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Mon bloc perso.
TRAJECTOIRE DE MAURO VALENTE

Je suis né à l’année de 1967, à la ville de Rio de Janeiro, quand j’ai reçu le nom de Mauro Brito da Silva.
En 1991, j’ai reçu le diplôme de la Faculdade de Letras da UFRJ, référent au cours de Portugais-Litté ratures.
Je m’exprime à travers de plusieurs arts: Littérature, Arts Plastiques, Danse e Thêatre. J’utilize tout le pouvoir des symboles et des mythes pour intégrer, dans mes oeuvres, les divers aspects de l’être humain et aussi les arts les uns avec les autres.
J’ai commencé à écrire poésies à cause d’ inspirations subites. Aux cours d’oficine littéraire, j’ai appris à mieux contrôler le processus criatif. Mes poèmes ont été déjà exposés et publiés, à cause de recompenses que j’ai reçu et de ma propre initiave.
J’ai presenté mes essais littéraires deux fois, pour être invité. Une fois pendant un congrès organisé par la Faculté de Lettres de la UFRJ.
J’ai appris à faire collages en 1982, au Colégio de Aplicação da UFRJ. En 1992, j’ai suivi un cours de collage, quand j’ai été éleve de Monica Barki. Dès 1991 jusqu’aujourd’h ui, à propos de cet art , j’ai dejà réalisé six expositions individuelles et trois collectives . J’ai exposé deux fois aux galeries du SESC, à Friburgo et à Tijuca.
Origam i j’appris à faire avec les programmes enfantins, que j’ai assiste à la télévision. J’ai amélioré ma technique comme autodidacte et au cours que j’ai suivi au Centre d’Artes Calouste Gulbenkian, em 1999, dont le professeur a été Mirian Nigri, membre du grupe Origami Rio. À ce même année, j’ai participé d’une exposition collective, où j’ai exposé mes origamis.
Le Tablado m’a enseigné à ëtre acteur, grâce aux trois cours que j’ai suivi dans cette institution, em 1985 et 1986: improvisation, interprétation et expression corporellle. Le professeur d’improvisation à été Ricardo Kosowski. À l’année de 1995, j’ai été membre du grupo Fazendo Arte, travaillant comme chanteur au choral et avec le théâtre enfantin, comme acteur et faisant les scénarios.
L’o bjectif de mon projet d’enquête a été démontrer les différentes relations entre les fous et les mythes, dans la fiction brésilienne. Je l’ai realisé entre 1990 et 1991. Je suis financé par le CNPq et orienté par le professeur-doct eur Wellington de Almeida Santos.
Intégr ant les arts, les uns aux autres, j’ai déjà realisé: deux expositions de poèmes et collages; une oficine par suggérer aux professeurs técniques d’interaction entre Litterature et Arts Plastiques.; huit performances, alliant Poésie, Théâtre et Arts Plastiques, une d’entre elles au théâtre Vila Lobos.
Em octobre 2000 j’a participé de la pièce “Os Gregos”, crée par la Companhia de Teatro Medieval. J’ai actué improvisant avec l’actrice Márcia Frederico, par qui j’ai été choisi pour avoir répondu correctement ses demandes sur les mythes grecs.
En 1995 j’ai lu le livre “Tarô Mitológico”, que m’a aidé à commencer ma carrière de tarologue. Dès le commencement, j’ai fait un grand succse, parce que je me suis revélé très habile en donner des conseiiles pratiques, utiles a résoudre les problèmes de mes clients et en faire prévisitions, qui ont été vraiment realisées.
À l’année 2000 j’ai realisé deux songes, que j’ai déjà eu longtemps. Le premier a été le lancement de “Coração Coringa”, mon premier livre de poésies, où les phases de la lune symbolisent beaucoup d’étapes et plusieurs types de relations amoureuses. À ce livre, je m’ai dédié pendant dix ans, m’ocupant de tous les détails: écrire les poèmes, créer les illustrations, faire la révision, le relier, le vendre. Ce livre a été mon second grand succès, comprové par la vente de beaucoup d’exemplaires.

