenso, solo riquíssimo.
Na miséria o povo ainda padece.
E o brasileiro ouro, risonho e límpido,
Em estrangeiros cofres resplandece.
Gigante, onde está a tua grandeza ?
Onde o sol do nossos povo ?
Quando poderemos cantar-te
Erguida a cabeça,
O Hino Nacional de novo ?
Terra roubada
Por outras mil
És tu, Brasil,
O Pátria desarmada.
Se o pendão da escravidão,
Conseguiram em nós plantar
Com braço forte.
Em teu seio, ó ser vil,
Renascerá a liberdade
Mesmo adubada
Pelo sangue da ignorância.
2) SER MÃE (1ª VERSÃO)
Ser Mãe
É ter a sutileza
Das asas do Sonho.
Ser Mãe
É ter o aroma ambíguo
Da Poesia em Flor.
Ser Mãe
É ter a firmeza
Das pedras do Amor.
Ser Mãe
É ter o ritmo
O pêndulo íntimo
Das ondas da Vida.
Ser Mãe
É saber não afogar
Seus filhos
Com afagos
Mesmo sendo
Mar do Amor.
Ser Mãe
É ser
acima de tudo
Mulher.
3) SONHO VIAJANTE
Por onde andou meu sonho,
A memória me foge.
Terras estranhas por certo viu.
Onde coisas fantásticas acontecem.
Como estrelas que estremecem
Só de ver o fausto
Com que a Lua se veste.
Onde serpentes se arrependem
Das mortes que causaram.
Onde Amazonas se casaram
Com Faunos
Que há anos persegues.
Onde não podem morar
Máscaras de nenhuma espécie.
Onde cada um aparece
Como realmente é.
Onde as auroras são claras.
O caminho de volta
Quase de mim se esquece,
Ao ver como fosforece
A Rainha Profana,
A mulher sagrada
Chamada Cleópatra.
Finda a aventura,
Ao lar que vazio
Viu ficar.
Meu sonho retorna.
Ao retornar,
Acrescenta ao que havia
Mais do que poderiam
Juntas criar
Loucura e Magia.4) SUBVERSÃO (24/10/1999)
Em meio à via
Havia uma lápide
A se depilar.
Uma lápide
A se depilar
Em meio à via
Havia.
Este evento
É vento,
As Retinas
Retintas
De rotina
Altera,
Alerta.
Jamais
Me olvidarei
Deste vento,
Evento singular.
Perante
A lápide
A se depilar,
Em meio à via
Havia eu.
Eu a via.
Eu,
A via.
5) TUPÃ (05/05/1990)
Tupã,
Meu bem-amado,
Tua flecha incandescente
Fecunda minhas palavras.
Áridas escravas
Dos dicionários
Tornam-se mágicas,
Grávidas de Poesia.6) À BEIRA DO VAZIO (08/12/1987)
À beira do vazio
Um casal conversa.
Vazia conversa
Numa tarde toda tecida
Com macios fios de nada.
7) A BRUXA FADA (04/04/1988)
Minha bruxa encantada
Por ti fui encontrado
No meio da selva de pedra.
Minha bruxa-fada
Anula minhas perdas.
Me livra da farda
Anula meu fardo.
Arranca minhas pedras.
Minha bruxa encantada,
Os gnomos, os duendes,
As salamandras, as serpentes,
Te acompanham.
Me deixa beber
Do elixir
Da tua alegria,
Para existir
Na minha vida
A magia
De ser feliz.
Me deixa habitar
Os teus sonhos,
Para visitar
Os recantos
Encantados
Dos contos
De fadas.
Minha bruxa enluarada,
A Mãe Terra,
A Mãe d’Água
Te geraram.
Meus segredos, meus mistérios,
Tu desvendas
Com um apenas
De teus versos.
Coloriste minha vida
Com a brisa
Dos teus olhos
E o cinza
E seu reinado
Hoje hiberna
Nas cavernas
do passado.
