" No falso cavalo, a ruína de Tróia."
Um magnífico cavalo, todo em madeira. E os troianos andavam à sua volta, contemplando-o. Só Laocoonte olhava com suspeita: era um presente que os gregos enviavam.
Assim, aconselhou os troianos a não aceitarem, pois ali havia traição. Querendo provar o que dizia, lançou um dardo contra aquele simulacro: o impacto produziu um som oco. Laocoonte propôs que queimassem o cavalo, mas ninguém lhe deu crédito. Todos acreditavam que os gregos desejavam a paz, e o presente era uma forma de demostrar seu anseio.
Algum tempo atrás, quando os gregos desembarcaram na Tróade, os troianos haviam matado o sacerdote de Netuno, acusando-o de não ter feito sacrifícios que agradassem ao deus. Agora, pediam a Laocoonte que ocupasse o lugar do sacerdote morto. Ele deveria oferecer sacrifícios ao senhor dos mares para agradecer-lhe a boa intenção dos gregos.
Laocoonte aceitou a incumbência: era inútil continuar alertando-os sobre a falsidade do presente. Preparava-se para imolar um touro gigante, quando duas serpentes saíram do mar e lançaram-se sobre os filhos do sacerdote, querendo sufocá-los. Laocoonte, que muito amava aqueles jovens, correu a salvá-los, e foi morto pelos monstros.
Em todos os rostos surgiu o mesmo pensamento: laocoonte morrera por não acreditar que os gregos ofereciam a paz. Fora impiedoso, e na morte recebera a punição. Esse era mais um motivo para aceitarem o presente.
A noite começava quando o majestoso cavalo penetrou o interior das muralhas, levando consigo a destruição de Tróia.