Le second rêve que j’ai realisé, l’anné 2000, a été la création de “Poesia Energética” mon premier site pour l’internet . Dans ce site, je presente la proposition de la totalité de mon oeuvre poétique, qui est la d’englober tous les aspects de la conduite humaine. Les poèmes sont classifiés par catégories, symbolisées par les quatre éléments et illustrés para mes collages, inspirés sur le Taro.
Depuis 1999, quand je m’ai decidé concentrer toutes mes énergies et tous mes talents dans une seule série de libres, je me lui dédie. Mon objectif est prouver à tous que, dans chaque personne, existent les moyens pour réussir à améliorer la qualité de vie. Et ce sont faciles à découvrir, à partir d’un chose simple et accessible à tous: les proverbes brésiliens. Ça est possible parce que ces proverbes possèdent les mêmes symboles que le taro, par exemple: la Voiture, la Lune et le Monde. À la version en français de ce série, que je suis en train de traduir du portugais, j’ai donné le titre de “Taro Brésil.
J’ai choisi Mauro Valente pour être mon nom artistique, parce que c’est le que mieux me caractérise, dans trajectoire de vie. Dans ma constante lute pour exercer mes droits, comme citoyen; pour réaliser me rêves, comme artiste; pour superer mes limites, comme être humain.
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Publié le 18/06/2008
Par Mauro Valente
1) GENI, DE BONECA A MULHER (08/06/1986)   

Era raspadinha e vibrante

E com rabiola latejante,

A mulher embonecada.

Era tão perfeita

aquela amante

Que ele agarrou-a

Num instante.

Penetrou-lhe

na privada.

A boneca era Geni.

Tão perfeita era Geni.

É feita para estuprar.

Não é feita parir.

É boa de arrombar.

Divina Geni.

Mas um dia deu defeito.

Exigiu seus direitos

De assistente sexual.

Exigiu seguro-insanidade,

Carteira assinada

E liberdade

Irrestrita e total.

Ta mudada essa Geni.

Não é a merma Geni.

Das estrofe anterior.

Ta pensando

Que é mulher.

Ta agindo

Igual mulher.

É o fim

Do nosso amor.

2) HEROÍNA (09/07/1986)   

Do cigarro

Sai a fumaça

A fumaça se enrosca

Na antena do carro

Que passa

Agora é bandeirola

Trêmula inteira

Incauta passageira

Do auto

O motorista

Tenta arrancá-la

A bandeira se esfuma

E escorrega pro asfalto

Pro alto do arranha-céu

Agora é fino dossel

Não passa muito tempo

Sopra tremendo vento

E lá se vai

A fumaça

Outra vez

Entra pela janela

Do apartamento

Daquela que já casou

Com mais de cem

Mas essa fumaça

Não respeita ninguém

Entra nos sonhos

Da bela adormecida

E faz um carnaval

Esse gás fugaz

Lá já não está mais

Pelas ondas

Do rádio

Amado amador

Da donzela

3) MISCELÂNEA, A POESIA (05/11/1986)  