Mihha bruxa,
Teu ar de fada
Vem da Lua,
Vem da tua
Natureza
De ser ente
Que enxerga
Nas serpentes
A beleza
Que há
Nas sementes,
Nas ervas.
8) A TORTURA DA POESIA (27/07/1988)
A Poesia me captura
Com seus vesgos
Olhos de visgo.
A Poesia me tortura,
Torce minhas veias.
Explora meus infernos.
Vertido para o vértice,
Ápice de dois desejos,
Onde me vejo
Múltiplo.
Múltiplas fontes
Para preencher
O infinito-escasso.
Espaço aveludado
Da página.
9) ABRI MEU BAÚ (29/03/1987)
Abri meu baú
Tirei coisa por coisa
Que no fundo havia
E dei à luz
à luz do dia.
Um livro de Cabala
Com meu rosto
Na capa
Cabelos em ouro
Olhos em estrela.
Um par de chifres
Feito em
Pedra da Lua.
10) ABRISMO (18/07/1986)
À beira do abismo
Me lembro
Do bacilo do facismo
Se alastrando
Pelo mundo civilizado.
O abismo
E sua milenar
Sombra oracular
Miram-me pela
Ocular bola
De coral
Da Cabala.
O abismo
Me convida
A delsizar
E escapar
Com vida
do labirinto
de meus
desejos
insaciados.
Do abismo.
A garganta
É arisca.
Árdua a descida.
Quem ousa
E se arrisca
Pode se considerar
Herói consagrado
E santo canonizado.
O abismo
É traiçoeiro.
Enrola
Em sua teia
O mais experiente
Alpioneiro.
No abismo
É certa a morte
E sem ressurreição.
Já foi usada
Como mote
Por poetas
Ancestrais
De nossos
Ancestrais.11) ALGOZ AUDAZ (18/05/1986)
Tudo que faço
Te deixa com um pé atrás
Me vences pelo cansaço.
Me convences com tua fala falaz.
Tu escolhes
A quem devo amar.
Você me encolhe.
Isso não me apraz.
Tudo bem, tanto faz.
Mas deixa
Minhas madeixas
Em paz.
Minha moda tu fazes.
Me incomodas, me fazes mal.
Tu me queres normal.
Prendes meu navio no cais.
Ès meu Rei e teu arauto.
Queres me afogar com um rato.
És meu algoz mais eficaz.
Traças a linha
E me ensinas
A andar
Apenas nela.
Se te desafio
Me defenestras.
Isso não se faz.
Tudo bem, tanto faz.
Mas deixa
Minhas madeixas
Em paz.12) AMOROSA ESTRELA (24/09/1984)
13) ANALORGIAS (29/06/1986)
Nossa cópula
É uma peça
Em três atos.
Nosso diálogo
É o roteiro
De teatro-absurdo.
Nosso caso
É uma cena
De cinema mudo.
Os rótulos
Jogamos pro alto
Pelas rótulas
Do auto.
Nossa libido
É nossa química
Sublimação.
Nosso olhar
É o melhor
Catalisador que há.
Nosso orgasmo
É um complexo
Ativado.
Você nada de créu,
Eu nado de costas.
Eu sou o Anjo Mau.
Eu sou Gal Costa.
Nossas carícias
São pincéis de luz
Pintando nossas imagens
No infinito.
Nosso calor
É clorofila,
Traduz em cósmica energia
Nossos corpos materiais.
Nosso humor
É húmus.
Nosso alimento
Para o amor.
Você me à vista.
Eu te a prazo.
Nossas canção
É cadeira cativa
Para a peleja:
Bem X Mal.
Nossa cor
É um rock
Rolando arte de cor.
Nosso quarto
É quartzo
É quark
É um foco
De tetos-fátuos
Buracos negros
In lôco.
Eu te conquisto,
Você me com testa.
14) ÁRVORE VITAL E LETAL (23/02/1986)
Os rijos troncos rubros.