Entre as grades do azul

Prendi meu coração

Mas terras da perdição

Entre fileiras de bambus

Cujas tulipas ébrias

Enlaçadas com caracóis de Sol

Humanizadas pela Senhora

Das Mil Mãos Célticas

Que seguravam as nuvens da chuva

Enviada pelo Arcanjo

Para libertar o Ano

Das garras da negra viúva

Ela abraça a amplitude

Variante da simplicidade

Com a divindade

De sofrer por suas virtudes

Estas vicejam à sorrelfa

Sob as vistas dos profetas

Sacrificando as festas

De Tarzã com Eva

Vampiros brindam com pus

As chagas de cristo

Confuso avestruz

Na saia que visto

Sobre os seios nus de Vênus

Cujo crista

Desperta desejos incontroláveis

Nos homens de sexos maleáveis

É um prazer mórbido

Essa tal de prostituta

Muito mais que sórdido

E ainda se disputa

E derreta o sólido

Suspiro da cicuta

Amarelecido pelo esquecimento

Filho da feiras do convento

Pinto caretas em nanquim

Expressão do silvo

Difamante do mocassim

Que me dá alívio

Sem exigir tamborim

Que suporte o crivo

Da ira dos frívolos

Na fila dos frígidos

Ao soar o telefone

Corra e corte o fio

Umbilical da fome

Alucinada no cio

Visite o lobisomem

Tente dar um tiro

Nas sífilis

Que retiro

Das Amarílis

Anuncio os cliques

Dos sorriso Karynos

Pour cinq ou six briques

Quero os óculos alcalinos

Sobre o pavimento

No decorrer dos hinos

Crio compartimentos

Para conter taras

E demais condimentos

Analiso facas raras

Bem como torcicolos

Adquiridos em mansardas

Preparo pólipos

Ao molho de chiliques

Por preços mórbidos

Foram feitas plásticas

Nas suásticas

Ficaram tão elásticas

Que nem sequer sorriem

Entregaram de bandeja

Deliciosas cerejas

Com quem solfeja

No trono do harém

Queimaram os queijos

Dos azuis azulejos

Foi a maldição

Que rogaram os bruxos

Em carrões de luxo

Com sofisticações

Feriu-se com ferro em brasa

Em sua própria casa

A Cabala

E veio socorrê-la

Com muito susto

A Língua, a Fala

E uma insolente abelha

Que quase sorriu de susto

Ao ver a égua

Trepando com um muro

Num quarto escuro

A milhões de léguas

Não exitou no delito

Aquele cantor esquisito

Com defeito no braço

Presença sem brilho

nem nos olhos

nem nos lábios

pendurada no tombadilho

da nau de Logos

sócio dos espíritos sensatos

porém conscientes

de que são dementes

e míseros ratos

não me falta inspiração

para dar ração

aos desfavorecidos

também sou religioso

e creio no Deus

dos malditos

Todo Poderoso

Ele me deu

A riqueza

Para que a guardasse comigo

E para que desse aos mendigos

Toneladas de vileza

Montado em seu cavalo-submarino

Navega um grão-vizinho

E seu amante

Entre alentos e afagos

No Morro dos Cataventos Sussurrantes

Ao longe num gesto largo

Uma foice de cimento

Com sutis

Acenos convida os dois

Para morrerem depois

Na ponta dos fuzis

No fundo da algibeira

Carrego rotineiras

Massagens

Enquanto medito

Me perco no embalo

Das mixagens

Se encontro Carlitos

Corro para alçá-lo

Ao altar

Que as Titãs

Ergueram nas manhãs

De Gibraltar

4) MONSTRUOSIDADES (03/05/1986) 

Garbosos e bravios guerreiros

Todos de bom tamanho

Temiam os terríveis monstros

Dos mares d’antanho

Vírus, viris, virulentos

Bem gordos

Uns pacíficos outros violentos

Menores apenas que os engodos

Seus pais e parceiros

Curioso é o encontro

Ente eles e as naus

No furioso Helesponto

Não eram de alma maus

Olhavam secamente

Para os navegantes curiosos

Raros e ofegantes

Mas ficavam furiosos

Se molestados

Pelos petardos

Das embarcações

Alguns entoavam canções

Como as sereias

Outros entornavam vagalhões

Como as baleias

Menos horrendos

Apenas que seus nomes

Vivem morrendo

De fome

O monstro negro que carregava

As selavas sem folhas nas costas

Não era suficiente proteção

Contra as investidas

Do que moravam nas encostas

Dos montes marinhos

Nem dos monstros vizinhos

Com os quais faziam apostas

Para ver quem devorava

Mais selvagens de uma só vez

O monstro-bispo rezava uma oração

Abençoando os oponentes

Se aqui demonstro

Exemplos de monstros

Em tempos de curiosidade

E templos de posições invertidas

É porque os contemplo

Em toda sua variedade

no completo complexo

de sua sociedade

este texto é reflexo

de anos de estudo

intenso e perplexo

eis tudo

5) NÃOFRAGAR   

Farol na proa idade nau

Nau cega, sem velas

Luís, o Nevoeiro

Onde o está o Sinal ?

Luís, és Pioneiro.

Nada efêmero

Naufraga, Luís de Pinho...

Deflagra teu Destino

Naufragar é imperativo

6) NATURA (26/05/1986) 

Flores nos ramos azuis

Amores vibrantes de luz

Aromas viajantes.

Aves pelos ares...

Mares da seiva...

Salvam a selva

Das trevas...

Girafas gigantes

Giram e geram

Gerânios

E girassóis...

Estrelas de neve

Argentina

Nas nuvens de fina

Renda voam...

Pinheiros

Pioneiros

Prisioneiros

Das sementes

Das serpentes

Fôrmas de vento

Inventam

Formosas glosas

De perfeito feitio

Nas rochas

Lírios líricos,

Empíricos no empíreo

No delírio colérico.

È de admirar

A face louca da lua

A se mirar

No largo lago

Do luar.

Folhas de fibra

Desfilam á desfiada

Por desfiladeiros

E nas folias florestais

Desafiam formidáveis

Formigas famintas.

7) NUNCA DANTES 

Por cavernas

Nunca dantes descobertas

Por barracos

Nunca dantes demolidos

Por escravos

Nunca dantes alforriados

Por pedaços

Nunca dantes confessados

Por totens

Nunca dantes adorados e erguidos

Por empresários

Nunca dantes falidos

Por super-heróis

Nunca dantes vencidos

Por operários

Nunca dantes construídos

Por presidiários

Nunca dantes atrevidos

Por fatos

Nunca dantes consumados

Por Cristos

Nunca dantes crucificados

Por Demônios

Nunca dantes exorcisados

Por portais

Nunca devassados

Dantes

8) NUVEM DE ME(N)TAL (08/01/1997)    

Acima

Da minha cabeça

Nuvem de metal

Carregada

De relatividade

Entrega

Um raio

De revolução

Para

Obscena,

A minha

Musa.

9) O ANÃO AMPLIDÃO 

Como humana ampulheta

Passeia o anão atleta

Pela areia da praia

Na ampulheta

A areia discreta

Viaja através

Do vértice

Estreito

Para marcar

A passagem

Do tempo

Para a morte

Quando o anão

Se exercita

Sem saber

Incita a inveja

Converte-se

Em tema

De todas

As conversas

Pergunta

Que ronda

Pela rodas

Da inveja:

Vejam

Como pode caber

Tanta energia

Onde pouco osso

Pouco músculo

não caberia ?

só pode ser

um robô

a inveja

cega a razão

ninguém percebe

que, se fosse robô

seria alto, bonito,

mas sem espírito

o anão

tem pouco

e corpo torto

mas espírito

enorme

ereto

quanto mais

o tempo passa

por seu corpo

pequenino

mais se expande

seu espírito

é por isso

que o anão

é ampulheta viva

é vivo exemplo

de ampulheta

invertida

10) O ESPÍRITO ESPERTO (05/01/1998)    