È como se o sangue da Terra
Jorrasse, transbordando
Das veias
E coagula-se em pleno ar.
Nos ramos se entrelaçam
Serpentes tecendo
Teias verdes
cobrindo o ar
de paradisíaca renda.
Entre as árvores de sangue
Ainda pode-se ouvir
O cantar das serpentes,
Atraindo os artistas.
São vampiras, inspiram
Destilam rimas
Para alimentar
A Terra
De Energia.
Os ovos
Das vampiras verdes
São dourados,
Esféricos e macios.
São sóis
Jogando no solo
Para ferir
A Terra
E fazer nascer
Novas serpentes.15) AS FOLHAS (14/02/1987)
As folhas
Dão sombra
Pra rolha
Na dobra
Do galho
Todo torto
Pelos anos
Ao sol
O sol
Se espalha
Nas muralhas
E só
tão só
tão fraco
tão simples
o nó
da gravata
na armada
da fragata
a naufragada
se agarra
ao tronco
que ronco
do mar
pelo ar
se vai
o cais
é mais
que um soldado
todo fardado
dos pés
à cabeça
me esqueça
fui !
16) BROTA DO CHÃO
Brota do chão
Do meu apartamento
Fazendo um estrondo
Tremendo, hediondo
Uma montanha de gelo,
Tendo por dentro
Uma árvore de aroma
E insenso perfume.
Que emoção !
De mil em anos
Meu admirador secreto
Me envia um presente.
Que surpresa !
É sempre o mesmo !
17) CARRO CARLOS (14/11/1997)
Carlos,
carretel
Acarreta
Liberta as mentes
Ao tecer
Nas retinas
A teia
Da sabedoria
Terna lanterna
Ilumina
Os íntimos
tímidos
Labirintos
Da História.
Sua magia
De maestro
Convida
Ao passeio
Pela melodia
Da vida.
Sintoniza
Nossas energias
De Noel,
O Aquiles
De Vila Isabel.
18) CAVERNAS DE GELO (21/02/1987)
Cavernas de gelo
Casernas com trigo
Artigos de inverno
Cadernos vermelhos
Jasmins no jazigo
Espinhos em espelhos
Cinco alegros
Cachimbos pretos
Alheios ao limbo
Arreios ou estribos
Acho a estribeira
Almejo carinhos
Encarno velhos marinhos
Ali no fim da linha
Sublima-se o linho.
Em perfeito desalinho.
Me desafio
Me desfio.
19) CÉLULA = CIDADE (20/05/1985)
Existem mais relações entre a vaidade celular e vida urbana do que pode supor nossa vã Biologia.
Membrana citoplasmática = Fronteiras entre cidades:
Limite entre a célula e o mundo exterior. Por vezes várias células estão tão unidas, que é impossível diferenciar as membranas umas das outras. Com as cidades acontece a mesma coisa.
Núcleo celular = Centro da cidade.
Às vezes, os núcleos vão para a periferia. Acontece no corpo humano (megacélulas) e nos EUA (megalópoles). Em abos os casos não é muito recomendável passar pelo centro em nenhum hora do dia.
Citoplasma = Perímetro urbano
Movimentos citoplasmáticos = Ônibus
Há muitas voltas desnecessárias. Nem Deus sabe quando chegarão ao seu destino.
Retículos endoplasmáticos = Metrô
Transporte rápido, seguro e eficiente.
Complexo de Golgi = Porto
As proteínas são devidamente empacotadas e embarcadas. Vão para outras células ou tecidos. Assim como dos portos as mercadorias vão para outras cidades, ou estados ou países.
Mitocôndria = Usina Hidrelétrica.
20) CHUVA FAZ TROVA (07/08/1998)
A chuva enferruja
O tráfego
Encolhe
Ruas
E
Pessoas.21) CINE SAUDADE (23/07/1998)
Saudade faz
Dos meus olhos
Um cinema.
Cada cena
Se multiplica
Nas telas
Das lágrimas.