Mulher é superapaixonada pelo marido. Ambos são muito ricos. O marido de câncer. A mulher fica em estado de choque por algum tempo. Quando está restabelecendo, percebe que está se apaixonando pelo psicólogo que cuida dela. O tenta seduzi-la para botar a mão em sua fortuna. Ela não gosta do que está sentindo com relação ao psicólogo. Gasta parte de seu dinheiro e jóias para construir uma estátua de ouro do falecido. Faz um solene juramento para ele. Se for para a cama com outro homem, ante de ir derreterá a estátua e derramará o ouro no ma, pois não será mais digna de sua confiança e de seu amor. Um arqueólogo, amigo da família, decide entrar no corrida do ouro. Tenta convencer a viúva a doar a estátua para o museu que administra. O psicólogo sabe do juramento, mas o arqueólogo não. O arqueólogo conquista o amor da viúva, ao evitar que o psicólogo roube a estátua. A milionária tenta resistir, tenta saciar seus desejos com a estátua, mas não consegue. Na noite em que vai para a cama com o arqueólogo, ela revela o seu segredo.Começa o conflito interior: cumprir o juramento fazendo a estátua desaparecer, ou mantê-la intacta, cedendo à insistência do arqueólogo, que não se interessa pelo valor material, e sim pelo histórico. Mulher jura ao arqueólogo que vai fazer a doação, porém derrete a estátua. Ao acabar de jogar ouro no mar, o arqueólogo sai de seu esconderijo, irado, e a abandona. Mulher chora, pois perdeu os dois amores de sua vida e, também, parte de sua fortuna. Procura um médium espírita, para falar com seu marido. Quer saber se ele aceita que ela se case de novo. Médium, fingindo que o falecido fala através dele, diz a ela que só pode casar outra vez com um condição: vender a mansão e doar e doar todo o dinheiro para a ONG filantrópica do médium. Viúva acredita e segue fielmente as ordens do espírito de porco. O falecido passa a atormentar a o charlatão todas as noites, a noite inteira. Diz que só o deixará em paz se ele se casar com ela e, também, fizer um testamento para que ela herde todo o dinheiro que ele lhe roubou. Caso o espírita faça qualquer coisa, seja lá o que for, que a prejudique tal como matá-la ou alterar o testamento, o falecido voltará atacar. O médium diz a ela para dar a ela para dar mais dinheiro para a instituição, pois o falecido ainda não está convencido da sua sinceridade. Na mesma noite, o falecido, o falecido o visita e diz que esta é a sua última chance, ou o charlatão cumpre o que lhe foi ordenado, ou o falecido o fará se suicidar. O médium, julgando-se todo-poderoso, se recusa. O espírito hipnotiza o espúrio espírita hipócrita e o faz inalar uma overdose de incensos. O charlatão amanhece morto. Concentrando suas energias, o espírito de amor consegue encarnar no corpo do espírito de porco. Vai ver sua viúva. Ela: Meu amor, como eu gostaria de estar aí, no céu, você. Ele: Meu amor, vou fazer melhor. Vou renascer através de você. Espírito e sua esposa fazem amor, alucinadamente.

11) O LIVRO DA LIBIDO (1986)   

Vem cá meu livrinho,

Senta aqui comigo

Me ensina me explica

Como é que

Eu fico rica

Vem cá meu livrinho,

Agora estamos sozinhos

Me ensina os artifícios

Os segredos as malícias

Pra enriquecer sem esforço

Me diz que eu te ouço

Fala, mas baixo

Fala assim só pra mim

Me ensina os cambalachos

Vem cá meu livrinho,

Senta aqui comigo

Me ensina me explica

Como é que

Eu fico rica

Vem cá meu livrinho,

Agora estamos sozinhos

Me ensina o criem perfeito

Eu aprendo eu faço direito

Eu faço até faculdade

Maior que as dificuldades

É minha louca vontade

De nadar na grana da cidade

12) O OVO DE OVÍDIO  

O ovo de Ovídio

Ouve o vídeo

De Orfeu que sofreu

Com os Elfos de Morfeu

O ovo de Ovídio

E Orfeu sofreu

Ao ouvir o vídeo

Com os Elfos de Morfeu.

Ouve o vídeo

Dos Elfos de Morfeu

Orfeu e sofreu

Com o ovo de Ovídio

13) O QUE É ISSO ? (04/11/1986) 

Não é ave, não é avião.

Não é o Super-Homem.

Não é Confúcio, não é confissão.

Não é hecatombe.

Não é compra, não é compromisso.

Não é a pena isso.

Isso apenas é.

14) OSTRAS OUTRAS (16/02/1987)   

Me vejo em meio

A uma população

De ostras humanas.

15) PÂNTANO DO ESPANTO (26/02/1988)   

Nos espantamos

Nossos pântanos

São sombrios

Sons e brilhos

Forma banidos

Pelos bandidos

Decerto

Do árido

Deserto

Os ávidos

Vieram

É facílimo

Os fascínios

Voaram

Para longe

Da mente

Onde moram

A salvo

E alvos

Para sempre

16) POEMA DESPREZADO 

Minha donzela

Por que rasgas

Papel tão precioso ?

Por que esmagas

Com tanto asco e nojo,

Poema de amor

Tão belo ?

Pois um amo um pintor

Que me ama

Numa aquarela.

Que me afaga

Com cores ardentes.

Ele faz eu me ver

Como uma Cinderela.

Ele não rima

Meu nome belo

Com tagarela.

Ele sai e o deixa

Sozinho na sala.

El faz sua mala,

Troca seu amor

Por ódio

Vai até ela

E lhe fala

Vou matar-te

Vou jogar-te

Na vala

Dos versos

Brancos de

Tão podres

Ela gargalha

Ele a pega

Nos braços

A joga

Pela janela

Pobre moça

Tão bela...

Ela voa

Para longe

Bem longe

Livre, enfim,

Dos versos

Dele, cegos

17) POEMA DOS TRÊS PLANOS (05/01/1197)

1º PLANO:

Roda gigante...

Tábua oscilante...

Plano inclinado escorregadio...

Ponte de quadrados vazados...

Cubos amontoados

Para passar através...

Estacas com teias

De arame intercaladas...


2º PLANO:

Quase esqueço

E não escrevo

No quadro.

Veia da terra

Aberta na pedra

Se perde no horizonte.

Dois casebres

De olhos azuis.

Árvores de penas

Vivem nas margens

Dos riscos.


3º PLANO:

Três montanhas.

Outra calva e brisa,

Outra de perfil

E bigode viril,

Outra com peruca

Louca de pirilampos.

18) POLIPOÉTICA (10/05/1986) 

No porto

navios de afastando

versos brancos acenando

no pescoço

da Damas da Araras

colar de rimas raras

na guerra

com a paz dos estóicos

decassílabos heróicos

na fila de espera

do INAMPS, franzinos

alexandrinos

nos castelos assombrados

aprendem a ser bruxa

rimas esdrúxulas

nos sobrados

comem nas maiores vasilhas

as menores redondilhas

na porta da igreja

imploram por poucos cobres

rimas pobres

no Palácio da Inveja

não cessam intrigas

entre rimas ricas

a Bíblia já dizia:

no Paraíso das Alturas

só entram rima pura

na praça vazia

rimas femininas

amam rimas masculinas

na pele

abrem feridas profundas

rimas pontiagudas

nas orelhas

a comédia encontra entraves

nas rimas graves

ônibus parados

fazem zorras infernais

nas rimais finais

em quartos apertados

dormem apenas

rimas internas

nos planos projetados

a armadura completa

da poesia concreta

19) PRAZER DE MATAR (10/07/1985)  

Toda a cidade corre perigo quando quem,

acima de tudo, ama a vida,

descobre o indescritível prazer de matar.

20) PROCESSO DE ELIMINAÇÃO DA TUA PRESENÇA EM MIM (27/01/1987)  


Durante a noite

Lentamente

Tua carne e dissolve

No ácido da amnésia.

Entretanto

Ainda te espero

atento a teus passos

De morta-viva.

Introduzo um pinça

Em ouvido

E retiro

O fino fio

Da tu voz.

O Grande

Pássaro da Aurora

Já espalha

suas penas róseas

Pela minha memória,

Mas tua visão

Já se apagou

Dos meus olhos.

21)
Quartetos

O Puma

Pouco ocupa

Da riqueza

Móvel.

O Puma

Pouca ofusca

A pobreza

Imóvel.

22) QUERIA SER UM PERSONAGEM ÁRABE   

Queria ser das mil e uma noites árabes

Um personagem árabe

Com todo seu esplendor e encanto

Conhecer os quatros cantos

Das mil e uma noites árabes

Possuir o mais belo príncipe árabe

Possuir a beleza e poesia

Das mil e uma noites árabes

Ao invés de ser

Um mísero ingrediente árabe

De um reles pão-árabe

Cujo destino

É o intestino

De um clandestino

Americano

Numa história apócrifa

Das mil e uma noites árabes

23) QUERO QUE MINHA ARTE     

Quero que minha arte

seja bela o bastante,

para todo o mundo amar.