22) CINE SOLIDÃO
És a estrela
Dos filme que
Nas telas
Das lágrimas
Do Cine Solidão.
23) COME(N)TA (11/01/1998)
a gente comenta
a meta
do cometa
de mental
metal.
24) CORAL DE PIANOS (25/05/1988)
Coral de pianos...
Círios cândidos...
Lírios-anjos..
Nasci...
Gastei
Meu dia
Caçando pianos.
Pianos não havia.
Havia uma cigana
A minha espera.
Levou-me levitando
Nos lírios do hábito
Ao país sacrossanto
Onde lei
Dos Sábios Arcanos
Impera.
25) DELÍRIOS POÉTICOS SEM MALDADE (30/09/1987)
Rever Walkiria
Euforia suprema
Eterno dia
Em meu ecossistema
Walkirísima
Bebida ilícita
Inspira Iansã
E ao águia igniza-se
Rever Walkiria
Nesta foto Kirlian
Recria
A Alquimia
Wlakimística
Cientista onírica
Mefista
Manifesta
Walkiria
Não gostarias
De ser a minha
Vampira ?
26) DISPERSÃO (20/02/1986)
Afiada faca
Afaga formas perfeitas
Fere fundo
Efetua famosos feitos
Defunteia facínoras
Defende indefesas fadas
Ceifa café
Freqüenta festas famosas
Fomenta hafalgesias
Grinha falsos hierofantes
Afidalga mafiosos
Satisfaz famintos antropófagos
Sacia vampiresca sede sangunária
Faz cafrices
Roufenhas barisferas afina
Afia ninfas
Linfas ofitas oficializa
Azafama fatigados
Transfigura feias faces
Sacrifica feras
Aflige janicéfalos falazes
Favorece Morfeu
Com os favos
Que come
De Orfeu
27) DOM QUEIXOTE (14/08/1997)
Por tanto amor,
Tanta obsessão,
Minha vida
Fez-se em sina.
Por fora
Ou pelo avesso
Já me desconheço
Eu, caçador
de moinho ?
Preso a poemas,
A eternas lendas
Que não falam
De mim.
Dessa tal...
Dulcinéia...
E eu,
Caçador de moinho ?
Lá no fundo
De mim
Achei, enfim
A Fada Sininho.
Louco ? Jamais.
Eu sou Galahad.
Eu ?
Caçador de moinho ?
28) DULCINÉIA PARANÓIA (22/11/1986)
Sou uma Dulcinéia
Em perigo
Não há por acaso
Nenhum Dom
Quixote desocupado
Para me salvar ?
Ele tem chamas nos olhos
Ele tem icebergs nas mãos
Da sua boca
Sai uma língua
Fina e comprida
Com duas agulhas
Na ponta
A cor dele
É amarelo-visgo
O corpo dele
Só vai
Até a cintura.
Os seus olhos
Fazem correr lava
Pelas minhas veias.
Suas mãos
Ferem o chão.
Uma espessa
Camada de gelo
Avança
Em minha direção.
Dou um doce
A quem me socorrer
Só sé for agora.
É inútil
Querer fugir.
Virei iceberg.
Agora
Sua língua
De cobra
Aproxima-se
De mim.
Não posso desmaiar.
Não há
Entre os leitores
Nenhum hipnotizador
Para me manter
Desperta ?
Só me faltava
Essa.
Cada fagulha
Se cravou
Num seio meu
Ele suga
Todo meu leite
É asqueroso
eu achar
tudo delicioso.
A porta
Do recinto
Vem abaixo !
É o Quixote
Dos meus sonhos !
Chegou atrasado,
Meu amor...
Meu coração
Já pertence
Ao meu ódio
Ao Esfinge.
29) É DOLOROSA (17/04/1987)
É dolorosa
A nossa separação
Mas sua duração
Eu te juro
Não há de ser eterna.
A distância
É só geográfica
Nos Átomos do Cosmos
Nossos Espíritos
Estão unidos
Com laços de ouro.