Mas, ao mesmo tempo,

Quero que minha arte

seja feia o bastante,

para ninguém no mundo imitar.

24) RAPSÓDIA (04/11/1986)   


1) ESCÂNDALO


Para os vândalos

O escândalo

É uma forma de amor

Nos seus ritos

Cada canção é um grito

De rubra cor


2) AMOR


A cor do amor é imprecisa

Sua mansão é uma canção rosada

Sua forma segue normas inusitadas

Seu grito gera conflitos em virgens narcisas

Seu sândalo é o escândalo


3) CANÇÃO


Numa canção posso ser Deus

Posso fazer da Terra um Paraíso

Posso pintar o Mundo da verde cor

Posso habitar nos filhos meus

Posso por um verde sorriso

De fresco odor

Em seus lábios e em seus dentes

Posso por um verde grito

Em suas gargantas

Posso tirar de suas mentes

E de seus corações os conflitos

O verde Amor de agiganta

Posso fazê-los habitar em vedes prados

Posso fazê-los segundo minha perfeita forma

E quando

Deles estiver cansado

À Terra devolver o que lhe pertence

Minha prole, ao ver-se nua

Se extermina em

grande hecatombe

De escândalo


4) COR


Se no meio da rua grito

Logos todos pra mim olhando estão

Se o céu fito

Logo todos pro firmamento

Voltam sua atenção

Se um quadro pinto

Logos todos questionam

A cor que vou usar

Se uma pedra esculpo

Logos todos perguntam

Que forma vou lhe dar

Se com alguém luto

Logos todos apostam

Que quem vai ganhar

Se assobio uma canção

Logos todos param

Para escutar

Se estendo a mão

Logos todos nela

Uma esmola

Vão jogar

Se considero

A inflação

Um escândalo

Logos todos comigo

Vão concordar

Se de costas ando

Logos todos

No hospício

Vão querer

Me trancafiar

Se faço amor

Na meio da rua

Logos todos

Plenos de inveja

Chamam a polícia

Pra me delatar

Porém se dou

Dinheiro gordo

Logos todos

Ficam mudos

Com ninguém

Vão comentar

Grana mole

Em cabeça dura

Tão tenta

Que não restará

Nem pensamento

Só amnésia


5) GRITO


Amor-Escândalo

É a melhor forma

De dar um grito

É silenciosa canção

É cor berrante e silente


6) FORMA


Forma, informa

Amor, clamor

Grito, agito

Canção, escanção

Cor, calor

Escândalo, cântaro

25) RELIGIÃO   


Conectar

Com néctar.

Unir

Não pela seita

Sim pela ceia.

26) ROMPER O TÊNUE LIMITE (28/09/1986)  


Romper o tênue limite

Entre a pura

Transcendência

Do ser

E a dura

Decadência

Do parecer

Ferver todo

esse acinte

na confusa

incandescência

da indolente criatura

de inocente figura

e elevada estatura

que é lavada

no riacho de Hipólita

e seu rancho

de hipócritas

com seu ranço

do monólito fatídico

de acre acrílico

decifrar os insondáveis

desígnios do coração

para os inalienáveis

e malignos mistérios

da oração

que preserva intactos

seus ministérios

cujo voto de Minerva

enerva até os pactos

dos cactos báquicos

com as elásticas

e lascivas fibras

das cativas firmas

fundadas pelas fricativas

e fundas redondilhas

de rodilhas

morrer de mal súbito

remar em dorsal decúbito

num barco dourado de júbillo

avariado em pleno púlpito

avaliado com pesos múltiplos

manuseados pelos mesmos pupilos

acusados de serem túrgidos

na presença dos raios fúlgidos

fugidos dos hinos estúpidos

dos lacaios úmidos

lacrados em balaios lúbricos

encarregados do logro lúdico,

jogo do súdito

do jogral lúcido

sujo perante o público

pela escolta da escolha do último

dos mói-cana-da-índia que os barbitúricos

bárbaros ceifaram de modo único

sua rubra é rúbrica

seu muso é músico

seu tenor tem temor e teor telúrico

e canta num canto o Mercúrio pudico

enquanto este prossegue litúrgico

com o processo do possesso cirúrgico

confesso cupido túmido

27) ROSALINA   


Rosalina

Às vezes é delicada

Como as flores

De pano

Que ela faz.

Rosalina

Às vezes

Não é flor

Que se cheire

Nem que

Se coloque

Na lapela

Na capela

Rosalina

É remorso

E desengano

É estátua

Feita de espinhos

Rosalina

É rosa-overdose

Viciou-se

No viçoso aroma

De si mesma

28) SEDOSA NEBLINA (20/01/1998)   


Neblina de seda

Bélica beleza

Na cabeça

De Ismênia

Asas de noiva

Fértil farsa

Na casa

Da ingênua

Papoulas de sangue

Austero caos

No claustro

Da sereia

29) SELVAGENS SENHORITAS   


Selvagens senhoritas

Fáceis conquistas

Dóceis escravas

Maliciosas senhoras

Simples e discretas

Sem horas
sem idéias secretas

Com concretas palavras

30) SONHO DOS MEUS VERSOS (27/02/1986)   

A Olavo Bilac


O som das castanholas

São mil corações em fúria

Ágeis em mão em espanholas

Chamam-me para a luxúria

São mil corações em fúria

ainda ouço em meu peito

Chamam-me para a luxúria

Teus olhos negros e suspeitos

Ainda ouço em meu peito

Percorre todo o meu corpo

Teus olhos negros e suspeitos

Fazem o mesmo em tempo pouco

Percorre todo o meu corpo

O prazer que nele injetas

Fazem o mesmo em tempo pouco

O veneno de indígenas setas

O prazer que nele injetas

Meu ser envolve e entorpece

O veneno de indígenas setas

A mesma coisa acontece

Meu ser envolve e entorpece

E empalidece e revolve

A mesma coisa acontece

Com projétil de um revólver

E empalidece e revolve

E devolve à vida

Com projétil de um revólver

Não acontece coisa parecida

E devolve à vida

Mais forte e digno

Não acontece coisa parecida

Com pessoas de outros signos

Mais forte e digno

De te possuir

Com pessoas de outros signos

Não posso ir

De te possuir

É chegada a hora

Não posso ir

Antes do raiar da aurora

É chegada a hora

Com amor fazemos o truque perfeito

Antes do raiar da aurora

De dois corpos um só é feito

Com amor fazemos o truque perfeito

Estreito laço nos une

De dois corpos um só é feito

Alumiados pelo lunar lume

Estreito laço nos une

Laço estreito filigranado

Alumiados pelo lunar lume

Auxiliado por seres alados

Laço estreito filigranado

Lutando embora

Auxiliado por seres alados

Não escapa das garras da Aurora

Lutando embora

O laço é desatado

Não escapa das garras da Aurora

De fio em fio é desfiado

Lutando embora

O laço é desatado

Não escapa das garras da Aurora

De fio em fio é desfiado

O laço é desatado

Falece a força tão imune

De fio em fio é desfiado

O que nos une

Falece a força tão imune

Torna-se duo o antes uno

O que nos une

É destruído por Saturno

Torna-se duo o antes uno

Sem ti me despedaço

É destruído por Saturno

O sonho de nossos astros

Sem ti me despedaço

O som das castanholas

O sonho de nossos astros

É ágil em mãos espanholas


31) SURREAL (11/01/1998)   


Computador fuma

E se esfuma

É dono

De um banco

De dados viciados

Seu operador

Foi operado

Com um dado

No peito.

32) TE AFOGUEI EM MEUS DESEJOS (12/08/1987) 

Te afoguei

No Oceano

Do meu Desejo

Teu cadáver ainda quente

Flutua entre geleiras

Ouço tua voz

Entre as Estrelas

Desde o dia

Em que te deixei

Falando sozinho

E fui fazer

Meu mapa astral
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