A Mãe Terra
Nos uniu para sempre
Com fez
Com as serpentes
Do caduceu.
30) ERA DE NOITE E CHOVIA MUITO (16/02/1987)
Era de noite e chovia muito
de vez em quando relampejava
eu estava jantando sozinho
Foi então que ouvi uma voz cantar
A música não se parecia
Com nenhuma de que me recordasse
A língua não se parecia
Com nenhuma língua humana
E o mais estranho
Era que quem cantava
Era eu.
31) ERA TAL A SINTONIA ENTRE NÓS (16/02/1987)
Era tal
a sintonia entre nós.
Que nós
não comunicávamos
Através de palavras
Os pensamentos
Transitavam
Em estado
Bruto
Entre
Nossos cérebros
Se os
Escrevo aqui
E para torná-los
Um pouco
Mais legíveis
Ao meu Ego.
32) EXPERIÊNCIA (26/02/1986)
Quando me encontro
No deserto da solidão
Cada grão de areia
É uma desilusão
Olhando em volta vejo
Uma bela imagem,
Ouço o canto das sereias
Mas é uma miragem.
Sigo minha viagem
Rumo ao nada,
Sei que é longa e feia
esta estrada.
Alguns urubus
Voam em volta,
Me querem como ceia.
Me entrego sem revolta.
Com suas bicadas vigorosas
Tiram a parte podre
Que me permeia,
Deixando a mais saborosa.
Depois de tal experiência,
Saio do deserto da tristeza,
Vi pro mar da existência.
Vou pro mar do coração,
Onde cada gota
É pleno de beleza,
É bela canção.
33) FAÇO CÍRCULOS NA AREIA (29/01/1986)
Faço círculos
Na areia
No litoral
Como parte do rio.
São símbolos milenares
Da sideral
Ordem de Arantes.
Disfarço vícios.
34) FOSTE FONTES (28/10/1985)
Foste proposta inconseqüente
Resposta pronta e permanente
Afronta assaz ardente
Falaz paixão
Foste imposto sobressalente
Rosto fosco e contundente
Tosco gesto indecente
Presto arpão
Foste póstuma parente
Hóstia hostil e crisol previdente
Borbulhante pulsação
Foste encosto insistente
Aposto artista ao concorrente
Sizígia bela e nitente
Aquarela amarelo-limão
Foste forca consistente
Força motriz surpreendente
Retriz vacilante ascendente
Lancinante prisão
Foste passeio fremente
Asseio torto e consciente
Mosto no mosteiro saliente
Sorrateiro vilão.
Foste mistério insolvente
Minério lento poluente
Lente radiante na corrente
Verdejante visão
Foste fonte forte
Ponte para o porte
Rara réstia de retórica
Peste prestes à posse
Seresta salmão35) IMERSO NA INÉRCIA (15/01/1998)
E meus poemas
Quantos assassinarei
Por inércia
Por inépcia ?
36) ME(E)DITO (11/12/1986)
Quando medito
Me edito.
Quando menstruo
Me instruo.
37) O FILME DAS ESTRELAS
As pétalas das estrelas
Projetam filmes na Lua.38) PARIS (10/07/1985)
Paris
39) PASSAMORTE
A morte
É meu passaporte
Para o Inferno.
40) PEDRAS PERNICIOSAS
Algemas de gemas
Preciosas e perniciosas
Em pernas ociosas.
41) SUA MÃO SINISTRA. (24/02/1987)
Sua mão sinistra
Ministra
Com clamor
Aos aflitos
O filtro
Do Amor.
42) SÃO FANTASMAS CONFUSOS (12/08/1987)
São fantasmas confusos
São espectros difusos
São elétricos parafusos
São vampiras
Dominadas
Pela lascívia
43) TENHO A ALMA SUBMERSA (14/06/1988)
Tenho a alma submersa
Nos grandes sonhos do passado
Em carnais desejos de realização
Minh’alma está ébria de mim.







